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starten.tech > notícias > artigos > A internet entrou em guerra fria?
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A internet entrou em guerra fria?

Paulo Lima
Última atualização: 13/08/2026 18:27
Paulo Lima - CEO da Skynova
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A internet foi construída sob a promessa de ser uma rede global, onde dados, serviços e aplicações circulariam entre países de forma relativamente integrada. Porém, a cada dia esse modelo construído dá lugar a um cenário cada vez mais fragmentado. Disputas geopolíticas, políticas de soberania de dados, regulamentações nacionais e restrições tecnológicas estão redesenhando a infraestrutura digital mundial e criando ecossistemas cada vez mais regionalizados. 

Diante de um cenário cada vez mais setorizado, marcado por disputas geopolíticas, diversos países passaram a tratar a infraestrutura digital como questão de segurança nacional, intensificando investimentos para reduzir a dependência externa e fortalecer sua soberania tecnológica. Um exemplo desse movimento é a União Europeia, que, em junho de 2026, apresentou uma proposta para ampliar o Chips Act, de 2023. O chamado Chips Act 2.0 prevê medidas para reduzir dependências estratégicas, estimular a demanda por semicondutores e fortalecer a capacidade europeia em tecnologias avançadas, incluindo aquelas ligadas à inteligência artificial.

Além dos investimentos em capacidade tecnológica própria, governos também passaram a adotar políticas voltadas ao controle sobre o fluxo, armazenamento e processamento de dados. Essa centralização busca garantir a proteção de informações ligadas diretamente à segurança nacional, levando os Estados a exigirem o armazenamento local de dados e uma supervisão mais rígida sobre infraestruturas.

Porém, a transformação vai além da tecnologia. A internet passou a ser uma infraestrutura estratégica para governos e empresas, sustentando operações financeiras, mercadológicas e operacionais. Segundo a Statista, plataforma online alemã especializada em coleta e visualização de dados, três empresas concentram mais de 60% do mercado global de serviços de infraestrutura de nuvem: Amazon (28%), Microsoft Azure (21%) e Google Cloud (14%).

Esse grau de concentração reforça o caráter estratégico da infraestrutura de nuvem, hoje essencial para o funcionamento de empresas, governos e serviços digitais. As corporações que dominam grande parte desse mercado exercem influência direta sobre a cadeia produtiva e operacional, uma vez que detém os recursos essenciais para a sustentação do sistema.

Esse alto nível de centralização na mão de poucas empresas eleva o alerta sobre a segurança e a soberania dos dados. Em um sistema de alta dependência, qualquer interrupção técnica, mudanças regulatórias ou crise geopolítica no país sede dessas corporações é capaz de provocar um efeito em cadeia, comprometendo as operações de governos e organizações em escala global.

Foi o que aconteceu em 2025, quando a Microsoft enfrentou instabilidades em serviços como a nuvem Azure, o Microsoft 365 e o Xbox, evidenciando como panes em grandes provedores de tecnologia geram impactos imediatos em diferentes setores e regiões.

Ao que tudo indica, a ideia de uma rede global sem fronteiras onde as informações circulam livremente tem deixado de ser realidade. O que vivenciamos hoje é a concentração da internet voltada a interesses regionais e econômicos. Se a internet do passado foi moldada pela promessa de conectividade ilimitada, a internet do futuro será governada pela busca irrestrita por soberania, segurança e controle.

TAGS:opinião
Por Paulo Lima CEO da Skynova
CEO da Skynova, empresa destaque em serviços de e-mail corporativo, cloud computing e segurança digital.
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