O The Developers Conference (TDC) Floripa encerrou nesta sexta-feira, 24, mais uma edição reunindo cerca de 3.300 participantes ao longo de três dias de programação, no CentroSul, em Florianópolis (SC). Considerado um dos principais encontros da comunidade brasileira de tecnologia, o evento confirmou a inteligência artificial como principal eixo das discussões do setor, reunindo desenvolvedores, arquitetos de software, especialistas, pesquisadores e lideranças de grandes empresas para discutir como transformar a tecnologia em resultados concretos para os negócios.
Com 21 trilhas técnicas, jornadas temáticas, workshops, mentorias e o Fórum Executivo, a programação foi marcada por debates sobre aplicações práticas de IA, engenharia de software, arquitetura, dados, segurança, desenvolvimento de produtos, design, liderança e governança. Ao longo dos três dias, mais de 22 empresas compartilharam experiências sobre projetos de inteligência artificial em produção, entre elas Mercado Livre, Grupo Boticário, Nubank, Google, AWS, Oracle, Itaú, Vivo, iFood, PagBank, Sicredi, QuintoAndar, Thoughtworks e John Deere.
Entre os principais debates da edição esteve o amadurecimento da adoção da inteligência artificial nas empresas. Em vez de discutir apenas o potencial da tecnologia, executivos e especialistas concentraram as apresentações nos desafios da implementação em escala, na criação de governança, na mensuração de retorno sobre investimento e na integração da IA aos processos de negócio.
A discussão ganhou força com a apresentação de dados que mostram que a maior parte das iniciativas corporativas ainda enfrenta dificuldades para gerar impacto. Um dos estudos apresentados durante o evento apontou que cerca de 95% dos projetos de inteligência artificial não alcançam os resultados esperados, reforçando a necessidade de planejamento, governança e definição clara dos problemas de negócio antes da adoção da tecnologia.
Casos apresentados por empresas como Mercado Livre e Grupo Boticário mostraram que maturidade em IA passa, muitas vezes, por saber onde a tecnologia não deve ser utilizada. Os executivos defenderam que o sucesso dos projetos depende da capacidade de resolver problemas relevantes, reduzir complexidade operacional e gerar ganhos mensuráveis para clientes e para o negócio.
Outro tema recorrente foi a evolução da inteligência artificial para além dos assistentes generativos. Especialistas apresentaram aplicações baseadas em agentes autônomos, sistemas inteligentes de decisão, automação de processos complexos e arquiteturas capazes de conectar diferentes áreas das organizações, indicando uma mudança de foco da experimentação para a construção de operações orientadas por IA.
Segundo a cofundadora do TDC, Yara Mascarenhas, a edição de 2026 tratou de melhores usos e aplicações da inteligência artificial nas organizações. “As discussões deste ano demonstram que as empresas estão vivendo uma nova etapa da adoção da IA. O desafio agora é implementá-la com responsabilidade, segurança, governança e impacto real para o negócio. O TDC existe justamente para aproximar quem desenvolve essas soluções de quem precisa liderar essa transformação dentro das organizações”.
Além da programação técnica, o evento manteve seu formato híbrido, ampliando o acesso ao conteúdo para profissionais de diferentes regiões do país e fortalecendo a proposta da Comunidade TDC, plataforma que disponibiliza gravações, workshops e encontros ao longo do ano para apoiar a formação contínua dos profissionais de tecnologia.
O TDC Floripa integra o calendário nacional do The Developers Conference, que há mais de duas décadas promove encontros voltados ao desenvolvimento de software, inovação e transformação digital em diferentes polos tecnológicos brasileiros. Após a edição em Florianópolis, o evento segue para Rio de Janeiro (5 e 6 de agosto), São Carlos (26 e 27 de agosto), Santa Rita do Sapucaí (4 e 5 de setembro), São Paulo (23 a 25 de setembro), Recife (11 e 12 de novembro) e Porto Alegre (9 e 10 de dezembro).

