No mundo, a Inteligência Artificial está absorvendo as tarefas operacionais de nível inicial, fechando gradativamente as portas do mercado. Nesse cenário, o ambiente interno das organizações se mostra marcado por uma preocupante paralisia. Globalmente, os anúncios de vagas entry-level despencaram 35% nos últimos 18 meses, de acordo com a consultoria Revelio Labs. Paralelamente, o índice da Anthropic registrou uma queda de 14% na contratação de jovens entre 22 e 25 anos em ocupações expostas à tecnologia. No Brasil, o cenário repete a tendência. Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) com dados PNAD Contínua, do IBGE, detectou que os efeitos negativos da adoção da IA na ocupação e renda já se concentram majoritariamente na faixa etária de 18 a 29 anos.
Em paralelo, um estudo exploratório da Leapy, plataforma que apoia empresas na formação de jovens talentos por meio da aprendizagem, realizado com 22 lideranças de programas de talento de grandes empresas brasileiras, mostra que, diante do avanço veloz da tecnologia sobre as tarefas operacionais, 82% das organizações admitem que ainda não tomaram decisões concretas sobre como redesenhar seus programas de talentos juniores (aprendizes, estagiários e trainees). Além disso, 45% sequer iniciaram essa discussão internamente.
“Não estamos diante de um apagão imediato de empregos ou de demissões em massa que viram manchete, mas de algo muito mais sutil. Isso porque a IA não está apenas automatizando tarefas; ela está gerando um colapso das condições que permitiram que o talento humano se desenvolvesse. Esse cenário se manifesta em cinco frentes: o fechamento das vagas iniciais para jovens, seguido pela aceleração do gap de habilidades – o mercado exige mais do que as pessoas conseguem entregar -, a crise de engajamento humano no trabalho, a ansiedade agindo como paralisia e a severa sobrecarga das lideranças, que absorvem esse impacto sem suporte”, explica o cofundador da Leapy, Matheus Fonseca.
A armadilha da “Superagência”
O especialista explica que, ao automatizar o trabalho do júnior para ganhar eficiência imediata, as empresas eliminam o degrau de aprendizado. O resultado é a “armadilha da superagência” ou Superagency Trap: a IA eleva a produtividade artificialmente, mas empobrece a base cognitiva das equipes. “Se o jovem não passar pelo trabalho operacional de analisar dados e revisar processos, como ele terá capacidade crítica e julgamento para supervisionar o que a IA entrega amanhã?”, questiona Fonseca.
O mercado já tenta reagir, mas de forma desestruturada. O mapeamento da Leapy aponta que 59% das empresas já incentivam formalmente o uso de IA no dia a dia dos jovens, porém apenas 14% criaram trilhas formais de desenvolvimento voltadas à tecnologia. Para o especialista, portanto, o caminho não é frear a inovação, mas requalificar intencionalmente. E os dados da HRTech provam isso: entre as organizações que apresentam altas taxas de efetivação de Jovens Aprendizes, 83% possuem trilhas de desenvolvimento estruturadas.
“O mercado tem respondido de três formas. Há quem corte a vaga porque a IA assumiu as tarefas iniciais, e há quem mantenha a posição, mas blinde o jovem da tecnologia para forçá-lo a aprender o básico. Em ambos os casos, a empresa elimina a rampa de desenvolvimento. A terceira e melhor alternativa é reestruturar a formação para quem já chega pensando com a IA. Nessa nova economia, ser sênior significa combinar habilidades que a máquina não replica — como empatia, julgamento e priorização — com a fluência técnica de operar as ferramentas certas para cada situação. As organizações que não trocarem os planos de carreira engessados irão sofrer com a escassez de profissionais”, finaliza o cofundador da Leapy.
Sobre a Leapy:
A Leapy atua na contratação, formação e gestão de jovens aprendizes, ajudando empresas a transformar a obrigação legal da Lei da Aprendizagem em uma oportunidade estratégica. Com tecnologia e metodologia próprias, conecta jovens em início de carreira a áreas com déficit de talentos, preparando-os para desafios reais do mundo do trabalho e apoiando as organizações na construção de times mais diversos, engajados e capacitados para as demandas digitais atuais. Como resultado, alcançou uma taxa de efetivação entre os jovens três vezes maior que a média nacional, consolidando-se como uma das principais HRTechs focadas em talentos em início de carreira. Entre os clientes da hrtech estão nativas digitais, como Nubank, Ifood, e grandes corporações de alcance nacional, como o Grupo Boticário.


