A inclusão digital deixou de ser apenas uma questão de acesso à tecnologia para se consolidar como um direito fundamental na sociedade. Em um mundo cada vez mais mediado por plataformas digitais, dados e inteligência artificial, estar excluída do ambiente digital significa, na prática, se afastar de oportunidades educacionais, profissionais e da sociedade. Esse cenário se torna ainda mais crítico quando observamos a realidade de meninas e mulheres em situação de vulnerabilidade social, que enfrentam múltiplas camadas de exclusão, marcadas por desigualdades de gênero, renda, raça e território.
Segundo dados das Nações Unidas, publicados em 2025, mais de 89 milhões de mulheres na América Latina, aproximadamente 40% da população feminina, não têm acesso à internet ou não podem pagar pelo serviço. O dado põe em xeque a necessidade da oferta de cursos de capacitação em letramento digital como uma ferramenta estratégica de transformação social.
Mais do que ensinar o uso básico de computadores, celulares ou aplicativos, o letramento digital promove a compreensão crítica das tecnologias, capacitando mulheres para navegar de forma segura, autônoma e consciente no ambiente digital. Isso inclui desde habilidades essenciais, como o uso de plataformas educacionais e ferramentas de comunicação, até noções de segurança da informação, produção de conteúdo, acesso a serviços públicos digitais e inserção no mercado de trabalho.
Para meninas e mulheres em vulnerabilidade social, o impacto dessas iniciativas é ainda mais profundo, uma vez que a falta de acesso à formação digital limita a permanência na escola, dificulta a busca por emprego e restringe o desenvolvimento de habilidades valorizadas no mercado contemporâneo. Ao investir em cursos de capacitação voltados a esse público, cria-se uma ponte concreta entre a realidade social dessas mulheres e as demandas de uma economia cada vez mais digitalizada.
Ao dominar tecnologias que historicamente foram associadas a espaços masculinos, meninas e mulheres passam a se reconhecer como capazes de produzir conhecimento, ocupar espaços profissionais e participar de debates públicos. De acordo com um levantamento de 2025 da Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação), apenas 20% dos profissionais que atuam em tecnologia no país são mulheres. O número é baixo e depende de caminhos para romper ciclos de exclusão e estimular a presença feminina em áreas como tecnologia e inovação.
É importante destacar que um dos aspectos mais relevantes é o impacto intergeracional dessas ações. Mulheres capacitadas digitalmente tendem a atuar como multiplicadoras de conhecimento em suas famílias e comunidades, incentivando o acesso à educação, o uso consciente da tecnologia e a busca por direitos.
Investir na capacitação digital de meninas e mulheres em situação de vulnerabilidade não é apenas uma ação educativa, mas um compromisso com a redução das desigualdades e com a construção de um futuro mais justo, no qual a tecnologia seja uma aliada da emancipação e não um fator de exclusão.

