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Leitura: Ao evitar o descarte de 7,5 mil toneladas de alimentos, Food To Save transforma desperdício em receita
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Ao evitar o descarte de 7,5 mil toneladas de alimentos, Food To Save transforma desperdício em receita

Pedro Barbosa
Última atualização: 29/04/2026 13:57
Pedro Barbosa - editor
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Startup aposta em modelo que conecta estabelecimentos e consumidores para gerar impacto positivo e ampliar a sustentabilidade no setor de alimentos. | Foto: Divulgação.

O desperdício de alimentos é um problema silencioso, e caro. No Brasil, enquanto milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar, toneladas de comida ainda são descartadas diariamente por falhas na cadeia de consumo. Foi diante desse cenário que nasceu a Food To Save, app número 1 no combate ao desperdício de alimentos no Brasil, que já evitou o desperdício de mais de 7,5 mil toneladas de comida. Por meio de uma plataforma que conecta estabelecimentos parceiros a consumidores engajados em comprar com desconto, a foodtech vem redefinindo a relação entre consumo, economia circular e impacto ambiental positivo.

conteúdos
O timing da Pandemia de Covid-19Sustentabilidade ainda não lidera a decisãoCrescimento com foco em eficiênciaO papel das grandes marcasUm convite ao mercadoSaiba mais

O modelo de negócio funciona da seguinte maneira: excedentes de produção, itens próximos da data de validade ou com pequenas imperfeições estéticas são vendidos em Sacolas Surpresa, com descontos de até 70%. Pelo aplicativo, o consumidor faz o pedido e pode escolher entre retirar em um estabelecimento parceiro, incluindo marcas como Kopenhagen, Grupo Pão de Açúcar, Extra e St Marche; no Food Market ou ainda receber os produtos em casa por meio de delivery.

De acordo com o cofundador e CEO da Food To Save, Lucas Infante, a ideia surgiu a partir de uma experiência prática, quando vivia na Espanha e decidiu empreender no setor alimentício pela primeira vez, ao abrir uma franquia de supermercado em Málaga. Foi ali, lidando diretamente com a operação, que o impacto do desperdício deixou de ser um conceito abstrato. “Eu já tinha um incômodo com o tema, mas quando você sente no bolso, muda completamente. Eu via produtos bons sendo descartados no fim do dia”, recorda.

A partir desse inconformismo, Infante passou a estudar o problema globalmente, analisando soluções na Europa, Ásia e Estados Unidos. Ao olhar para o Brasil, encontrou um cenário paradoxal: um problema de grandes proporções, mas ainda pouco explorado por soluções estruturadas. “Quando olhei para o Brasil, vi que existia uma oportunidade enorme. O tamanho do problema é tão grande que não é uma única solução que vai resolver. Mas, naquele momento, nenhuma me chamou atenção como algo realmente escalável”.

SAIBA MAIS: Food To Save expande rede de parceiros e chega a novas regiões.

O timing da Pandemia de Covid-19

A Food To Save foi lançada em 2021, em plena Pandemia de Covid-19, e começou de forma simples. Antes mesmo de ter um aplicativo, a startup validou seu modelo vendendo ‘sacolas surpresa’ com excedentes de alimentos por meio de stories no Instagram. A lógica era direta: estabelecimentos disponibilizam produtos próximos do vencimento ou fora do padrão comercial por preços reduzidos, enquanto consumidores compram essas sacolas sem saber exatamente o que vão receber, mas com a garantia de economia. “O nosso foco desde o início era tornar o processo simples para o estabelecimento. Se ele enxergasse valor, a gente sabia que o consumidor também veria”, explica Infante.

Após os primeiros testes, a empresa evoluiu para um site e, quase um ano depois, lançou a primeira versão do aplicativo. A validação veio com o engajamento dos usuários, a recorrência de compras e o aumento da adesão de parceiros.

O contexto da Pandemia acabou acelerando a adoção do modelo. Com salões vazios e mudanças bruscas no consumo, muitos estabelecimentos passaram a enfrentar ainda mais dificuldade para gerenciar estoques. “A dor do desperdício já existia, mas ela se intensificou. Mesmo com o crescimento do delivery, muitos negócios ainda estavam aprendendo a operar nesse novo cenário”, diz Infante.

Nesse contexto, a proposta da Food To Save se mostrou especialmente relevante: permitir que empresas recuperassem parte da receita de produtos que, de outra forma, seriam descartados.

Sustentabilidade ainda não lidera a decisão

Além do impacto ambiental com a redução significativa na emissão de gases de efeito estufa – a Food To Save já evitou que mais de 19 mil toneladas de CO² fossem emitidas -, o modelo de negócio também promove inclusão social, ao democratizar o acesso a alimentos de qualidade a preços mais acessíveis.  A startup acredita que essa combinação será fundamental para atingir uma meta ambiciosa: dobrar, até 2026, o impacto positivo registrado em 2025, além de ampliar sua presença em novas cidades brasileiras e fortalecer parcerias estratégicas com grandes redes de varejo.

Apesar do impacto ambiental positivo, Infante é direto ao falar sobre o que realmente move o mercado. “Sem hipocrisia: o estabelecimento quer recuperar dinheiro. A sustentabilidade ainda não é o principal driver”. Segundo ele, esse comportamento é compreensível em um setor com margens apertadas e alta carga tributária. Ainda assim, há um movimento gradual de mudança.

Do lado do consumidor, o cenário é semelhante. O principal atrativo segue sendo o preço, mas a empresa busca ampliar a percepção de valor. “A gente brinca que dentro da sacola vai um combo: acesso, desconto e responsabilidade. A pessoa economiza, mas também entende que está evitando desperdício”, explica o cofundador e CEO da Food To Save.

Nosso papel não é só vender sacolas. É ajudar a reeducar a sociedade para um consumo mais responsável.

Cofundador e CEO da Food To Save, Lucas Infante.
Cofundador e CEO da Food To Save, Lucas Infante. | Foto: Jefferson Alcântara.

Crescimento com foco em eficiência

Atualmente presente em 14 capitais brasileiras, a Food To Save entra em uma nova fase de crescimento, com foco em eficiência operacional e densidade geográfica. Com isso, a foodtech começou a intensificar a atuação no mercado B2B. Atualmente, já conta com uma rede de mais de 10 mil parceiros em todo o país, entre supermercados, padarias, restaurantes e redes hoteleiras.

Após um período de expansão territorial, a estratégia agora é fortalecer a presença nas regiões onde já atua, ampliando a oferta de estabelecimentos parceiros e, consequentemente, a disponibilidade de produtos para os consumidores. “A gente quer fazer mais com a estrutura atual. Quanto mais oferta qualificada, mais atrativa fica a plataforma para quem compra”, diz Infante.

Mais do que um modelo de negócio, a Food To Save se posiciona como parte de um movimento maior de transformação no consumo alimentar. Infante destaca que o Brasil vive um contraste evidente: ao mesmo tempo em que há abundância de alimentos, milhões de pessoas ainda passam fome. “O país é capaz de produzir, mas não consegue distribuir de forma eficiente. Existe uma desconexão entre excesso e escassez”. Nesse cenário, a startup busca atuar não apenas como intermediária, mas como agente de mudança de comportamento.

O papel das grandes marcas

A adesão de grandes redes do varejo alimentar também tem sido fundamental para o avanço do modelo. Segundo Infante, quando marcas consolidadas passam a integrar a plataforma, isso gera um efeito de confiança no mercado. “Grandes nomes trazem credibilidade e ajudam a acelerar esse movimento”.

A expectativa é que essa combinação de incentivo econômico, impacto ambiental e mudança cultural contribua para consolidar o combate ao desperdício como uma prática cada vez mais comum no país.

Um convite ao mercado

O recado do empreendedor é direto: mais do que esperar por soluções perfeitas, empresas precisam dar o primeiro passo. “Problemas sempre vão existir e prioridades também. Mas quando a gente fala de um país que ainda passa fome, qualquer avanço já gera impacto”, afirma cofundador e CEO da Food to Save.

Para ele, a transformação do cenário depende de consistência e tempo, mas começa com decisões simples. “Dar um voto de confiança já faz uma diferença enorme. É assim que a gente começa a mudar hábitos e construir algo maior”.

Saiba mais

A Food To Save é uma foodtech sustentável, que nasceu para revolucionar o desperdício de alimentos no Brasil. Por meio de um aplicativo, atua como um elo entre estabelecimentos que possuem excedentes de produção e clientes engajados com o consumo consciente. Com mais de 5,3 mil toneladas de alimentos salvos e mais de 5,3 milhões de Sacolas Surpresa resgatadas em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Campo Grande, Vitória, Cuiabá, Fortaleza e Recife, a empresa mostra importante valor para enfrentar os problemas ambientais, sociais e econômicos que o país vive. Mais do que contribuir para um planeta mais sustentável, a startup engaja e empodera pessoas a reverem seus hábitos alimentares, lutando contra o desperdício de alimentos. A startup ajudou a evitar também a emissão de mais de 13 mil toneladas de CO² na atmosfera.

A Food To Save é também responsável pelo Food Market, sua solução para salvar o excedente de produção das grandes indústrias, e a Fruta Imperfeita, que conecta pequenos e médios produtores com alimentos imperfeitos diretamente aos consumidores por meio de assinaturas semanais. A empresa conta com mais de 6.5 milhões de usuários cadastrados no app e 384 mil seguidores no Instagram e foi ainda classificada como uma das melhores empresas para trabalhar em 2024 e 2025, segundo rankings da Great Place to Work. A foodtech está entre os 6 aplicativos mais baixados no Brasil, foi finalista na categoria Alimentos – Delivery do Prêmio Reclame Aqui 2023 e 2024 e está também entre as empresas selecionadas na segunda edição do Ranking EXAME Negócios em Expansão, na categoria Novatas. Em 2024, a foodtech recebeu selo do Sistema B, reforçando seu compromisso com a sustentabilidade e, em 2025, passou a integrar a Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas (ONU).

TAGS:sustentabilidade
Por Pedro Barbosa editor
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Jornalista e Mestre em Comunicação, ambos pela Unisinos. Possui pós-graduação - MBA em Design Digital e Branding e pós-graduação em Gestão da Tecnologia da Informação, ambos pela Uninter. Já atuou no setor público e privado, tendo trabalhado no governo do Estado do Rio Grande do Sul, com deputados estaduais, federais, no Jornal NH e no Parque Tecnológico São Leopoldo - Tecnosinos.
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