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starten.tech > notícias > colunistas > A infraestrutura invisível e a falta de talentos: por que a expansão de empresas de tecnologia exige o fim da desigualdade de gênero?
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A infraestrutura invisível e a falta de talentos: por que a expansão de empresas de tecnologia exige o fim da desigualdade de gênero?

Sonia de Almeida
Última atualização: 11/09/2026 15:48
Sonia de Almeida - Diretora Executiva da Afesu
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Com cada vez mais empresas de tecnologia em ascensão, os data centers têm sido destaques porque são a infraestrutura que permite que grande parte dos serviços digitais que usamos todos os dias funcione. Aplicativos, plataformas de streaming, sistemas de empresas e ferramentas de inteligência artificial dependem desses centros para armazenar e processar enormes volumes de dados e, à medida que essa estrutura cresce para acompanhar a transformação digital, aumenta também a demanda por profissionais capazes de projetar, operar e manter esse ecossistema. Mas existe uma questão que precisa fazer parte dessa discussão sobre quem estamos preparando para ocupar cargos nesse tipo de empresa.

Segundo um estudo da Laboratória em parceria com a McKinsey, apenas 20% das contratações para cargos de tecnologia no Brasil são de mulheres. O levantamento, que analisou mais de 300 empresas de tecnologia na América Latina, também identificou uma presença feminina inferior a 30% nos cargos de alta gerência no país, evidenciando que a desigualdade não está apenas na porta de entrada do setor, mas também nas oportunidades de crescimento e liderança.

Os números revelam uma contradição importante, ao mesmo tempo em que o setor enfrenta uma demanda crescente por profissionais qualificados, uma parcela significativa dos potenciais talentos continua sub-representada. Talvez o chamado apagão de talentos não seja apenas uma  escassez, mas também uma crise de exclusão, já que não podemos falar sobre falta de profissionais sem considerar as barreiras que ainda afastam mulheres nessas áreas.

Essa questão se torna ainda mais relevante quando olhamos para os data centers, cuja expansão exige profissionais de diferentes áreas, da engenharia à tecnologia, passando por operações, segurança, energia e gestão. Estamos construindo uma infraestrutura cada vez mais avançada para sustentar a economia digital, mas ainda convivemos com uma cultura profissional que, em muitos aspectos, carrega padrões de um passado em que esses espaços eram majoritariamente masculinos.

Por isso, não se trata apenas de abrir vagas para mulheres, mas de olhar para toda a trajetória que vem antes delas, desde o acesso à educação tecnológica e o contato com referências femininas até a formação profissional e a criação de condições para que possam permanecer e crescer nessas carreiras. Quando meninas têm acesso a conhecimento, experiências práticas e referências que mostram que a tecnologia também é um espaço possível para elas, ampliamos não apenas suas perspectivas profissionais, mas também o conjunto de talentos disponível para um setor estratégico para o desenvolvimento do país.

É justamente por isso que educação e inclusão precisam ser tratadas como parte da estratégia de crescimento da tecnologia, e não apenas como uma agenda social. Formar meninas para as áreas ligadas à tecnologia e à inovação significa contribuir para a construção de um mercado mais diverso e, ao mesmo tempo, ampliar as possibilidades de inovação em uma área que continuará demandando profissionais qualificados.

A expansão dos data centers precisa vir acompanhada de uma mudança na forma como pensamos a formação e a participação das mulheres na tecnologia, porque uma infraestrutura preparada para o futuro também precisa ser sustentada por uma força de trabalho diversa, capaz de trazer diferentes experiências, perspectivas e soluções para os desafios que estão por vir.

TAGS:tecnologia
Por Sonia de Almeida Diretora Executiva da Afesu
Fundada em 1963, a Afesu (Associação Feminina de Estudos Sociais e Universitários) é uma organização sem fins lucrativos que promove a inclusão social de meninas e mulheres por meio da educação. Com cursos 100% gratuitos, voltados para beneficiárias de 7 a 25 anos, a instituição oferece formação integral, apoio escolar, qualificação profissional e desenvolvimento socioemocional e atua sempre sem conjunto a família da aluna. Com unidades em regiões vulneráveis nas cidades de São Paulo — Jardim Taboão, Vila Missionária e Cotia —, a instituição já atendeu mais de 15 mil beneficiárias, impactando direta e indiretamente cerca de 60 mil pessoas. A Afesu mantém uma sólida rede de parcerias com mais de 50 empresas e instituições — como WEG, Porto, Craft, Schneider Electric, Instituto Ambikira — que colaboram para a formação humana e iniciação profissional das beneficiárias. A organização também já recebeu diversos reconhecimentos por seu impacto social e por sua contribuição à educação de qualidade e equitativa no Brasil.
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