O mercado corporativo tradicional está perdendo a guerra pela atenção. Enquanto marcas gigantes investem milhões em publicidade convencional para colher resultados medianos, organizações de eSports e criadores de conteúdo esgotam produtos em questão de minutos com uma única transmissão ao vivo. Foi observando esse abismo de engajamento que a Gramado Summit, um dos maiores eventos de inovação do Brasil, que ocorre de 6 a 8 de maio, em Gramado/RS, tomou uma decisão ousada: dar protagonismo à cultura pop com o Palco Geek.
A iniciativa não nasceu de um estalo, mas da constatação de que o universo gamer decodificou o futuro dos negócios muito antes do mercado tradicional. “Nós olhamos para a indústria de games faturando mais que o cinema e a música juntos, mas o que realmente nos fez bater o martelo foi uma percepção de comportamento”, revela o curador do Palco e CEO da Curadoria e Conteúdo, Rodrigo Selback. “O momento exato do nosso ‘insight’ aconteceu quando começamos a analisar o engajamento das novas gerações com as marcas tradicionais versus o engajamento deles com o universo gamer. Percebemos que os gamers decodificaram a economia da atenção e a construção de comunidades”.
Muito além do entretenimento: Um motor de ascensão social
Se engana quem pensa que o palco debaterá apenas tecnologia ou números bilionários. O coração do espaço focado em cultura geek é a profunda transformação humana que esse ecossistema promove. No Brasil, os games e a criação de conteúdo tornaram-se uma das ferramentas mais potentes de resgate social.
A narrativa do palco foge dos herdeiros de grandes corporações para dar luz a quem construiu negócios do zero. “O que mais me arrepia na curadoria desse palco é perceber que a cultura geek é, hoje, um dos maiores motores de ascensão social no Brasil”, nos conta Selback. “A história que mais me emociona é a jornada do jovem de periferia que começou jogando no celular com a tela trincada, usando o wi-fi do vizinho, e que hoje emprega dezenas de pessoas em sua própria organização de eSports. Essas pessoas aprenderam gestão, liderança, negociação e inglês por necessidade e imersão. Estamos falando de uma nova economia criativa que não pede currículo, pede entrega”.
Um esquadrão de gigantes no palco
Para materializar essa tese, os curadores Ali Silveira e Rodrigo Selback reuniram um verdadeiro esquadrão que une a indústria global, a força das comunidades e a vanguarda do audiovisual.
O palco contará com o peso corporativo de gigantes da indústria, representadas por executivos de liderança:
- Bruna Soares: Diretora de Global Brand Partnerships da Ubisoft, com mais de 15 anos de experiência e projetos que unem games a marcas como Coca-Cola e VISA.
- Juarez Fraga Junior: Líder de parcerias da Riot Games nas Américas, conectando marcas de forma autêntica ao fã no centro de eventos massivos como o CBLOL.
- Mauricio de Lima: Gerente de Desenvolvimento de Negócios da Oddin.gg, com forte histórico no ecossistema de torneios da Riot e Ubisoft.
O impacto comunitário, de inclusão e performance ganha vida com:
- Diogo Barbosa Gandra: Head of Business Development da FURIA, onde atua exatamente na intersecção entre paixão, impacto e negócios em uma das maiores organizações de e-sports do mundo.
- Amanda Abreu (AMD): Caster, ex-jogadora profissional e fundadora do Lótus Hub, iniciativa essencial para a inclusão de mulheres na indústria gamer.
Para falar sobre o poder hipnótico do audiovisual e da criação de conteúdo autêntico, o evento trará nomes que arrastam multidões:
- Criadores de impacto: GORDOX (Willian Moreira), um dos nomes mais carismáticos do streaming; Anderson “GAVETA”, premiado editor e fundador da Gaveta Filmes; e Isadora Basile, que há quase uma década constrói comunidades engajadas além das telas.
- Vanguarda e Entretenimento: A ponte com o audiovisual clássico será feita por Nelson Akira Sato e Victor Akira Sato, executivos da Sato Company (responsável por introduzir os animes no Brasil), e pela atriz Aline Dias, um dos grandes talentos da TV e do cinema nacional.
A lição universal: Pertencimento
A missão do Palco Geek na Gramado Summit é entregar um “choque de realidade” no empreendedor clássico que nunca segurou um joystick. O mercado corporativo está acostumado a focar apenas em vender produtos, enquanto o mercado geek é especialista em criar mundos dos quais as pessoas imploram para fazer parte.
A mensagem central do evento é um alerta claro para o futuro do relacionamento corporativo: “A lição universal que esse espaço vai deixar se resume a duas palavras: Comunidade e Pertencimento. Eu quero que o empresário olhe para os painéis e se pergunte: ‘Como eu faço o meu cliente ter pelo menos 10% do nível de lealdade e amor que um fã tem por essa franquia de jogos?’. No fim do dia, não importa se você vende software, café ou moda: se você não souber construir uma comunidade engajada, o seu negócio vai ficar para trás”, enfatiza Selback.

