Quatro startups catarinenses chegam ao Web Summit Lisboa 2026 com estratégias consolidadas de expansão internacional: Veros, Futuriza, iNGLÊS iNC | ENGLISH4 Startups e Scienco Biotech passaram pelo ecossistema de apoio da ACATE e estruturaram seus processos de internacionalização com suporte da comunidade do ACATE Global. Representantes de setores distintos (agtech, fashiontech, educação corporativa e biotech), as startups compartilham a mesma estratégia: validar mercados externos, estabelecer parcerias comerciais e conectar soluções desenvolvidas em Santa Catarina com demandas de compradores internacionais.
A participação das empresas integra a missão organizada pela ApexBrasil em parceria com o Sebrae Startups, que leva ambientes de inovação brasileiros ao evento português entre 9 e 12 de novembro. A ACATE selecionou 19 empresas associadas e integrantes da comunidade do ACATE Global para compor a delegação, mas o número de startups catarinenses presentes no Web Summit é ainda maior — reflexo da maturidade do ecossistema de tecnologia do estado.
Veros: rastreabilidade que conecta cadeias produtivas brasileiras ao mercado europeu
A Veros, incubada na MIDITEC e participante da Vertical AgTech da ACATE, desenvolveu uma plataforma de inteligência artificial que rastreia cadeias produtivas do agronegócio de ponta a ponta. A empresa monitora mais de 400 milhões de hectares, valida 200 mil lotes anualmente e atende grandes exportadores brasileiros cujos produtos chegam a mais de 70 países. Mais de 60% de toda a exportação de café solúvel do Brasil passa pela plataforma da startup.
Para a Veros, o Web Summit Lisboa representa o próximo passo na estratégia de internacionalização. “Atualmente, atendemos no Brasil grandes empresas exportadoras, cujas cadeias produtivas abastecem mercados da União Europeia. Dessa forma, nossa tecnologia já contribui para a rastreabilidade e a gestão de conformidade de cadeias inseridas no comércio internacional, embora ainda não tenhamos contratos diretos com empresas sediadas no exterior”, explica Luis Roloff, CEO da Veros.
A empresa já foi selecionada para programas do ecossistema catarinense com foco em internacionalização como o ACATE Global Ready em 2026, além da capacitação e missão do ACATE Global Gateway ao Canadá em 2025, que incluiu visitas a hubs como Communitech, Accelerator Centre e DMZ, além de rodadas de apresentação para investidores.
Com a regulamentação europeia contra o desmatamento (EUDR) em vigor e a perspectiva de avanço no acordo Mercosul-União Europeia, a Veros se posiciona como infraestrutura de confiança entre fornecedores brasileiros e compradores globais. “Queremos que importadores, indústrias e empresas europeias utilizem diretamente a Veros para monitorar, rastrear e validar suas cadeias de fornecimento na origem”, afirma Luis.
Futuriza: da validação nos EUA à pulverização para 17 países
A Futuriza, fashiontech associada ao Polo ACATE-SOFTVILLE e integrante da Vertical Varejo, aplica inteligência artificial na produção de imagens e vídeos para marcas de moda. Graduada pela incubadora SOFTVILLE ÁGORA, a empresa iniciou sua expansão internacional com um projeto-piloto junto à marca infantil Monica + Andy, nos Estados Unidos, e agora desenvolve uma parceria com a canadense Toronto Fashion Incubator (TFI) — conexão estabelecida durante o programa de internacionalização ACATE Global Gateway.
“Tem sido muito importante para a gente construir isso com a Monica + Andy, principalmente para entender o modus operandi das marcas de lá. O americano tem um jeito diferente de fazer as coisas. Estamos juntos há 18 meses e seguimos expandindo para mais frentes de trabalho com a marca”, conta Milena Moser, cofundadora da Futuriza.
No final de 2025, a startup captou R$ 6,5 milhões em rodada seed liderada pela Quartzo Capital, por meio do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses), com participação da JoinVC e da Antler. O recurso foi aplicado na construção de uma plataforma self-service que pulverizou a atuação da empresa para 17 países, permitindo atender marcas menores com agilidade.
A Futuriza participou do Web Summit em 2025. A volta ao evento em 2026 tem foco diferente. “Foi importante estar no Web Summit para entender como o mercado vê as startups brasileiras, e ficamos felizes, pois veem com ótimos olhos. Hoje, vamos mais focados em fechar canais de parcerias, já tendo mais conhecimento dos mecanismos que Portugal e a Europa podem oferecer”, afirma Milena.
iNGLÊS iNC: comunicação como ativo estratégico de internacionalização
A iNGLÊS iNC | ENGLISH4 Startups nasceu em Florianópolis com o propósito de ajudar empresas e profissionais a se comunicarem com o mundo por meio do idioma inglês. Em sua trajetória, evoluiu de escola de idiomas para central de serviços integrada, oferecendo consultoria em comunicação internacional, treinamentos de vendas e negociação, traduções técnicas e juramentadas, edição de vídeos com legendas e dublagens com IA, além de interpretação.
Em 2019, criou a vertical ENGLISH4 Startups, especializada em atender startups e scale-ups em seus desafios de internacionalização, consolidando uma metodologia própria baseada na proficiência corporativa em idiomas e em soluções personalizadas para negócios globais.
“Em nossa aproximação com entidades como a ACATE, o SEBRAE, o Impact Hub e organizações internacionais, identificamos, nos programas de internacionalização, que muitas startups e scale-ups tinham soluções competitivas, mas enfrentavam dificuldades em comunicar seus negócios a leads, investidores e potenciais parceiros estrangeiros. Dominar o idioma era apenas uma parte do desafio. Era necessário ensinar a apresentar, negociar e construir relacionamentos em contextos internacionais”, explica o cofundador Alexandre Noronha.
Atualmente, a empresa atende clientes em mais de 25 países, com operação totalmente digital. A metodologia desenvolvida combina dois pilares: a Proficiência Corporativa em Idiomas, que certifica a empresa como fluente com base em cinco critérios (fluência, apresentação, entrega, promoção e suporte), e a Adequação Local da Entrega, método ágil que adapta produtos às particularidades dos mercados de destino.
“No Web Summit, buscamos ampliar nossa presença em ecossistemas internacionais, estabelecer parcerias com aceleradoras, hubs de inovação e organizações de apoio à internacionalização, além de identificar oportunidades em novos mercados. Nosso objetivo é levar nossa experiência no ecossistema brasileiro a novos mercados e ajudar mais empresas a se comunicarem e a fazer negócios com o mundo”, afirma Alexandre.
Scienco Biotech: do reconhecimento em prêmios internacionais à consolidação em mercados estratégicos
A Scienco Biotech, startup de Lages associada ao Polo ACATE-ORION, foi a grande vencedora da Startup Competition do South Summit 2026 com a tecnologia Dairy Tech, uma solução inédita para análise de leite por meio do teste rápido Leite A2, capaz de entregar resultados precisos em apenas 20 minutos. A tecnologia permite identificar, a partir de poucas gotas de leite, se o produto é do tipo A2, um processo que dependia de genotipagem, técnica mais cara, complexa e demorada.
Atualmente, a agtech exporta tecnologias para mercados como Portugal, Coreia do Sul, Colômbia e Nova Zelândia, onde atua como fornecedora da A2 Milk Company, principal empresa de leite A2 do mundo e referência global no segmento. A trajetória de internacionalização da empresa foi impulsionada por iniciativas do ecossistema como a incubadora Épsilon (integrante da Rede MIDIHUB na Serra), o programa de pré-aceleração Jornada Startups, a etapa Growth do BRDE Labs SC, além da participação na Vertical AgTech e na comunidade do ACATE Global.
“Nossa estratégia de internacionalização combinou prospecção ativa em alguns mercados e aproveitamento da visibilidade conquistada em eventos globais de inovação. A entrada na Nova Zelândia, por exemplo, foi resultado de um trabalho direto de aproximação com grandes players do setor. Escolhemos o país por ser uma referência mundial em qualidade e segurança alimentar, tornando-o um mercado estratégico para validar nossas tecnologias em um ambiente altamente exigente”, explica Maria de Lourdes Borba Magalhães, cofundadora da Scienco Biotech.
Para o Web Summit, a Scienco define objetivos claros de expansão. “Nosso principal objetivo é estabelecer novas parcerias de distribuição, conectar-nos a empresas interessadas em incorporar nossas tecnologias aos seus processos e ampliar relacionamentos com investidores internacionais focados em startups de base científica. Participar do Web Summit por meio da ACATE reforça nossa estratégia de internacionalização e nos permite apresentar uma tecnologia desenvolvida em Santa Catarina para um público global, fortalecendo a presença da biotecnologia brasileira nos mercados internacionais”, destaca Maria.
ACATE Global: da comunidade temática ao programa institucional de expansão internacional
Os quatro cases ilustram a estratégia estruturada pela ACATE para apoiar a jornada de internacionalização das empresas catarinenses. O ACATE Global reposicionou o antigo Grupo Temático de Internacionalização como iniciativa institucional transversal para as mais de duas mil associadas ao hub de Santa Catarina, estruturando uma jornada progressiva de capacitação e conexão com mercados externos.
“Santa Catarina construiu um ecossistema de tecnologia com produtividade e competitividade reconhecidas nacionalmente. O ACATE Global foi estruturado para acelerar a presença dessas empresas em mercados externos, oferecendo não apenas capacitação, mas conexão direta com players locais, infraestrutura de soft landing e inteligência comercial específica para cada região-alvo”, afirma Henrique Bilbao, vice-presidente de Internacionalização da ACATE.
O programa atende empresas em diferentes estágios de maturidade através de três trilhas: ACATE Global Start (para startups early stage), ACATE Global Ready (para empresas com atuação nacional consolidada) e ACATE Global Gateway (imersão presencial em mercados-alvo). A meta é impactar 100 empresas no ciclo 2026-2027.
“O ACATE Global nasce da compreensão de que a internacionalização é uma jornada. A proposta é acompanhar as empresas desde o momento em que começam a avaliar sua expansão até a construção de um plano mais consistente de entrada em novos mercados, com conexões qualificadas, inteligência sobre cada mercado-alvo e aproximação com investidores e parceiros internacionais”, explica Lisandro Vieira, diretor do ACATE Global.
O ACATE Global Ready, lançado em outubro de 2026, selecionou 40 empresas para receber workshops de estratégia de Go-to-Market (GTM) com sessões de inteligência regional focadas em seis mercados prioritários: Estados Unidos, Canadá, Europa, América Latina, China e Emirados Árabes.
Sobre a ACATE
A Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) representa os interesses do setor tecnológico catarinense desde 1986. A missão da entidade é apoiar o ecossistema local de ponta a ponta, gerando conexões que fortalecem o setor de tecnologia no estado. Para reforçar o ecossistema de inovação catarinense, a Associação é gestora de iniciativas como a incubadora MIDITEC, o laboratório de inovação aberta LinkLab e as Verticais de Negócios. Reunindo cerca de dois mil associados em oito polos de inovação e tecnologia de Santa Catarina, possui Centros de Inovação na Grande Florianópolis e em Chapecó, além de presença em outras regiões do país e do mundo. Com um hub no Canadá, a entidade também é promotora de oportunidades de conexão e negócios para empresas que desejam iniciar sua jornada de internacionalização de maneira facilitada.

