O modelo tradicional de shopping center, baseado na locação de espaços físicos e geração de fluxo, está abrindo espaço para uma lógica mais complexa, de plataformas integradas a dados e experiência. No Sul do Brasil, a Almeida Junior se posiciona na vanguarda dessa transformação ao estruturar um ecossistema digital proprietário capaz de acompanhar e influenciar toda a jornada do consumidor antes, durante e após a visita física, consolidando o shopping como um ecossistema digital integrado.
O movimento apresenta resultados positivos. Clientes cadastrados em programas de fidelidade da Almeida Junior, por exemplo, apresentam ticket médio até sete vezes maior, enquanto o aplicativo da rede já concentra 85% das adesões às campanhas promocionais. Ações recentes mostram o potencial da abordagem. “Na ação de Natal de 2025, mais de 1/4 das compras realizadas nos shoppings foram identificadas via app, gerando uma base para personalização de campanhas e aumento de conversão”, afirma o gerente corporativo de Marketing da Almeida Junior, Douglas Heinzen.
O impacto também aparece nas vendas. “Durante a Black Friday de 2025, enquanto o varejo nacional registrava retração, crescemos 2,6% em vendas, impulsionadas por campanhas hiperpersonalizadas baseadas em dados individuais de consumo”, completa.
Com 71% de market share do estado e mais de 35 milhões de visitantes por ano, o que equivale a quatro vezes a população de Santa Catarina, o grupo entendeu que um dos seus principais ativos são os dados gerados a partir do comportamento desse público. Com isso, passou a investir em soluções que conectam os ambientes físico e digital em uma experiência personalizada.
O shopping como plataforma
A companhia transforma tráfego em audiência qualificada. Para isso, desenvolveu um ecossistema que integra CRM (Customer Relationship Management), mídia proprietária e soluções phygital, conceito que une o físico e o digital sem rupturas na jornada.
Um dos pilares dessa estrutura é o AJFans, superapp que conecta os seis shoppings da rede em uma única plataforma de relacionamento. O aplicativo funciona como um programa de fidelidade estruturado para captura de dados comportamentais, permitindo mapear hábitos de consumo e ticket médio dos clientes, e beneficiando o cliente com prêmios, cupons e experiências personalizadas em troca.
Dentro do aplicativo, a rede lançou recentemente o seu gift card digital integrado ao ecossistema, que mantém o valor transacionado dentro dos shoppings, gerando receita antecipada para a companhia e liquidez para os lojistas, num modelo que usa blockchain e é facilitado para lojistas e clientes.
Por meio dessas ações, o app foi capaz de reunir dados que revelam tendências comportamentais de seus clientes. De acordo com Douglas, a rede foi capaz de perceber uma mudança drástica no perfil dos visitantes. “Em três anos, a qualificação do público disparou: a base de usuários com iPhones saltou de 21% em 2022 para 43% em 2025. Esse nível de detalhamento permite que o grupo explore comercialmente todas as suas propriedades , além de entregar audiência qualificada para marcas, operando como uma plataforma de mídia proprietária”.
A transformação liderada pela Almeida Junior mostra o shopping como uma plataforma de relacionamento contínuo, monetização de audiência e geração de inteligência de mercado. Captação de dados e a diversificação de receitas passam a ser tão estratégicas quanto o mix de lojas. O resultado é um modelo escalável, alinhado às expectativas de um consumidor mais conectado.
Douglas destaca que, “ao estruturar uma arquitetura baseada em dados, mídia e tecnologia, transformamos o shopping center em um agente ativo na jornada do consumidor, capaz de responder à demanda e influenciá-la”.

