O mercado brasileiro de startups encerrou 2025 em um movimento de consolidação e amadurecimento. De acordo com o Mapeamento do Ecossistema Brasileiro de Startups 2025, da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), 34,8% das startups mapeadas já receberam algum tipo de investimento, com valor médio de R$ 1 milhão ao longo de sua trajetória, sendo que 36,8% dos investimentos em startups em 2025 vieram de investidores-anjo, seguidos por programas de aceleração (14,1%) e por recursos de Family, Friends and Fools – FFF (11,5%), reforçando o papel das redes de relacionamento próximas no financiamento inicial dos negócios.
Para a CEO da ABStartups, Cláudia Schulz, esse contexto evidencia a importância de modelos de negócio sólidos, tração comprovada e conexão ativa com o ecossistema local como fatores decisivos para atrair investidores em 2026. “Estamos vivendo um momento de mais maturidade do ecossistema. O capital continua disponível, mas está mais atento à qualidade das startups, à capacidade de execução e à geração de valor no médio e longo prazo”, afirma a executiva. “Para 2026, as startups que se destacarem serão aquelas que conseguirem demonstrar tração, consistência e uma estratégia clara de crescimento”.
Com base nos dados do mapeamento e na leitura do cenário atual, a executiva elenca 5 dicas para startups que desejam se tornar mais atrativas para investidores no próximo ano:
1. Demonstre tração real e validação de mercado
Em um cenário mais criterioso, a tração deixou de ser um diferencial e passou a ser um requisito básico para atrair investimentos. Com mais da metade das startups brasileiras já operando ou em fase de tração, o investidor compara negócios semelhantes e prioriza aqueles que conseguem comprovar demanda real, uso recorrente do produto e capacidade de execução. “Tração mostra que a startup resolveu um problema relevante e que existe disposição do mercado em pagar por essa solução”, explica Cláudia.
Indicadores como crescimento da base de clientes, taxa de retenção e previsibilidade de receita ganham peso nas decisões de aporte.
2. Estruture bem o modelo de negócio e o faturamento
O mapeamento aponta um ecossistema mais atento à sustentabilidade financeira das startups. Modelos de negócio bem definidos, com lógica clara de monetização e margens conhecidas, reduzem o risco percebido pelo investidor. Para Cláudia, apresentar um faturamento consistente — mesmo que ainda em fase inicial — ajuda a demonstrar maturidade. “Investidores querem entender não apenas quanto a startup fatura, mas como ela gera receita, quais são seus custos e como esse modelo pode escalar de forma saudável”, afirma.
3. Fortaleça sua atuação no ecossistema local
Com quase 70% dos investimentos vindo da própria cidade ou estado, a inserção no ecossistema regional se torna estratégica. A proximidade com hubs, aceleradoras, associações, investidores-anjo e outros empreendedores facilita a construção de confiança, troca de experiências e acesso a oportunidades de capital. “O investimento ainda é muito relacional. Estar presente, participar das comunidades e ser reconhecido no ecossistema local faz diferença na hora de captar recursos”, destaca a CEO da ABStartups.
4. Invista em times diversos e complementares
Em um mercado mais maduro, o time passou a ser analisado com o mesmo peso que o produto. Investidores buscam equipes com competências complementares, capacidade de tomada de decisão e diversidade de experiências, fatores que aumentam a resiliência do negócio diante de desafios. “Startups são feitas por pessoas. Um time bem estruturado transmite segurança, visão estratégica e capacidade de adaptação”, explica Cláudia. Além disso, a diversidade contribui para soluções mais inovadoras e alinhadas às demandas do mercado.
5. Tenha visão estratégica e foco em crescimento sustentável
Após um período marcado por ajustes e mais cautela, investidores passaram a valorizar startups que demonstram visão de longo prazo. Crescer de forma estruturada, com indicadores claros, governança mínima e planejamento estratégico, é essencial para sustentar novas rodadas de investimento. “O foco agora é crescimento com consistência. Não se trata apenas de escalar rápido, mas de construir negócios sólidos, capazes de atravessar ciclos econômicos e gerar valor no longo prazo”, conclui Cláudia.
Para a ABStartups, o recado é claro: 2026 será um ano de oportunidades para startups bem-preparadas. “Quem entende o momento do mercado, se conecta ao ecossistema e constrói bases sólidas sai na frente”, conclui a CEO da ABStartups.
Sobre a Abstartups:
Fundada em 2011, a Associação Brasileira de Startups (Abstartups) nasceu em um momento em que o conceito de startups ainda era novidade no Brasil. Ao longo dos anos, empreendedores de diversas regiões do país começaram a se conectar, impulsionando um movimento que viria a transformar o cenário de inovação nacional. A Abstartups surgiu da união desses empreendedores, com a missão de criar uma rede coesa e colaborativa, voltada para o aprendizado, fomento e geração de oportunidades para startups brasileiras.
Hoje, a associação existe para construir o ambiente ideal para que as startups possam transformar o Brasil. A atuação ocorre de maneira transversal ao ecossistema, buscando criar e fomentar relações entre todos os seus agentes. Ao longo dos seus 14 anos de existência, já realizou 150 eventos com mais de 180 mil empreendedores impactados.

