O número de mulheres em cursos de tecnologia no Brasil cresceu 220% nos últimos 15 anos, passando de 48 mil para 153 mil estudantes, de acordo com dados do Censo da Educação Superior 2025, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Apesar do avanço na formação, o desafio agora está na absorção e retenção desses talentos no mercado. Vencer esse gargalo de retenção exige um olhar atento de empresas que valorizam a alta capacidade analítica e buscam ativamente ampliar a representatividade feminina em suas equipes técnicas.
Foi o que ocorreu com Rafaela Veloso, engenheira de produção que iniciou a carreira na indústria de base antes de migrar para a área de Pesquisa Operacional, campo que combina matemática, tecnologia e negócios para resolver problemas complexos. “Eu sentia falta de trabalhar com problemas mais analíticos. Quando encontrei a pesquisa operacional, vi que era um caminho onde eu poderia usar matemática para resolver desafios reais”, afirma a executiva.
A mudança de rota levou a executiva ao universo da consultoria, onde atuou em projetos diversos até chegar à Physa, empresa especializada em soluções analíticas e customizadas. Segundo ela, um dos diferenciais do modelo está na capacidade de resolver desafios complexos e gerar impacto real para os clientes. “A maioria dos problemas dos clientes não pode ser resolvida com soluções fechadas. É preciso entender profundamente o contexto e traduzir isso em uma solução específica. É isso que gera valor de verdade e atrai as pessoas para o desafio”, explica.
Além do modelo de trabalho, a cultura organizacional também tem papel central na atração e retenção de talentos, especialmente femininos. Com equipes enxutas e foco em alta performance, a Physa aposta em autonomia e colaboração como pilares do dia a dia. “Ambientes que investem em equidade e em que a autonomia é real tendem a ser mais atrativos para mulheres, porque eliminam camadas de validação desnecessárias e colocam o foco na entrega. Acreditamos que o reconhecimento vem pelo resultado e satisfação do cliente”, afirma Sérgio Lage, cofundador e executivo da Physa.
O foco na formação de talentos também desempenha papel relevante na atração e retenção. Em um momento em que muitas empresas priorizam perfis sêniores por conta do avanço da inteligência artificial, a consultoria segue na direção oposta, investindo no desenvolvimento de profissionais desde o início da carreira.
“Acreditamos que o verdadeiro diferencial está na capacidade de entender o contexto de negócio e transformar isso em solução. Por isso, investimos na formação de profissionais que consigam ir além da aplicação técnica e gerar impacto real para o cliente”, completa o executivo.
Apesar dos avanços, os desafios ainda existem, especialmente fora do ambiente das consultorias. Rafaela relembra uma situação prévia à consultoria em que presumiram que ela não era a responsável técnica pela solução apresentada. “Esse é um tratamento inconsciente, nem sempre intencional, que faz com que muitas mulheres precisem expor mais suas entregas para ter o mesmo crédito que seria dado naturalmente a um homem na mesma atuação”, reflete.
Mas, para ela, o principal obstáculo está antes mesmo da entrada no mercado de trabalho, já que a baixa presença feminina em tecnologia começa na formação e no incentivo ainda limitado desde a base. “É uma questão cultural. Muitas meninas têm afinidade com exatas, mas acabam não seguindo nessa área. A gente precisa incentivar isso desde cedo”, afirma.
Por fim, a executiva aponta que o cenário ideal é de empresas que consigam oferecer um ambiente acolhedor e desafiador, onde o conhecimento é o diferencial entre as pessoas. “Não deve existir diferenciação. O que importa é a entrega. É isso que faz com que as empresas sejam lugares muito positivos para mulheres que querem atuar com tecnologia e consultoria”, finaliza.
Sobre a Physa
A Physa é uma consultoria especializada em analytics e inteligência artificial, focada na resolução de problemas complexos de negócio por meio de soluções sob medida. A empresa combina ciência de dados, tecnologia e entendimento operacional para apoiar a tomada de decisão em áreas como supply chain, pricing e planejamento. Seu modelo de atuação prioriza a aplicação prática das soluções e a geração de valor sustentável para seus clientes.

