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De outsiders a reguladas: como as fintechs consolidaram seu papel no sistema financeiro brasileiro

Victor Papi
Última atualização: 19/02/2026 13:53
Victor Papi - General Manager da Transfeera
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O sistema financeiro brasileiro vem passando por uma das transformações mais profundas de sua história recente. O que começou como um movimento de “outsiders”, startups que desafiavam o status quo dos grandes bancos, evoluiu para um ecossistema maduro, diverso e altamente regulado, que hoje é parte essencial da engrenagem financeira do país.

O surgimento das primeiras fintechs no Brasil coincidiu com um momento de grande avanço tecnológico e insatisfação dos consumidores com a experiência bancária tradicional. A digitalização acelerada, a popularização dos smartphones e a busca por soluções financeiras mais acessíveis criaram o ambiente perfeito para o nascimento de novas empresas focadas em eficiência, agilidade e experiência do usuário. Essas companhias trouxeram inovação a segmentos até então concentrados, como pagamentos, crédito e gestão financeira, transformando a relação dos brasileiros com o dinheiro.

Mas o amadurecimento do setor não veio apenas da inovação: veio também da regulação. O Banco Central e outros órgãos reguladores desempenharam papel fundamental ao criar um ambiente de segurança e previsibilidade jurídica. A introdução de categorias específicas, como as Sociedades de Crédito Direto (SCD) e as Sociedades de Empréstimo entre Pessoas (SEP), o lançamento do sandbox regulatório e o avanço de iniciativas como o Open Finance e o Pix foram marcos que profissionalizaram o setor e ampliaram a confiança dos consumidores e investidores.

Segundo o Fintech Report 2024, do Distrito, o Brasil conta hoje com 1.592 fintechs operantes, representando 58,7% das empresas ativas na América Latina. Em volume de crédito, o crescimento também impressiona: R$ 35,5 bilhões concedidos em 2024, de acordo com dados da PwC. Esses números evidenciam não apenas o apetite do mercado, mas também a capacidade das fintechs brasileiras de competir e inovar sob um ambiente regulado.

A regulação trouxe ganhos claros: maior segurança para o consumidor, padronização de práticas e abertura a parcerias estratégicas com instituições tradicionais. Contudo, também impôs novos desafios: custos operacionais mais altos, necessidade de estruturas robustas de compliance e governança, além da constante atualização frente a novas exigências normativas. O equilíbrio entre inovação e conformidade tornou-se o grande diferencial competitivo.

As fintechs que prosperaram nesse novo cenário foram aquelas que entenderam a regulação não como um entrave, mas como um catalisador de crescimento. Muitas investiram fortemente em tecnologia, data analytics e automação de processos para garantir eficiência e transparência. Outras apostaram em alianças com bancos, marketplaces e empresas de tecnologia, ampliando seu alcance e diversificando receitas.

Hoje, as fintechs deixaram de ser vistas como uma ameaça ao sistema financeiro para se tornarem parte estratégica dele. Sua capacidade de combinar inovação tecnológica com responsabilidade regulatória consolidou o Brasil como o principal hub de inovação financeira da América Latina.

O futuro aponta para um ecossistema ainda mais integrado, no qual fronteiras entre bancos, fintechs e big techs se tornam cada vez mais difusas. Nesse cenário, quem melhor entender a regulação como aliada e souber extrair dela eficiência e confiança continuará liderando a transformação do sistema financeiro brasileiro, agora, de dentro para fora.

TAGS:opinião
Por Victor Papi General Manager da Transfeera
Victor Papi é General Manager da Transfeera, empresa da PayRetailers e Instituição de Pagamento (IP) especializada em soluções de pagamentos para empresas. Papi é formado em Engenharia de Produção pela FEI e Pós graduado em Gestão de Negócios pelo Insper. Com 10 anos de experiência no mercado financeiro, liderou a frente de automação e melhoria de processos do Itaú, idealizou as frentes de novos produtos da Porto Seguro, construiu a força de vendas da Cielo com contratação de pessoas jurídicas, e esteve à frente da área de Operações do Bankly. Foi também Diretor de Receita, Produto e Operações na Transfeera antes de assumir o cargo principal da empresa.
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