Uma equipe pode cumprir metas, manter a operação funcionando e, ainda assim, não ser ‘saudável’. Muitas vezes, os primeiros sinais aparecem longe dos indicadores financeiros: decisões que não avançam, conflitos que permanecem silenciosos, áreas que deixam de colaborar, perda de talentos e uma estratégia que existe no papel, mas encontra dificuldade para chegar à prática. Quando o impacto finalmente aparece nos resultados, a deterioração pode estar acontecendo há algum tempo.
A relação entre saúde organizacional e desempenho ajuda a dimensionar o problema. Dados da McKinsey mostram que empresas no topo do ranking de saúde organizacional entregam até três vezes mais retorno aos acionistas do que aquelas que estão no fim da lista. Para Susana Azevedo, especialista em desenvolvimento de lideranças, coaching e transformação cultural e sócia da Quantum Development, olhar para a saúde das equipes significa observar capacidades que vão além da competência técnica de seus integrantes e ajudam a entender como aquele grupo funciona diante da complexidade, da pressão e das mudanças.
Na análise da especialista, sete capacidades são fundamentais:
- Fundacional – é a base de valores, crenças e pressupostos que sustenta as demais capacidades. Quando ela é frágil, falta uma referência comum para interpretar situações e orientar escolhas.
- Sistêmica – permite enxergar padrões, interdependências e dinâmicas que ultrapassam os limites de uma área. Sua ausência favorece decisões isoladas e a formação de silos.
- Estratégica – envolve clareza, alinhamento, discernimento e priorização. É o que ajuda a equipe a transformar estratégia em direcionamento para a execução.
- Emocional – permite sustentar tensão, frustração, ambiguidade e conflito sem perder funcionalidade, especialmente nos momentos de maior pressão.
- Relacional – está ligada à confiança, ao respeito, ao diálogo honesto e à capacidade de colaborar mesmo diante de divergências.
- Operacional – reúne cadências, rituais e acordos de funcionamento que permitem transformar decisões em execução coerente e alinhada.
- Adaptativa – é a capacidade de ajustar decisões e dinâmicas diante das mudanças de contexto e aprender coletivamente ao longo do processo.
“Uma equipe saudável e eficiente é aquela que trabalha de forma colaborativa e entrosada, com elevados níveis de confiança e segurança psicológica, engajamento e organização, alta capacidade de conduzir conversas difíceis, sustentar ambiguidade e tomar decisões, baixa rotatividade e alta produtividade, além de ter entre os seus membros o conhecimento, habilidade e experiência nas diversas disciplinas técnicas e de negócio necessárias”, explica Susana.
A necessidade de desenvolver essas capacidades ganha peso em um ambiente no qual fusões e aquisições, sucessões, crescimento acelerado, profissionalização dos negócios, mudanças estratégicas e reestruturações se somam à imprevisibilidade do cenário global. Nesses momentos, fragilidades que permaneciam pouco visíveis podem rapidamente comprometer decisões e execução. “As estruturas, relações e formas de decidir e trabalhar tradicionais, baseadas em capacidades individuais de líderes protagonistas não foram desenhadas para esse nível de complexidade”, afirma.
Como saber quando a saúde da equipe começa a se deteriorar? Segundo Susana, entre os sinais estão as reuniões que não chegam a decisões, assuntos que voltam semana após semana, temas que poderiam ser resolvidos pela própria equipe e acabam escalados para o CEO, áreas defendendo seus próprios territórios, perda de profissionais e divergências que aparecem nos corredores, mas não nas reuniões. “O silêncio aparece nos lugares errados. Nas reuniões de liderança, todos concordam e nos corredores, a conversa é outra. O que não é dito em público continua a determinar o que acontece de verdade”, alerta Susana. Para a especialista, observar esses sintomas antes que eles apareçam nos resultados permite tratar a saúde da equipe como uma dimensão do próprio negócio, e não apenas como uma questão de relacionamento entre seus integrantes.
Foi a partir da experiência com equipes em diferentes contextos organizacionais que Susana e sua sócia, Bianca Aichinger, desenvolveram na Quantum Development um scorecard para mapear as sete capacidades e calcular um índice de saúde da equipe e sua inteligência coletiva. O diagnóstico completo combina um questionário individual com uma análise qualitativa, baseada em entrevistas com os integrantes da equipe e diferentes stakeholders, como colaboradores, clientes, fornecedores, parceiros, investidores e conselheiros. A proposta é confrontar a percepção interna com a maneira como aquela equipe é percebida por quem convive com suas decisões e seus efeitos e, a partir daí, identificar quais capacidades precisam ser fortalecidas. “A partir deste mapeamento, junto com a clareza da visão e propósito da equipe, é possível junto com a equipe, definir o que é necessário desenvolver”, conclui.
Sobre a Quantum Development
Com foco no desenvolvimento de equipes de liderança de alta performance, a Quantum Development apoia seus clientes na profissionalização e na transformação da cultura organizacional em um mundo em constante evolução. Criada em 2021 pelas sócias-fundadoras Bianca Aichinger e Susana Azevedo, que somam mais de duas décadas de experiência no mercado corporativo nacional e internacional, a empresa tem em seu portfólio clientes como Grupo Leveros e Uappi.


