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Biometria facial avança no varejo brasileiro para autenticação de pagamentos e prevenção a fraudes

da redação.
Última atualização: 22/09/2026 18:43
da redação.
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Solução desenvolvida por startup catarinense já processa mais de 20 milhões de biometrias por ano e é utilizada pela Havan, rede nacional de varejo.Foto: Divulgação.
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O crescimento das transações digitais e o aumento das tentativas de fraude têm levado empresas do varejo a buscar novas formas de autenticação que combinem segurança e agilidade na experiência de compra. Nesse cenário, o reconhecimento facial começa a ganhar espaço como alternativa para validar a identidade de consumidores em pagamentos, cadastros e acessos a aplicativos. A tecnologia já é utilizada em diferentes setores, especialmente no sistema financeiro, onde bancos e instituições adotam biometria facial para confirmar a identidade de clientes antes de autorizar transferências, pagamentos ou alterações cadastrais. No varejo, no entanto, a aplicação ainda começa a ganhar escala. 

De olho nesse movimento, a startup catarinense Deconve desenvolveu o FaceMatch, solução voltada à validação de identidade e prevenção a fraudes em ambientes físicos e digitais. Embora o reconhecimento facial já seja utilizado no país, a proposta da empresa foi adaptar a tecnologia para a realidade operacional do varejo brasileiro, permitindo uma adoção mais simples em lojas físicas e operações de grande volume. 

“A solução captura a imagem do rosto no momento da compra ou do acesso ao serviço e realiza a verificação automática da identidade do usuário. Dependendo do cenário, essa comparação pode ser feita com um cadastro já existente ou utilizada para validar a identidade de novos clientes”, explica o CEO da Deconve, Rodrigo Tessari. 

Como a tecnologia funciona na prática?

Segundo a empresa, o sistema pode ser aplicado em diferentes etapas da jornada do consumidor, incluindo autenticação de pagamentos no ponto de venda, validação de identidade em aplicativos, processos de onboarding digital e abertura de crediário. “Uma das aplicações é a chamada documentoscopia digital no momento do cadastro, em que o reconhecimento facial confirma se a pessoa que está abrindo o crédito é realmente o titular dos documentos apresentados. A tecnologia também permite pagamentos por reconhecimento facial, nos quais o cliente apenas olha para a câmera para autorizar a compra, sem necessidade de senha ou cartão”, complementa Tessari. 

Para aumentar a segurança das validações, o FaceMatch incorpora mecanismos de prova de vida (liveness), capazes de identificar tentativas de fraude com fotos, vídeos ou máscaras. De acordo com a empresa, cerca de 90% das autenticações são aprovadas em menos de um segundo, permitindo que o processo aconteça sem interromper a experiência de compra. Atualmente, a solução possui processa mais de 2 milhões de autenticações por mês, o equivalente a mais de 20 milhões de biometrias por ano. 

O impacto da adoção de reconhecimento facial em grande escala

A Havan, uma das maiores varejistas do Brasil e com forte operação no sul do país, implementou a tecnologia da startup em sua rede para autenticação de pagamentos realizados com o cartão próprio da marca. “O Deconve FaceMatch é empregado para autenticar pagamentos por meio de reconhecimento facial em todas as nossas unidades, oferecendo alta assertividade e resposta rápida”, afirma o gerente de sistemas da companhia, Alexsandro Eloi Venâncio. 

A solução é utilizada principalmente para prevenir diferentes modalidades de fraude comuns no varejo, como autofraude — quando o próprio cliente contesta posteriormente uma compra —, fraude familiar e casos de roubo de identidade. De acordo com dados da empresa, nesse ambiente o sistema registra 96% de aprovação na primeira tentativa e 98% em até duas tentativas de autenticação. 

Outro efeito relevante da tecnologia é a mudança no comportamento de pagamento dos consumidores, que passama não depender mais do cartão físico para concluir suas compras. Atualmente, apenas 5,89% das transações realizadas com o cartão Havan exigem o uso do cartão e senha, enquanto a grande maioria já é autenticada exclusivamente por biometria facial. Na prática, isso indica uma migração consistente para um modelo de pagamento mais fluido e invisível, no qual o processo de autenticação ocorre de forma quase imperceptível para o cliente, reduzindo atritos no ponto de venda e acelerando o atendimento. 

Entre os diferenciais da solução está a possibilidade de operar mesmo sem conexão com a internet, permitindo que processos de autenticação e autorização de compras continuem funcionando normalmente em caso de instabilidade de rede, reduzindo custos operacionais e oferecendo uma melhor experiência de compra aos clientes. A tecnologia também foi projetada para simplificar a adoção no varejo, podendo ser integrada diretamente ao sistema de ponto de venda e operar utilizando apenas uma webcam. 

Como o reconhecimento facial envolve dados sensíveis, a empresa afirma que a solução segue o princípio de retenção mínima de informações, mantendo registros apenas pelo tempo necessário para verificação de identidade e prevenção a fraudes. Após esse período, os dados passam por descarte automático por meio de exclusão segura em até 30 dias, prazo utilizado para auditoria de transações. 

A biometria capturada também não é armazenada como imagem. O sistema converte o rosto em um template biométrico, uma representação matemática que reduz a sensibilidade do dado e impede que a identidade da pessoa seja reconstruída a partir dessas informações. 

Para Tessari, o uso do reconhecimento facial tende a se expandir à medida que empresas buscam oferecer experiências mais rápidas e seguras para os consumidores. “Como visto, o reconhecimento facial aplicado ao varejo permite validar a identidade do cliente de forma rápida e segura, sem interromper a experiência de compra. A proposta da tecnologia é tornar o processo de autenticação mais eficiente tanto para o consumidor quanto para as empresas”, conclui.

Sobre a Deconve

A Deconve faz parte do Grupo OSTEC, atuando como o braço de segurança física do grupo especializado em cibersegurança. Fundada em Florianópolis (SC), a startup participou do programa de incubação MIDITEC, da ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia). Com atuação nacional, a Deconve ajuda varejistas a reduzirem furtos e perdas por meio de uma tecnologia que une reconhecimento facial e inteligência artificial, buscando resultados concretos e com rápida implementação de uso acessível por lojistas.

TAGS:tecnologia
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