O Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, sendo 518 mil casos anuais, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). No mesmo período, a estimativa é que haja 78 mil novos casos anuais de câncer de mama, doença que representa 30% dos casos de câncer entre mulheres no país. Diante do volume de exames de rastreamento, um dos desafios está em garantir que as mamografias sejam analisadas de forma adequada e dentro do tempo necessário. Por isso, soluções de inteligência artificial estão sendo utilizadas como apoio à triagem, identificando possíveis achados nas imagens e ajudando a indicar quais exames podem exigir atenção prioritária do radiologista.
A tecnologia funciona como uma camada adicional de análise. O algoritmo avalia a imagem e sinaliza alterações como massas, nódulos, calcificações e agrupamentos de microcalcificações pleomórficas, classificando os exames de acordo com diferentes níveis de criticidade. A solução desenvolvida pela HarpiAI é integrada ao visualizador de imagens médicas da healthtech Pixeon, que permite que os resultados da análise sejam apresentados ao médico dentro do fluxo de trabalho. Após o recebimento do exame, as informações ficam disponíveis em até cinco minutos, ajudando a organizar a fila e identificar os casos que demandam uma avaliação prioritária.
Em um estudo interno realizado em três clínicas, a incorporação da IA ao processo de conferência das mamografias resultou em uma redução média de aproximadamente 95% nas reconvocações de pacientes para uma nova avaliação. Em um dos serviços analisados, em Goiânia, a média era de cerca de oito reconvocações por mês. Após a implantação do fluxo com IA, foi registrada apenas uma reconvocação ao longo de seis meses.
Para além da triagem, a ferramenta automatiza etapas como mensurações, classificações e análise de estruturas, entregando essas informações previamente organizadas ao radiologista. Segundo a HarpiAI, os médicos relatam redução de 40% a 75% no tempo médio de análise e elaboração do laudo, considerando diferentes modalidades de exames. O resultado varia de acordo com a modalidade, a complexidade do estudo e a forma como a solução é incorporada ao fluxo de trabalho de cada serviço.
“A inteligência artificial entra como uma ferramenta de apoio ao radiologista, funcionando como uma segunda leitura e ajudando a organizar previamente informações importantes do exame. Na mamografia, isso também permite apoiar a equipe ainda durante a realização do exame, identificando situações que podem demandar uma avaliação adicional antes mesmo de a paciente deixar o serviço. Com isso, conseguimos reduzir etapas operacionais, diminuir reconvocações e dar mais agilidade ao fluxo, sempre mantendo a decisão diagnóstica sob responsabilidade do médico “, afirma o diretor comercial da HarpiAI, Daniel Vital.
No contexto do Outubro Rosa, a tecnologia contribui para tornar mais ágil o caminho entre a realização do exame e a avaliação médica. “Quando conseguimos usar a tecnologia para dar mais agilidade ao trabalho dos profissionais de saúde, o impacto chega a quem está do outro lado do exame. Em um cenário de rastreamento e diagnóstico do câncer de mama, ganhar tempo na análise pode significar um atendimento mais eficiente para o paciente”, afirma o co-CEO da Pixeon, Roberto Cruz.
Atualmente, cerca de 130 mil exames são processados por mês com a tecnologia, que está presente em aproximadamente 200 unidades de saúde, com mais de 120 clientes em 22 estados brasileiros. Além de aplicações para mamografia, a solução é utilizada em radiografias de tórax e musculoesqueléticas e em densitometria óssea. A empresa também está incorporando soluções de IA para tomografias de crânio, tórax e abdome, com lançamento previsto até o fim do ano.

