Tanto a oportunidade econômica como o compromisso social com um desenvolvimento mais justo e sustentável levam o governo federal, por meio da Itaipu Binacional, a investir em estruturas de bioeconomia em Belém, capital do Pará, na preparação para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima – COP30, em novembro.
US$ 7,7 trilhões. Essa é a oportunidade de negócio projetada para a bioeconomia global até 2030. O Relatório “Uma oportunidade de negócio que contribui para um mundo sustentável”, produzido pelo Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, na sigla em inglês) indica este lucro potencial a produtos de base biológica que complementem ou mesmo substituam os convencionais, com enfâse ao uso de biomateriais em diferentes indústrias de produtos, como farmacêuticas, têxteis, materiais de construção e de embalagens.
Por meio do Convênio 71, em que estão também abarcadas a compra de um barco movido a hidrogênio, ações de educação ambiental e a reforma de Unidades de Valorização de Recicláveis (UVRs), uma outra obra está em andamento: a do Centro de Inovação e Bioeconomia de Belém (CIBB), que abrigará cerca de 20 startups. A obra está no escopo das entregas do governo federal que visam, para além de estruturar a capital do Pará para o evento da Organização das Nações Unidas (ONU), deixar um legado coerente com ações de combate à mudança do clima para a cidade.
O diretor de Infraestrutura da Secretaria Extraordinária para a COP30 (SECOP) da Casa Civil da Presidência da República, Olmo Xavier, explica que a realização da COP em Belém coloca o país diante de uma responsabilidade histórica, que é transformar a cidade em um exemplo de como o desenvolvimento pode ser guiado por princípios de sustentabilidade, justiça social e inovação. “Nesse sentido, obras como esta, especialmente no âmbito deste Centro, representam mais do que investimentos em infraestrutura. São a materialização de um legado articulado à educação ambiental, gestão de resíduos sólidos e inovação em bioeconomia”.

O Centro será sediado no Casarão Higson, no centro histórico da cidade, com vista para o Rio Guamá, em frente ao Mercado Ver-o-Peso, considerado uma das maiores feiras livres da América Latina. O prédio, assim conhecido por ter sediado por cerca de cinco décadas uma empresa de mesmo nome, é tombado nas esferas municipal, estadual e federal e, agora, é reformado para valorizar os saberes tradicionais e impulsionar oportunidades à comunidade local.
De acordo com o secretário municipal de Obras e Infraestrutura (Seinfra), Euler Sizo, a escolha da edificação como sede do CIBB se dá por diversos fatores, como a centralidade geográfica na cidade, o que facilita a chegada ao espaço, o valor histórico da região e a integração com o Ver-o-Peso, onde já acontece a maior parte das vendas relacionadas à produtos da biodiversidade amazônica. “A importância está também em trazer maior profissionalização para todo o processo, é possibilitar que as pessoas tenham maior ganho e maior produtividade. E isso ficará de legado para Belém, para as próximas gerações.
A secretária nacional de Bioeconomia do Ministério do Meio Ambiente e da Mudança do Clima do Brasil (MMA), Carina Pimenta, indica que espaços como estes, em que seja possível manusear, experimentar e compreender o que são os produtos da bioeconomia são importantes em duas vias: criar um ecossistema de apoio aos negócios e também ajudar a disseminar o conceito de bioeconomia para a sociedade em geral.
“No cerne da bioeconomia, e também da economia criativa, está a capacidade de inovação que enxergamos nos empreendimentos, no empreendedorismo, na habilidade das pessoas de criarem produtos e serviços que respondem a questões concretas da sociedade. Acho que o grande elo está, justamente, nessa relação entre investimento, inovação e empreendedorismo, que surge em diversos contextos”, descreve Carina.
Além de receber startups de diversos segmentos, como biojoias, bioperfumaria e fitofármacos, o Centro também contará com um café no térreo e um restaurante no terraço, expandindo as opções atrativas tanto para a população local como para turistas.
O maior investimento da história da Itaipu
O investimento da Itaipu Binacional em ações e obras relacionadas à COP30 representa o maior aporte financeiro da história da empresa pública fora de sua área de abrangência geográfica. Ao total, a cidade dispõe de R$ 1,3 bilhão em investimentos da binacional, que é a maior geradora de energia limpa e renovável do planeta, promotora de desenvolvimento sustentável e propulsora de boas práticas ambientais e sociais.
O diretor-geral brasileiro da empresa, Enio Verri, ressalta que a Itaipu tem como missão, além de produzir uma energia barata de qualidade, o compromisso socioambiental. “E não existe no mundo melhor objetivo socioambiental do que a COP30, que debate o clima no mundo e, principalmente, chama a atenção desse mundo para o Brasil e suas políticas de transição energética”.
Vocação para bioeconomia
Em uma cidade situada no maior bioma brasileiro, berço da maior biodiversidade dentre as florestas tropicais do mundo, a Amazônia, espaço de conhecimentos indígenas seculares e técnicas locais inovadoras, a bioeconomia está arraigada aos processos de vida e de negócio há muito mais tempo que a criação de uma expressão a este modelo. Assim, o território amazônida é essencialmente frutífero a novas formas de negócios, descoberta de novos insumos e inovação no sentido mais amplo.

No caso do projeto “Filha do Combu”, a ideia de negócios frutíferos se torna literal. Há quase 20 anos, Dona Nena, agricultora e empresária ribeirinha da Ilha, trabalha com chocolates artesanais orgânicos, resultado do manejo responsável do cacau da floresta, que cresce junto a demais árvores, como as de açaí, cupuaçu e banana. Um projeto de desenvolvimento sustentável em duas frentes: ambiental e social, como elucida a chocolatier.
“É uma forma também da gente se fixar no campo e gerar renda para a comunidade. As pessoas perguntam por que eu não faço uma loja na cidade, e eu respondo que é porque lá não vai gerar emprego para as pessoas daqui. O objetivo é que as pessoas daqui não precisem sair para ir buscar trabalho lá fora”, explica Dona Nena, que espera que a COP30 seja um momento para expandir ao mundo a forma de enxergar a floresta. A receita anual do empreendimento já ultrapassa R$ 1 milhão.
Para saber mais sobre o “Filha do Combu”, você pode acessar o material audiovisual exclusivo da COP30 neste link.
Dando visibilidade a negócios como o de Dona Nena, que são exemplo da possibilidade de aliar a geração de emprego e renda com a manutenção da floresta em pé e fortalecimento da bioeconomia, no último ano, 2024, o presidente Lula, acompanhado do presidente francês Emmanuel Macron, em sua primeira vinda à América Latina, conheceram o “Filha do Combu”, situado na quarta maior ilha das 39 que compõem a região insular de Belém. Na ocasião, os presidentes anunciaram um programa de investimentos de cerca de R$ 5,4 bilhões na bioeconomia da Amazônia brasileira e da Guiana Francesa.

