Não é incomum vermos notícias que apontam que o brasileiro é um dos povos que mais adota rapidamente novas tecnologias no mundo. Uma pesquisa da PwC, por exemplo, mostrou que no Brasil 71% dos profissionais usaram IA ao menos uma vez nos últimos 12 meses, sendo que a média global só chega a 54%. De acordo André Sih, Founder & Managing Partner da Fu2re, startup especializada em soluções de IA e visão computacional para os setores de energia, óleo e gás, o país tende a abraçar o novo muito rápido, mas também é diverso e tem empresas mais conservadores no mercado. Para o especialista, há vantagens e desvantagens em seguir ambos os perfis de liderança, e o importante mesmo é aprender com ambos.
Frequentemente novas tecnologias surgem para transformar completamente o mercado, e estar atento a elas é importante para qualquer empreendedor ou líder empresarial. É o que aconteceu recentemente com a IA generativa, que no futuro ainda terá muitos desdobramentos. Já a velocidade de adoção dessas tecnologias depende muito mais do perfil da empresa como gestora de seus recursos do que da tecnologia em si.
“Muitos líderes sabem quando estão diante de uma inovação importante, mas nem todos vão abraçá-la de imediato, e talvez nem devam. Tudo depende”, aponta Sih. As empresas que tendem a adotar essas novas ferramentas o quanto antes são comumente chamadas de early-adopters, e esse é um perfil muito claro de empreendedorismo nacional. Já aquelas que buscam maior segurança antes de abraçar o novo, são conhecidas por serem mais conservadoras.
“Uma early-adopter basicamente quer sair na frente. Querem desbravar e ganhar vantagens competitivas antes que novas tecnologias se tornem populares. Querem ser a referência do mercado, um destaque que tem a ver com o pioneirismo frente à concorrência”, explica Sih. “Já uma empresa conservadora prefere ter mais dados, observar como o mercado reage e como podem se adequar ao novo de forma mais lapidada. Isso não quer dizer que eles levam anos para abraçar o novo e não sejam inovadores, mas indica que seu ritmo é um pouco mais desacelerado, e isso tem muito a ver com tradição empresarial e o impacto em negócios mais antigos”.
O especialista aponta que isso tem a ver com uma visão de gestão, mas também com preocupações, como o impacto da mudança nos clientes, adaptações na infraestrutura atual e tecnologia legada da empresa, do uso de metodologias ágeis, do perfil dos colaboradores, entre muitos outros fatores.
“Não existe um perfil melhor do que o outro. O sucesso dependerá da estratégia da empresa em sua atuação no mercado, e verdadeiramente, ambos os perfis têm vantagens e desvantagens claras que podem ser exploradas e podem inspirar ambos os modelos de gestão”. Ele indica esses pontos a seguir.
Early-adopter vantagens:
- Captura de mercado: permite conquistar clientes insatisfeitos com as soluções atuais antes que os seus concorrentes adquiram a nova tecnologia;
- Definição de padrões: a empresa pioneira ajuda a ditar as regras, os preços e as expectativas do mercado, formulando um modelo que será seguido, posteriormente, pelas empresas tradicionais;
- Otimização de processos: enquanto os concorrentes ainda usam métodos mais antigos, o early-adopter já roda uma operação mais ágil;
- Autoridade de mercado: a marca passa a ser vista pelo público e pela mídia como inovadora, visionária e líder.
Early-adopter desvantagens:
- Investimento em P&D: testar novas tecnologias exige destinar capital em pesquisa, desenvolvimento e contratação de mão de obra especializada;
- Ferramentas imaturas: tecnologias recém-lançadas podem estar sujeitas a bugs, desafios no sistema e falta de suporte técnico adequado;
- Esforço de vendas: se a inovação for voltada para o cliente final, a empresa precisará gastar certo tempo e dinheiro para criar demanda pelo produto;
- Curva de aprendizado: o processo de integração da nova tecnologia ao cotidiano dos colaboradores pode levar tempo para adequação.
Conservadoras – vantagens:
- Economia em pesquisa: a empresa que é mais conservadora investe diretamente no que já se provou funcional, descartando algumas tentativas e erros;
- Mercado familiarizado: o público já está mais familiarizado com a tecnologia nova, e assim consegue ver o diferencial na solução da empresa;
- Eficiência operacional: a empresa foca em produzir mais rápido, distribuir melhor e vender mais barato.
Conservadoras – desvantagens:
- Desvantagem competitiva: perdem mercado e clientes para concorrentes que se modernizaram e otimizaram custos antes;
- Dependência tecnológica: ficam reféns dos padrões de mercado ditados e controlados pelos pioneiros do setor;
- Cultura estagnada: desenvolvem uma cultura corporativa lenta.
“A verdade é que há riscos em ambos os casos, assim como há vantagens claras. O ideal sempre é buscar balancear esses olhares. Uma solução viável é o trabalho com projetos piloto e estratégias claras. Se manter atualizado e à par das novas tecnologias é essencial, pois a inovação nasce de rotinas e ações pequenas e cotidianas. Olhar as possibilidades em uma nova tecnologia não é uma tarefa de sorte, risco ou adoção irresponsável, é a construção de uma estratégia com pensamento crítico habituado a inovar como processo e não como solução milagrosa”, finaliza Sih.
Sobre a Fu2re
A Fu2re é especializada em soluções de inteligência artificial que transformam operações e otimizam processos nas indústrias de energia, saneamento, óleo e gás. Primeira startup acelerada pela NVIDIA no Brasil, com uma equipe altamente qualificada, desenvolve tecnologias de ponta, como o SmartVision AI, uma plataforma no-code que combina visão computacional e IA e permite novos treinamentos e/ou atualizações rápidas nos modelos de inteligência artificial. Tendo recebido, em 2025, o aporte da Copel Ventures (gerido pela Vox Capital) e Indicator Capital, gestora early-stage de venture capital líder em deep-tech, a Fu2re se destaca por entregar resultados mensuráveis e assertivos, atendendo às necessidades específicas de grandes empresas. Ocupa o primeiro lugar no Energy Summit MIT e está na lista dos 100 Mais Influentes de Energia 2025, consolidando-se como referência em inovação e transformação digital.

