A ideia de escrever um livro surgiu em 2024. Logo que comecei a estruturar os primeiros capítulos, descobri que estava grávida.
O que veio depois foi uma experiência muito mais difícil do que eu imaginava: uma gravidez gemelar de risco, a perda de um dos embriões e, posteriormente, um aborto retido após quinze semanas de gestação. Seguiu-se um período de luto, silêncio e interrupção. O livro perdeu sentido, junto com muitas outras coisas.
A experiência de engravidar, mesmo atravessada pela perda, me deu uma certeza que eu não tinha antes: eu queria ser mãe. Decidi investir energia em um processo de fertilização in vitro. Entre exames, hormônios e mudanças de rotina, conseguimos formar três embriões saudáveis.
A primeira transferência não deu certo. Veio um beta hCG negativo e, com ele, o medo de tentar novamente. Decidi dar uma pausa.
Na segunda transferência, deu certo. Mas eu estava tão assustada que esperei o morfológico do primeiro trimestre para contar a notícia. Precisava acreditar que, dessa vez, a gravidez seguiria adiante.
Quando essa segurança chegou, algo mudou também na escrita. Retomei o manuscrito de “Saúde Mental é Inegociável” em outubro daquele ano, depois de anunciar publicamente a gravidez no Vittude Awards. Em poucos meses, o livro estava concluído e em revisão na editora.
Hoje, olhando para trás, percebo que não foi coincidência: o livro foi lançado em março e a Lara nasceu em abril. Foram dois nascimentos muito próximos. Duas formas de deixar algo no mundo que vai além de mim.
Por que escrever esse livro
Vivemos no país mais ansioso do mundo. Ano após ano, batemos recordes de afastamentos por transtornos mentais. Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos relacionados à saúde mental.
Com a atualização da NR-1 já em vigor, senti falta de um conteúdo realmente útil para líderes empresariais. Não um manual genérico, mas um guia construído a partir da experiência prática com grandes organizações.
A Vittude completou dez anos em 2026. Ao longo dessa trajetória, atendemos mais de 200 empresas e mapeamos a saúde mental de mais de 170 mil trabalhadores em setores como varejo, indústria, tecnologia, energia e serviços.
Esse repertório não podia ficar apenas na minha cabeça. Precisava se transformar em conhecimento acessível.
O Método VITAL
No centro do livro está o Método VITAL, um framework criado para ajudar empresas a transformar saúde mental em uma agenda estratégica e mensurável. O nome Vittude, inclusive, nasce das palavras VITAL e SAÚDE.
O método parte de uma pergunta simples: como sair do discurso e entrar na prática? Ele organiza a jornada em cinco etapas: verificar, idealizar, testar, amadurecer e liderar. A lógica é simples: diagnosticar antes de agir, testar antes de escalar e integrar a saúde mental à cultura e à estratégia do negócio.
Ao longo dos anos, aprendi que muitas empresas fracassam porque tentam começar pela última etapa. Querem comunicar compromisso antes de construir estrutura. O VITAL existe justamente para evitar esses atalhos.
Escrever este livro também foi uma forma de deixar um legado para minha filha. Quero que a Lara cresça sabendo que mulheres podem construir empresas, liderar transformações e produzir conhecimento, mesmo quando a vida impõe obstáculos difíceis.
Mais do que uma história pessoal, representa uma convicção: saúde mental não é luxo, benefício ou tendência.
É inegociável.

