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Cultura não é soft

Juliana Lazuta
Última atualização: 07/07/2025 14:08
Juliana Lazuta - Head de Cultura na Agência Bistrô
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A cultura de uma empresa não é o que ela diz. É o que ela permite.

É o que ela silencia. É o que ela repete.

É o que ela ensina, mesmo sem dizer.

Você já viu uma estratégia brilhante naufragar antes mesmo de sair do papel?

Já presenciou uma empresa com ótimos planejamentos que não se sustentam no dia a dia?

Esses cenários raramente acontecem por falta de talento ou boas intenções. Muitas vezes, o que está por trás do descompasso é um elemento invisível, mas determinante: a cultura.

Cultura não é detalhe. É estrutura invisível. Durante muito tempo, foi tratada como algo “soft”, um complemento que vinha depois. No brinde, no mural colorido, no RH.

Mas cultura não é cenário. É sistema.

Ela molda decisões, relações e prioridades. Está presente no onboarding, claro, no que se diz aos novos talentos, mas principalmente no que eles observam nos primeiros dias.

Cultura vive na prática: quem lidera reuniões, como o erro é tratado, quem é promovido e por que.

A estrategista Ana Couto resume bem:

“Cultura é o que sustenta a marca”.

E a escritora Erin Meyer complementa:

“A forma como as pessoas pensam, lideram e tomam decisões dentro das empresas é diretamente moldada pela cultura que as cerca”.

No mundo pós-pandemia, com o trabalho remoto e os modelos híbridos, a cultura se tornou o elo que conecta equipes dispersas e orienta comportamentos mesmo à distância.

Investidores e consumidores estão cada vez mais atentos ao alinhamento entre discurso e prática. Principalmente quando o assunto é diversidade, ESG ou ética.

Quem trata a cultura como base estratégica sai na frente: gera confiança, atrai diversidade e constrói reputação de dentro pra fora

A Natura é um exemplo emblemático de como a cultura, quando alinhada aos valores corporativos, impacta resultados concretos. Com um compromisso claro com diversidade e sustentabilidade, a empresa implementou práticas que vão além do discurso. Políticas inclusivas, desenvolvimento de lideranças diversas e transparência nos processos são algumas delas.

O resultado? Maior engajamento dos colaboradores, reconhecimento internacional em rankings de sustentabilidade e crescimento consistente no mercado. Cultura coerente é diferencial competitivo.

Você pode ter metas ambiciosas. ESG, inovação, crescimento. Mas se os comportamentos valorizados no dia a dia não estiverem alinhados a essas metas, elas não saem do papel.

Exemplos não faltam:

  • Empresas que pregam “diversidade”, mas mantêm sempre as mesmas vozes nas decisões.
  • Marcas que defendem “inovação”, mas punem quem ousa e erra.
  • Organizações que escrevem “transparência” nas paredes, mas tratam salário como tabu.

Nenhum valor se sustenta sem coerência.

A cultura educa a sensibilidade. No olhar, na escuta e nas escolhas do cotidiano.

Na Agência Bistrô, onde atuo, diversidade não é valor decorativo nem página no manual institucional. É prática viva. Nossa equipe reúne olhares múltiplos que impactam diretamente a qualidade das estratégias que entregamos.

Recentemente, fomos premiados com o primeiro lugar no ranking Diversidades do GPTW, na categoria LGBTQIA +. Esse reconhecimento reforça nosso compromisso real e contínuo com a inclusão e com uma cultura plural.

Essa diversidade, presente no nosso processo criativo e decisório, ampliou nossa inteligência coletiva. E isso tem sido reconhecido pelo mercado.

Quando a cultura é coerente com o discurso, os ganhos vão além da reputação. São estratégicos.

Cultura estratégica não é abstrata. Ela se manifesta nas rotinas, nas lideranças, nas microdecisões do dia a dia. Empresas que entendem cultura como estrutura são mais consistentes, confiáveis e adaptáveis. Não por serem agradáveis, mas por saberem quem são. E quem não são.

Essa clareza fortalece vínculos, orienta decisões difíceis e constrói reputação de dentro para fora. E, para isso, pesquisas de clima organizacional são fundamentais. Elas oferecem insights concretos sobre o que funciona, o que gera desconforto e onde agir para alinhar comportamentos e valores.

Como colunista de opinião do starten.tech, quero abrir conversas reais sobre o que sustenta organizações vivas por dentro. Cultura não é acessório. Não é post bonito no LinkedIn. Não é frase na parede.

Cultura é escolha. É prática. É estrutura.

E na sua empresa,

o que tem sido repetido, mesmo sem perceber?

TAGS:cultura
Por Juliana Lazuta Head de Cultura na Agência Bistrô
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Head de Cultura e Atendimento com mais de 10 anos de experiência em comunicação, especializada em transformar negócios a partir da cultura organizacional. Multiplicadora do Sistema B e defensora de práticas ESG, acredita que uma cultura sólida e alinhada com propósito é a chave para a inovação e o sucesso dos negócios. Compartilha como empresas podem criar ambientes mais humanos e impactantes através da cultura.
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