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Leitura: theGarage quer lançar 20 startups em 10 anos e atingir R$ 1 bilhão com modelo de ‘fábrica de empresas’
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theGarage quer lançar 20 startups em 10 anos e atingir R$ 1 bilhão com modelo de ‘fábrica de empresas’

Pedro Barbosa
Última atualização: 27/04/2026 17:56
Pedro Barbosa - editor
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Startup studio criado pela Nexmuv aposta em controle maior sobre os negócios, governança desde o início e criação orientada ao exit em meio a um cenário mais exigente para startups.Foto: Divulgação.
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A forma de criar startups está mudando e, para o CEO da Nexmuv e fundador do theGarage, Carlos Perobelli, essa transformação passa por um ponto central: previsibilidade. Depois de anos investindo como sócio minoritário em startups, o executivo percebeu um padrão recorrente. Mesmo com orientação estratégica, faltava alinhamento na execução e, muitas vezes, os negócios não evoluíam como esperado. “Como conselheiro, havia pouca conexão com os founders. Muitas vezes eles seguiam outro caminho e não dava certo”.

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Um modelo para reduzir o ‘vale da morte’Controle, método e seleção rigorosaA conta do R$ 1 bilhãoIA acelera o jogo e aumenta a incertezaStartups nascem a partir de dores reaisIA com foco em resultado, não em hypePessoas, processos e tecnologiaUm modelo em construção

A partir dessa experiência, surgiu o theGarage, startup studio criado pela empresa de soluções em tecnologia Nexmuv, com uma proposta diferente dos modelos tradicionais de aceleração e venture capital: atuar como cofundador ativo das empresas, desde a ideia até o momento de venda. A ambição é clara: o grupo pretende lançar 20 startups e atingir cerca de R$ 1 bilhão em valor gerado com a venda desses negócios até 2036.

A estratégia parte de um modelo que estrutura empresas de varejo e saúde desde a concepção até a preparação para processos de fusões e aquisições, com ciclos de desenvolvimento desenhados para levar uma startup ao estágio de maturidade em aproximadamente dois anos. Como parte dessa evolução, o grupo também lançou o theGarage IA, um hub de soluções voltado à implementação estruturada de inteligência artificial nas empresas, com expectativa de gerar R$ 3,2 milhões em receita até 2027.

Desde a criação do projeto, em 2024, a Nexmuv já investiu cerca de R$ 20 milhões na estrutura do startup studio, e prevê o lançamento de duas a três startups por ano.  Em 2026, a previsão é de que sejam investidos mais R$ 4 milhões para a operação do modelo.

Um modelo para reduzir o ‘vale da morte’

A tese do theGarage parte de um diagnóstico conhecido no ecossistema: a alta taxa de mortalidade das startups. De acordo com o Observatório Sebrae Startups, metade das startups brasileiras encerra as atividades em menos de dois anos, um cenário que, para Perobelli, está diretamente ligado a falhas estruturais na criação dos negócios. “Muitas startups morrem porque o produto não está adequado ao mercado ou porque o founder não tem o perfil para gerir aquele negócio”.

Para enfrentar esse problema, o theGarage foi desenhado para atuar em todas as etapas do desenvolvimento, com estrutura própria de tecnologia, marketing, financeiro e governança. “Na entrada, a gente já tem que saber a saída. Temos para quem vender? Essa é uma pergunta fatal”, afirma o CEO da Nexmuv e fundador do theGarage.

Diferentemente de modelos baseados em venture capital, o theGarage investe com capital próprio e estrutura as empresas já com foco em fusões e aquisições (M&A). O ciclo completo, da concepção ao exit, é projetado para acontecer em cerca de quatro anos.

Controle, método e seleção rigorosa

Um dos principais diferenciais do modelo está no nível de controle sobre as startups. Ao contrário de investidores minoritários, o theGarage busca participação relevante nos negócios, o que permite maior influência nas decisões estratégicas.

A operação também se apoia em duas bases principais: uma de ideias e outra de empreendedores. De um lado, são mapeadas oportunidades de mercado com potencial de escala. De outro, profissionais com perfil para liderar essas empresas. “A gente avalia criteriosamente se a ideia faz sentido e se aquele empreendedor está no momento certo para assumir essa responsabilidade”, explica Perobelli.

Além disso, todas as startups são acompanhadas desde o início por indicadores de desempenho e práticas de governança.

A conta do R$ 1 bilhão

A meta financeira do theGarage é baseada em uma lógica direta: criar um portfólio de startups com potencial de valorização consistente. A projeção é desenvolver cerca de 35 startups ao longo dos primeiros anos, das quais aproximadamente 20 devem atingir valorizações próximas a R$ 50 milhões. “É assim que a gente chega naquele R$ 1 bilhão”, afirma Perobelli.

Mesmo nos casos em que o exit não acontece, o modelo prevê alternativas. “Se a startup atingir sustentabilidade financeira, ela pode continuar operando como uma empresa independente dentro do grupo”, afirma o CEO da Nexmuv e fundador do theGarage.

A proposta acompanha uma mudança de cenário no ecossistema de inovação. Uma pesquisa da Endeavor e da Glisco Partners aponta que, na América Latina, 65% do capital investido em 2024 foi direcionado às empresas mais maduras. Após um período de forte expansão do venture capital, investidores e fundadores passaram a priorizar modelos com geração de receita e maior previsibilidade de crescimento.

IA acelera o jogo e aumenta a incerteza

Se a proposta do startup studio já nasce com foco em eficiência, a chegada da inteligência artificial (IA) adiciona uma nova camada de complexidade. Para Perobelli, o avanço da tecnologia está mudando não apenas a forma de operar, mas também o timing das startups. “A velocidade da inteligência artificial está maior do que a implementação de uma ideia”.

Na prática, isso significa que uma solução pode se tornar obsoleta em questão de meses. “Quando você chega no momento de vender, já existem duas ou três ferramentas que fazem a mesma coisa”, avalia Perobelli.

Esse cenário levou o theGarage a rever sua própria estratégia. Em vez de planejamentos de longo prazo, o foco agora está em ciclos curtos de adaptação. “Hoje, nosso planejamento é de seis meses. Não dá para prever o que vai acontecer em cinco anos”, diz o CEO da Nexmuv e fundador do theGarage.

Startups nascem a partir de dores reais

Um dos diferenciais da fábrica de startups é iniciar a criação das empresas a partir da identificação de uma dor concreta do mercado e, em paralelo, buscar potenciais compradores para a solução no futuro. O modelo inclui, inclusive, a possibilidade de transformar essas empresas em sócias das novas startups. “A gente desenvolve a solução com um custo mais acessível e a empresa entra como participante do negócio”, explica Perobelli.

A partir daí, a startup pode escalar a solução para outros clientes, enquanto o parceiro inicial participa dos resultados.

“Quando a startup nasce já conectada a uma demanda real, o caminho até o mercado fica muito mais curto. E pensar desde o início em quem pode se beneficiar daquela tecnologia no futuro ajuda a construir startups mais estratégicas”.

CEO da Nexmuv e fundador do theGarage, Carlos Perobelli

IA com foco em resultado, não em hype

Além do startup studio, o grupo também lançou o theGarage IA, frente voltada à implementação de inteligência artificial em empresas. A proposta é evitar o uso superficial da tecnologia e focar em geração de valor real. “Não adianta implementar IA porque está no hype. Qual é o ROI disso?”, questiona Perobelli.

Segundo ele, o principal desafio não está na tecnologia em si, mas na estrutura das empresas. “Menos de 4% das empresas têm mais de 70% dos processos suportados por inteligência artificial”.

Pessoas, processos e tecnologia

No centro da estratégia está uma tríade clássica: pessoas, processos e tecnologia. Para Perobelli, a adoção de IA, e o próprio sucesso das startups, depende diretamente da maturidade nesses três pilares. “Não adianta ter tecnologia se as pessoas não estão preparadas e os processos não estão organizados”, diz.

Por isso, além da criação de startups, o projeto inclui a formação de um ecossistema de empreendedores. A estratégia para 2026 prevê a criação de uma comunidade de fundadores, a realização de eventos voltados à identificação de novas oportunidades de negócios e a produção de conteúdo sobre o modelo de criação de empresas em série. “O objetivo é criar, ao longo da próxima década, um ecossistema para entender melhor as dores do mercado e assim, gerar novas startups”, garante o fundador do theGarage.

Um modelo em construção

Mais do que uma fábrica de startups, o theGarage surge como uma tentativa de tornar a inovação menos intuitiva, e mais estruturada, em um mercado cada vez mais imprevisível. Atualmente, o portfólio reúne quatro empresas em operação. Entre elas estão a GISA, plataforma de inteligência artificial para e-commerces, a MOC, sistema voltado à digitalização da medicina ocupacional, a PET.IA, plataforma de gestão para clínicas veterinárias, e a Lukre, voltada à precificação e monitoramento de concorrentes. Duas delas, GISA e MOC, foram reconhecidas entre as mil melhores do país no Prêmio Sebrae Startups 2025.

A criação do theGarage representa uma expansão da atuação da Nexmuv, empresa de soluções em tecnologia e há mais de duas décadas. A companhia reúne cerca de 500 colaboradores, já entregou mais de 400 projetos de tecnologia e registra faturamento anual próximo de R$100 milhões, atendendo empresas de diferentes setores.

TAGS:inovação
Por Pedro Barbosa editor
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Jornalista e Mestre em Comunicação, ambos pela Unisinos. Possui pós-graduação - MBA em Design Digital e Branding e pós-graduação em Gestão da Tecnologia da Informação, ambos pela Uninter. Já atuou no setor público e privado, tendo trabalhado no governo do Estado do Rio Grande do Sul, com deputados estaduais, federais, no Jornal NH e no Parque Tecnológico São Leopoldo - Tecnosinos.
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