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Leitura: Inovação aberta: entre o teatro da inovação e o pilar estratégico organizacional
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Inovação aberta: entre o teatro da inovação e o pilar estratégico organizacional

Fernando Carara Lemos
Última atualização: 12/05/2026 14:30
Fernando Carara Lemos - Executivo de Comunicação Corporativa e Marketing
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A Inovação Aberta (Open Innovation), conceito originalmente consolidado por Henry Chesbrough, deixou de ser uma alternativa de gestão e passa a estar no eixo central de estratégia corporativa. Em um cenário (in)definido pela volatilidade macroeconômica e pela onipresença da Inteligência Artificial, a capacidade de uma organização de permear suas fronteiras e orquestrar fluxos de conhecimento externos se mostra como um dos principais diferenciais entre a obsolescência e a resiliência.

No Brasil, essa maturidade reflete-se no volume recorde de R$ 17 bilhões em contratos ativos entre corporações e startups em 2025, enquanto Portugal celebra a marca histórica de 5.000 startups, consolidando-se como um hub de inovação para a Europa. Contudo, o panorama nos Estados Unidos traz um paradoxo: a liderança em infraestrutura de IA não garante, por si só, a adoção em massa, provando que os novos gargalos da produtividade estão justamente no letramento digital e na humanização do processo tecnológico. Por falar em humanos, há poucos dias, a justiça chinesa deu ganho de causa para um funcionário que foi demitido, após suas funções serem absorvidas por uma IA.

A relação humana e IA tem sido pauta das principais discussões de diferentes segmentos mundo afora e eventos de inovação em 2026. Aqui em Portugal, não é diferente. Esse foi um ponto que teve muita ênfase em um encontro sobre inovação aberta que presenciei por aqui, em Lisboa. No Above & Beyond Hangout #50 da Startup Portugal, um evento híbrido com participantes em Lisboa e Porto, teve uma fala que me acendeu um alerta. Eunice Costa, Head of Strategy & NB da Delta Ventures, enfatizou o risco da “euforia tecnológica”. Para ela, o sucesso depende da clareza absoluta sobre o problema a ser resolvido e da construção de uma confiança humana, que exige tempo e proximidade física para converter POCs em parcerias duradouras.

Foi possível perceber que era um sinal dado para que os movimentos de inovação aberta não se restringissem a demodays, hackathons e eventos que reduzam a complexidade dos negócios a momentos de networking e captação de investimento para startups. As corporações requerem das startups muito mais que tecnologia, buscam parceria, “win-win”.

No mercado brasileiro, especialistas reforçam essa visão ao enfatizar que a inovação deve impactar diretamente o EBITDA: se não gera novos clientes ou reduz custos operacionais, é apenas distração estética. Esse desafio de execução esbarra frequentemente no acúmulo de estresse e desconfiança entre funcionários que se sentem ameaçados pelas máquinas.

Para superar o chamado “teatro da inovação” — marcado por ações estéticas sem impacto financeiro real — o mercado tem adotado estruturas robustas de inovação aberta. No Tecnopuc, adotamos o Modelo de Inovação Aberta, desenvolvido pelo Crialab (uma área com profissional de diferentes campos do conhecimento que contribuem para o processo de cocriação da inovação com as organizações). Sustentado pelos pilares de Design para Inovação, Inteligência Aplicada e Gestão Sistematizada, o modelo promove um ciclo virtuoso onde os desafios reais do mercado alimentam o conhecimento científico e o processo todo é cocriado entre os atores – mercado, academia, governo, sociedade – que fazem sentido participar de cada momento. Tudo isso, com a orquestração de um time que tem no design centrado no ser humano sua premissa de trabalho.

Em 2026, o diferencial competitivo reside no “Human Edge”: capacidades intrinsecamente humanas como adaptatividade, criatividade, julgamento ético e empatia. Organizações que adotam uma abordagem centrada no humano ao implementar IA têm 1,6 vezes mais probabilidade de obter retornos acima das expectativas. Apesar disso, barreiras como burocracias rígidas ainda reduzem as chances de sucesso em 2,4 vezes, criando o risco da “corporação startup killer”.

A solução reside em governanças colaborativas que valorizem o aprendizado acima do controle, entendendo que a tecnologia se tornou uma commodity e a vantagem estratégica agora repousa na capacidade de orquestração de ecossistemas humanos.

Para não ficar de “tia do zapzap”:

Let’s Talk OPEN INNOVATION // Above & Beyond Hangout #50 | Portugal Startup: https://www.youtube.com/watch?v=Ok2lEbR9PWs

Inovação em foco – Conversas no Tecnopuc Experience | #01 Inovação Aberta: https://youtu.be/QNb0JqOpY6c?si=5jLu7-AVfQ6ZHrjz

California Management Review | Edição Especial: 20 anos de Inovação Aberta (2024): https://cmr.berkeley.edu/browse/issues/67_1/

2026 Global Human Capital Trends | Deloitt: https://www.deloitte.com/us/en/insights/topics/talent/human-capital-trends.html

TAGS:opinião
Por Fernando Carara Lemos Executivo de Comunicação Corporativa e Marketing
Executivo de Comunicação Corporativa e Marketing, facilitador de grupos especializado em Investigação Apreciativa, instrutor da Escola Aberje de Comunicação. Relações Públicas (UNISINOS), Mestre e Doutorando em Comunicação Organizacional (PUCRS), MBA em Gestão Empresarial (IBGEN) e Especialização em Saúde-Mental e Desenvolvimento Humano (PUCPR). Atualmente, atuo na liderança da Comunicação e Marketing do Tecnopuc (Parque Científico e Tecnológico da PUCRS). Profissional com mais de 20 anos de atuação no mercado de comunicação corporativa e marketing, sendo 18 deles na gestão, com experiência em implantação e reestruturação de áreas em empresas da área da saúde, educação, esporte e entretenimento. O que me move? Buscar histórias legítimas que carregam o DNA dos negócios e, a partir delas, estabelecer a estratégia de comunicação de forma a sustentar o bem-estar nas relações entre as pessoas.
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