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Leitura: O Diabo Veste Prada 20 Anos Depois
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O Diabo Veste Prada 20 Anos Depois

Cris Pellegrin
Última atualização: 26/05/2026 18:20
Cris Pellegrin - Head de Cultura e Pessoas na Ventiur Smart Capital
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O que mudou na liderança em 20 anos e o que isso tem a ver com você

Quando o primeiro O Diabo Veste Prada chegou aos cinemas, em 2006, muitos reconheceram um mundo familiar: hierarquia rígida, entrega total, chefes que exigiam muito e explicavam pouco. Era o manual não escrito do mundo corporativo.

Vinte anos depois, o segundo filme chega e nos faz uma pergunta diferente, mais desconfortável. Não sobre moda ou sobre poder. Sobre liderança. Sobre o que mudou. E sobre o que ainda precisamos mudar.

Este artigo não é uma crítica de cinema. É um convite à reflexão para quem assistiu ou vai assistir, sobre o tipo de líder que somos, o tipo que fomos treinados a ser, e o tipo que o momento exige.

Miranda Priestly: a mesma, mas completamente diferente

No primeiro filme, Miranda era aterrorizante na sua precisão. Ela não gritava. Não precisava. Um olhar silencioso era suficiente para paralisar qualquer pessoa à sua volta. Comandava pelo medo e obtinha resultados extraordinários.

No segundo filme, algo mudou. Ela escolhe as palavras com mais cuidado. Ouve opiniões, mesmo quando claramente acha que não valem muito. A dureza continua presente, mas filtrada e calculada de forma diferente.

E aqui está o ponto mais revelador: Miranda não mudou porque se tornou uma pessoa melhor. Mudou porque o mundo mudou à sua volta. As revistas impressas perderam espaço, o digital transformou tudo, as relações de trabalho se reconfiguraram. Miranda se adaptou ou ficava para trás.

Tem uma cena no filme 2 que resume tudo. A jovem e atual assistente de Miranda, orienta a chefe sobre como se portar e o que dizer numa reunião com a equipe. No primeiro filme, isso seria impensável. A hierarquia era absoluta e o conhecimento morava exclusivamente no topo. Vinte anos depois, Miranda aceita ser orientada por quem está abaixo dela. Não de bom grado, talvez. Mas aceita. Porque percebeu que quem está chegando agora tem informações, sensibilidades e códigos que ela não tem, e que precisa.

Os mais jovens não chegam vazios. Chegam com uma leitura diferente do mundo, sobre comunicação, sobre propósito, sobre o que torna um ambiente de trabalho sustentável. Ignorar isso não é autoridade. É desperdício.

Andy Sachs: o que se herda de um líder difícil

No segundo filme, Andy já é líder. E o que chama atenção não é o que ela mudou em relação a Miranda, mas o que ela manteve. Agilidade, foco e capacidade de resolver problemas sem paralisar diante deles. A formação foi exigente, mas a aluna soube filtrar o que valia carregar.

O que Andy fez diferente foi a entrega. Ela entrega excelência com humanidade. Sem fazer as pessoas sentirem que deveriam ser gratas apenas por estar no ambiente.

A Miranda exigente formou uma líder humana. O que foi pressão virou método, mas com empatia. E isso levanta uma questão importante para qualquer líder: o que você filtrou da sua própria formação profissional? O que carrega que fortalece — e o que carrega que limita quem você lidera?

A pergunta que o filme provoca

O filme nos deixa com uma inquietação que vai além da tela. Quantas vezes exigimos sem explicar? Quantas vezes assumimos que as pessoas deveriam simplesmente entregar, porque era assim que se fazia?

Quem foi formado numa cultura de hierarquia rígida carrega reflexos que nem sempre percebe. A lógica de que pressão gera excelência. A crença de que o bom profissional simplesmente entende o que se espera dele.

O mundo mudou. Quem está chegando agora quer saber o porquê antes do como. Quer ser visto como pessoa antes de ser cobrado como profissional. Isso não é fraqueza. É uma reconfiguração de prioridades que faz todo sentido.

O convite

Se você assistiu ao Diabo Veste Prada 2, ou vai assistir, não assista apenas como entretenimento. Assista como espelho.

Observe Miranda e pergunte: em que me pareço com ela? Não necessariamente na dureza, mas na rigidez, na dificuldade de ouvir, na resistência a mudar até ser forçado.

Observe Andy e pergunte: o que filtrei da minha formação profissional? O que carrego que me fortalece, e o que carrego que limita quem lidero?

Observe a assistente que orienta Miranda e pergunte: estou aberto a aprender com quem está chegando? Ou ainda acredito que o conhecimento só sobe na hierarquia?

Liderança não é uma posição. É uma prática diária de consciência sobre quem você é, quem está à sua volta, e o que o momento exige.

O mundo mudou. A Miranda do filme 2 prova isso. A questão é: você está esperando ser forçado a mudar, ou está escolhendo mudar agora?

Um convite de quem acredita que grandes filmes são, acima de tudo, grandes espelhos.

TAGS:empreendedorismo
Por Cris Pellegrin Head de Cultura e Pessoas na Ventiur Smart Capital
Gestora de Recursos Humanos e atua como Head de Cultura e Pessoas na Ventiur Smart Capital. Especialista em marca empregadora, desenvolvimento de carreira e liderança, contribuiu significativamente para a estruturação da operação remota da empresa durante a pandemia. Trabalha diretamente com Startups através da análise do perfil comportamental dos sócios durante o processo de análise para investimentos, mentorias com tema de RH além de gerar e aplicar conteúdos para palestras e workshops sobre gestão de pessoas, construção de equipes e liderança. Entusiasta do protagonismo feminino no ecossistema de inovação, é integrante do Instituto Ladies in Tech e líder do projeto "É Coisa de Mulher" da Ventiur.
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