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Leitura: O que o Rio Grande do Sul pode aprender com China e Estados Unidos para atrair investimentos em semicondutores
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O que o Rio Grande do Sul pode aprender com China e Estados Unidos para atrair investimentos em semicondutores

da redação.
Última atualização: 18/06/2026 17:46
da redação.
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Debate no SemiCon-LAC 2026 reúne experiências internacionais e reforça potencial do estado para ocupar espaço em mercado que deve ultrapassar US$ 1 trilhão na próxima década.Foto: Maurício Porton.
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A corrida global por investimentos em semicondutores está redesenhando cadeias produtivas, políticas industriais e estratégias de desenvolvimento tecnológico em diferentes partes do mundo. Em meio a esse cenário, experiências apresentadas por especialistas dos Estados Unidos, China, União Europeia e Coreia do Sul durante o SemiCon-LAC 2026, realizado no Tecnopuc – Parque Científico e Tecnológico da PUCRS, em Porto Alegre, apontam caminhos que podem servir de referência para o Rio Grande do Sul ampliar sua participação em um dos mercados mais estratégicos da economia global.

O tema foi debatido durante o painel “Modelos globais de ecossistemas para a indústria de SemiCon”, que abriu a programação do segundo dia do evento. Entre os exemplos apresentados, chamou atenção o caso do estado do Arizona, nos Estados Unidos, que acumula mais de US$ 200 bilhões em investimentos anunciados para a indústria de semicondutores e consolidou a região de Phoenix como um dos principais polos tecnológicos do país.

Segundo Krishna Muralidharan, da University of Arizona e do Arizona Tech Park, a combinação entre universidades fortes, formação de talentos e ambiente favorável aos negócios foi determinante para esse crescimento. 

Já a experiência chinesa mostrou como a articulação entre indústria, mercado e cooperação internacional pode impulsionar o desenvolvimento do setor. Zhao Xueyi, representante da China Semiconductor Industry Association (CSIA), destacou que o mercado global de semicondutores atingiu quase US$ 800 bilhões em vendas em 2025, impulsionado principalmente pelo avanço da Inteligência Artificial.

Para o Rio Grande do Sul, as experiências internacionais reforçam uma estratégia que já vem sendo construída há décadas. O estado concentra parte importante da capacidade brasileira em microeletrônica, design e encapsulamento de semicondutores, além de reunir universidades, centros de pesquisa e empresas especializadas que formam um dos ecossistemas mais consolidados do país.

Chair do SemiCon-LAC 2026, Adão Villaverde, avalia que a reorganização da cadeia global cria uma oportunidade histórica para regiões capazes de combinar conhecimento, inovação e ambiente de negócios.

“O Rio Grande do Sul já possui expertise e capacidade instalada em áreas estratégicas da cadeia de semicondutores. Nosso desafio é transformar essa base em novos negócios, investimentos e protagonismo internacional”, afirmou.

O debate também evidenciou que a disputa por investimentos não ocorre apenas entre países, mas entre ecossistemas capazes de oferecer condições para o desenvolvimento da indústria. Questões como disponibilidade de talentos, infraestrutura tecnológica, políticas públicas e capacidade de articulação regional aparecem como fatores decisivos para atrair novos empreendimentos.

Presidente da InvestRS, Rafael Prikladnicki destaca que o momento é de posicionar o Rio Grande do Sul dentro de uma estratégia mais ampla para a América Latina e o Caribe. “Precisamos discutir qual papel queremos ocupar nos próximos dez anos e como a região pode se apresentar ao mundo como um ecossistema competitivo. Os investimentos procuram segurança, mas também políticas estruturadas e uma visão clara de desenvolvimento”, detalhou.

Segundo ele, iniciativas como o SemiCon-LAC ajudam a fortalecer a conexão do estado com os principais polos globais da indústria e ampliam a visibilidade das capacidades já instaladas no Rio Grande do Sul. “O fato de sediarmos o primeiro evento latino-americano voltado exclusivamente para esse setor demonstra o apetite que temos para participar desse mercado e atrair uma parcela desses investimentos para o estado”, completou.

Para os organizadores do SemiCon-LAC 2026, a principal lição é que a América Latina precisa atuar de forma articulada para aproveitar a oportunidade criada pela reconfiguração global das cadeias produtivas. E, dentro desse cenário, o Rio Grande do Sul surge como um dos candidatos naturais a liderar esse movimento na região, apoiado por uma trajetória construída ao longo de décadas em microeletrônica, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico.

O SemiCon-LAC 2026 é organizado pelo Tecnopuc e coorganizado pela SICT – Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, com patrocínio Badesul Desenvolvimento, BRDE – Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, FINEP e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e Vero; apoio FAPERGS – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul, Invest RS e Secretaria de Desenvolvimento Econômico do RS, Sistema FIERGS e SEBRAE RS; e apoio institucional de Abinee – Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, Associação Brasileira Da Indústria De Semicondutores – Abisemi, CADIEEL – Cámara Argentina de Industrias Electrónicas, Electromecánicas y Luminotécnicas, Sociedade Brasileira de Computação – SBC, Sociedade Brasileira de Microeletrônica (SBMicro), Parque UFRGS e Tecnosinos. A hospedagem oficial é da rede Master Hotéis.

TAGS:tecnologia
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