Um dos maiores órgãos do Poder Judiciário estadual do Brasil, responsável pela prestação jurisdicional a milhões de cidadãos por meio de uma ampla estrutura de unidades judiciais e administrativas, mantém uma estratégia contínua de evolução tecnológica.
Essa estratégia contempla a modernização de aplicações críticas, a renovação da infraestrutura de Tecnologia da Informação (TI), a automação de atividades e a adoção de soluções capazes de ampliar a disponibilidade, a escala, o desempenho e a eficiência dos serviços judiciais.
O Desafio: Sustentar a Expansão do Eproc
Como parte desse movimento de modernização, o órgão iniciou a substituição progressiva de seu sistema eletrônico legado pelo Eproc. A implantação foi estruturada por competências judiciais, permitindo uma transição gradual entre as plataformas.
O cronograma institucional estabeleceu a incorporação progressiva de processos e competências judiciais ao Eproc ao longo do período de transição. Essa estratégia permitiu distribuir a evolução da carga de trabalho de forma controlada e reduzir os riscos associados à mudança do sistema processual.
À medida que a implantação avançava, no entanto, a capacidade da infraestrutura passou a representar um fator crítico para a continuidade do programa.
O ambiente existente não apresentava capacidade suficiente para acompanhar o crescimento do Eproc e a operação simultânea das plataformas durante a transição. A permanência do ambiente no datacenter do órgão exigiria investimentos relevantes em servidores, armazenamento, rede, licenciamento e manutenção, além do reforço da equipe especializada.
Esse cenário também manteria o órgão sujeito aos limites físicos da infraestrutura e aos prazos necessários para aquisição e ampliação de equipamentos, elevando os riscos relacionados à capacidade, ao desempenho e à continuidade dos serviços, com possível impacto no cronograma de expansão do sistema.
O desafio, portanto, não se limitava à ampliação de recursos computacionais. Era necessário estabelecer uma infraestrutura capaz de acompanhar o crescimento da plataforma sem comprometer a operação dos serviços judiciais durante a transição.
A Estratégia de Migração
Para responder a esse desafio, foi estruturado um projeto para migrar a infraestrutura do Eproc para a Amazon Web Services (AWS), contemplando seus componentes de aplicação, banco de dados, documentos e integrações.
O projeto foi conduzido no âmbito do AWS Migration Acceleration Program (MAP), com o objetivo de estabelecer uma base em nuvem segura, escalável e preparada para acompanhar o crescimento da plataforma.
A IOX conduziu a definição e a validação da arquitetura e o planejamento da transição em conjunto com as equipes do órgão. A abordagem contemplou a organização do ambiente, a definição dos controles de segurança e governança, o aprimoramento da visibilidade operacional, a gestão de custos e a preparação das equipes responsáveis pela futura operação.
A estratégia considerou, desde o planejamento, a necessidade de manter o ambiente local integrado à AWS durante a migração e de executar a mudança de forma gradual, permitindo o acompanhamento técnico de cada etapa antes da evolução para a seguinte.
Arquitetura e Execução Técnica
A arquitetura foi estruturada para permitir que os diferentes componentes do Eproc acompanhassem a evolução da demanda sem depender da ampliação física do datacenter.

A camada de aplicação passou a utilizar o Amazon Elastic Kubernetes Service (EKS) para execução dos componentes em contêineres, permitindo o ajuste dos recursos conforme o crescimento das cargas.
O banco de dados foi migrado para o Amazon Aurora compatível com MySQL, com recursos de alta disponibilidade e réplicas de leitura para acompanhar a evolução do ambiente. A arquitetura também incorporou o Amazon ElastiCache para gerenciamento de sessões e cache de consultas.
Os documentos judiciais armazenados no ambiente local foram transferidos com o AWS DataSync para o Amazon Simple Storage Service (Amazon S3)
A integração entre o ambiente local e a AWS foi estabelecida por meio do AWS Transit Gateway, conectando três Virtual Private Clouds (VPCs) ao datacenter do órgão. A conectividade utilizou AWS Site-to-Site VPN com túneis redundantes baseados em IPsec, permitindo a comunicação necessária entre os ambientes durante a transição.
Na camada de acesso, o tráfego da aplicação foi distribuído pelo Application Load Balancer (ALB), com autenticação mútua por Transport Layer Security (mTLS) integrada à Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil).
A publicação da aplicação utilizou o Amazon CloudFront com certificados personalizados e TLS 1.2, enquanto o AWS Web Application Firewall (AWS WAF) foi utilizado para proteção da camada de aplicação.
A criptografia dos dados em repouso utilizou o AWS Key Management Service (AWS KMS), com chaves gerenciadas pelo próprio órgão. O ambiente também incorporou monitoramento centralizado e mecanismos de cópia e recuperação.
O provisionamento da infraestrutura adotou práticas de Infrastructure as Code (IaC), com Terraform, ampliando a padronização, a rastreabilidade, a automação e a repetibilidade das configurações.
Transição e Estabilização do Ambiente
Com a infraestrutura preparada, a migração foi executada de forma gradual e alinhada ao cronograma de expansão definido pelo órgão.
As atividades foram organizadas em etapas técnicas com pontos de validação, sincronização, transição, reversão e estabilização. Esse modelo permitiu acompanhar o comportamento do ambiente durante a execução, validar cada avanço e realizar os ajustes necessários antes da continuidade do processo.

A IOX realizou a configuração dos componentes AWS, coordenou a migração e conduziu a verificação técnica das etapas em conjunto com as equipes do órgão. A existência de mecanismos de reversão reduziu o risco associado à mudança de infraestrutura e permitiu tratar eventuais desvios durante a execução.
O trabalho também contemplou a documentação dos procedimentos, das configurações e das decisões adotadas. A transferência de conhecimento integrou o processo de implantação, preparando as equipes responsáveis para operar o ambiente com segurança, controle e autonomia.
A transição foi concluída preservando a prestação dos serviços, com impacto operacional mínimo para magistrados, servidores, advogados e jurisdicionados.
Resultados e Benefícios
Com a implantação do ambiente do Eproc na AWS, a infraestrutura passou a acompanhar a evolução efetiva da carga de trabalho com maior flexibilidade, reduzindo a dependência de novos ciclos de aquisição e instalação de equipamentos.
A execução da aplicação no Amazon EKS permitiu ajustar seus componentes de forma independente conforme o crescimento da demanda. O Amazon Aurora, com réplicas de leitura, ampliou a capacidade de processamento das operações de banco de dados, enquanto o Amazon ElastiCache reduziu a carga sobre o banco durante períodos de maior utilização, favorecendo tempos de resposta mais estáveis.
A elasticidade da infraestrutura reduziu o risco de limitação de capacidade e permitiu acompanhar a expansão do Eproc com maior agilidade, mantendo o desempenho necessário à operação da plataforma.
Os mecanismos de redundância, distribuição de tráfego, proteção da aplicação, criptografia, cópia e recuperação aprimoraram a disponibilidade, a segurança e a
resiliência do ambiente, fortalecendo sua estabilidade diante do crescimento da demanda.
A adoção de IaC com Terraform ampliou a padronização, a rastreabilidade e a repetibilidade das configurações. As alterações de infraestrutura passaram a ser realizadas de forma mais controlada, reduzindo atividades manuais e aumentando a agilidade das equipes técnicas.
O uso de serviços gerenciados também contribuiu para reduzir a complexidade operacional e direcionar os esforços da equipe para o acompanhamento da capacidade, do desempenho e da segurança do ambiente.
No cenário estimado de produção plena, o consumo mensal da infraestrutura foi projetado em aproximadamente US$150.971, correspondente a um custo anual estimado de US$1.811.652.
Os valores constituem uma projeção de referência baseada na arquitetura dimensionada e podem variar conforme o comportamento das cargas, os ajustes de capacidade e as oportunidades de otimização do ambiente.
Sobre a IOX Cloud
A IOX Cloud é uma empresa especializada em computação em nuvem, com foco na migração, modernização, governança, segurança e operação de ambientes críticos, atuando principalmente no ecossistema do setor público.
Como AWS Advanced Tier Services Partner, possui experiência comprovada na execução de projetos complexos, apoiando organizações desde a avaliação e o planejamento até a migração, a sustentação e a otimização contínua dos ambientes em nuvem.
Com uma equipe de especialistas certificados AWS, a IOX adota uma abordagem consultiva baseada em boas práticas de arquitetura, automação, observabilidade, FinOps e segurança, entregando soluções escaláveis, resilientes e alinhadas aos objetivos estratégicos de seus clientes.

