As carteiras financeiras estão se consolidando como principal vetor de expansão da indústria de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) no Brasil. Dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostram que esse segmento saiu de R$ 96,3 bilhões em março de 2023 para R$ 248,6 bilhões em março de 2026, alta de 158% no período. Com isso, passou de 27,43% para 37,07% do patrimônio alocado em direitos creditórios, reforçando a migração do crédito estruturado para modelos cada vez mais digitais.
Parte desse movimento está ligada à expansão do embedded finance — modelo em que empresas incorporam serviços financeiros à própria operação — e à maior participação de fintechs, plataformas digitais e instituições financeiras na originação do crédito distribuído via FIDCs.
Os números mostram que esse avanço não significa perda de espaço dos recebíveis tradicionais, representa um crescimento mais acelerado das carteiras financeiras. No comércio, por exemplo, o volume investido pelos FIDCs em recebíveis do comércio subiu de R$92,1 bilhões para R$138,8 bilhões entre março de 2023 e março de 2026. Ainda assim, perdeu espaço proporcionalmente, ao cair de 26,25% para 20,70%, indicando que outras estruturas passaram a crescer em ritmo superior.
Isso significa uma mudança na forma como parte do crédito chega ao mercado. Operações ligadas ao consumo e ao varejo, que historicamente apareciam como recebíveis comerciais, passaram a ser estruturadas também por meio de instrumentos financeiros como CCB, CDC, crédito embutido e operações originadas por fintechs e marketplaces. Dentro dos FIDCs, esses ativos costumam compor a categoria de carteiras financeiras. “Esse movimento acompanha a modernização da regulação financeira e amplia a capacidade de empresas da economia real oferecerem novos serviços no portfólio. Varejo, indústria e plataformas passaram a incorporar crédito de forma mais integrada à operação”, explica Israel Malheiros, sócio e COO da Vertrau Tecnologia, infratech especializada em gestão de recebíveis e infraestrutura para crédito estruturado.
O avanço das carteiras financeiras também aumenta a demanda por infraestrutura tecnológica no setor. Como essas operações envolvem a conexão entre empresas da economia real, instituições financeiras e o ecossistema regulado, cresce a necessidade de integração entre originadores, registradoras, plataformas e sistemas de gestão. “Esse movimento também eleva o nível de sofisticação da indústria. Com mais operações digitais circulando dentro dos FIDCs, ganha importância a capacidade de acompanhar os ativos com mais transparência e padronização ao longo de toda a cadeia”, afirma Israel.
Para o mercado, esse crescimento sinaliza uma nova etapa da indústria de FIDCs. Estar menos concentrada exclusivamente nos recebíveis mercantis tradicionais e cada vez mais conectada ao crédito originado digitalmente, em um movimento que aproxima o setor da infraestrutura que sustenta a nova dinâmica do crédito no país.
Sobre a Vertrau Tecnologia
A Vertrau Tecnologia é uma infratech especializada em gestão de recebíveis e infraestrutura para crédito estruturado, que conecta empresas da economia real ao mercado de capitais por meio de tecnologia. Fundada em 2024, com sede em Blumenau (SC) e São Paulo, integra com mais de 65% das administradoras FIDC e atua na estruturação e operação de fundos empresariais, integração com ERPs e automação de garantias vinculadas a recebíveis. Criada por especialistas em fundos estruturados, combina conhecimento regulatório, visão sistêmica e desenvolvimento de software para reduzir a complexidade e o tempo de implementação de operações financeiras, promovendo eficiência, governança e conformidade regulatória.

