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Leitura: O legado completo de Belém: entre o amargo consenso e a doce esperança social
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O legado completo de Belém: entre o amargo consenso e a doce esperança social

Rossana Parizotto
Última atualização: 25/11/2025 17:12
Rossana Parizotto - Administradora, doutora em Administração pela Unisinos e pós-doutoranda pela PUCRS. Fundadora da PeopleESG.
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A COP30 em Belém do Pará se encerrou, deixando para trás não apenas o calor amazônico, mas uma complexa tapeçaria de conquistas e frustrações. Longe de ser um evento homogêneo, a Conferência se revelou um paradoxo: enquanto os negociadores teimavam em manter a cautela, a sociedade civil e a própria cidade de Belém criavam uma narrativa de esperança e inclusão que redefiniu o que significa o sucesso em um encontro climático.

Se houve um ponto de irrefutável otimismo, ele reside na revolução social e inclusiva que emergiu da Amazônia. Belém não foi apenas a sede; ela se tornou o palco onde a justiça climática finalmente recebeu o peso de sua urgência. O marco mais significativo, e que deve ser celebrado como um legado permanente, é a inclusão inédita do termo “afrodescendente” nos documentos finais da Conferência. Esta não é uma mera formalidade linguística, mas o reconhecimento oficial de que as populações negras são desproporcionalmente afetadas pelo racismo ambiental e que a mitigação passa obrigatoriamente pela reparação histórica e pela equidade.

Essa vitória da inclusão foi potencializada pela força da sociedade civil. O Brasil demonstrou seu protagonismo não apenas na diplomacia, mas na capacidade de gerar soluções sociais. A proposta de um Plano Internacional de Saúde baseado nos princípios do SUS ecoou fortemente nos corredores. Embora esta ideia, que faria do nosso Sistema Único de Saúde uma referência global para a adaptação de comunidades vulneráveis aos impactos climáticos, não tenha sido incorporada à carta final, sua mera menção elevou a saúde pública a uma dimensão de segurança climática global. A Amazônia mostrou que o caminho para salvar o planeta é inseparável da dignidade humana.

É inegável que a alegria e o entusiasmo de Belém em receber o mundo impuseram desafios logísticos. A cidade, tomada por uma energia contagiante, acabou dispersando o foco. A proliferação de zonas paralelas, fora das principais Green e Blue Zones, embora reflexo de uma sociedade civil vibrante, complicou a vida dos delegados. O resultado foi uma dispersão que dificultou a participação e o engajamento concentrado.

Adicionalmente, a crítica ao longo tempo de deslocamento entre os diferentes pontos da Conferência se tornou um fator de desgaste. Esses problemas operacionais, contudo, devem ser vistos como o custo de um sucesso de mobilização: a cidade inteira se transformou em palco, e cada cidadão se sentiu parte do evento.

Apesar do fervor e do avanço social, a COP30 não conseguiu escapar do cinismo que frequentemente paralisa as grandes potências. O lado amargo do legado reside na persistente insuficiência política e financeira. O principal ponto de atrito foi a incapacidade de traçar um roteiro claro e vinculante para a superação dos combustíveis fósseis e a insuficiência do financiamento climático.

A ciência exige um abandono progressivo, mas os interesses econômicos de nações produtoras prevaleceram, gerando uma frustração profunda entre ativistas e cientistas. A lacuna entre os trilhões de dólares anuais necessários para a adaptação em países em desenvolvimento e o financiamento global efetivamente prometido sublinha que, embora o Brasil tenha clamado por justiça climática, o Norte Global ainda hesita em assumir o custo da transição.

No entanto, o balanço final tende ao otimismo pragmático. A COP30 cumpriu sua missão maior: ela globalizou a Amazônia. Líderes e jornalistas de todo o mundo puderam sair das abstrações de gráficos de CO² e vivenciar a floresta, ouvir seus povos e entender que a solução não é apenas tecnológica, mas também baseada na natureza e na bioeconomia.

O evento de Belém nos deixa com a certeza de que a próxima fronteira da ação climática é a inclusão. O avanço em pautas como a dos afrodescendentes e o protagonismo dos povos tradicionais são a bússola para futuras COPs. Se o consenso diplomático foi lento e amargo, a força da sociedade civil foi doce e inegável, provando que o Brasil tem a capacidade de ser, simultaneamente, o guardião de um tesouro ecológico e o farol de uma nova ética de equidade global.

TAGS:COP30
Por Rossana Parizotto Administradora, doutora em Administração pela Unisinos e pós-doutoranda pela PUCRS. Fundadora da PeopleESG.
Administradora, doutora em Administração pela Unisinos e pós-doutoranda pela PUCRS. Com mais de 10 anos de experiência em Recursos Humanos e 6 anos dedicados à responsabilidade social corporativa, ela é fundadora da PeopleESG. Sua empresa promove a transformação por meio de tecnologias sociais e práticas de ESG, criando soluções que conectam organizações a um impacto socioambiental positivo, fortalecendo a responsabilidade social corporativa e impulsionando mudanças significativas no mercado e na sociedade.
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