Depois de crescer impulsionado pelas criptomoedas, o mercado de blockchain começa a disputar espaço dentro das empresas. Bancos, fintechs, indústrias, companhias do agronegócio e operadores logísticos passaram a utilizar a tecnologia para registrar informações, automatizar processos, rastrear produtos e integrar sistemas corporativos. A NearX, startup brasileira especializada em tecnologias emergentes, aposta nesse movimento para ampliar sua atuação. A companhia faturou R$ 2 milhões em 2024, alcançou R$ 7 milhões em 2025 e projeta encerrar 2026 com receita de R$ 10 milhões.
Fundada em 2020 por Caio Mattos, a empresa começou formando desenvolvedores para um setor que ainda enfrentava escassez de profissionais especializados no Brasil. Com o amadurecimento do mercado, passou a desenvolver projetos corporativos que combinam blockchain, inteligência artificial, Internet das Coisas, visão computacional e software sob medida.
“Nos primeiros anos, o principal desafio era formar desenvolvedores. Hoje, é mostrar às empresas que blockchain não é apenas um produto ligado às criptomoedas, mas uma infraestrutura que pode integrar tecnologias, automatizar processos e aumentar a confiabilidade das informações”, afirma Mattos, fundador e CEO da NearX.
Atualmente, a empresa possui cerca de 20 profissionais, escritório em São Paulo, mais de 20 mil alunos formados e projetos desenvolvidos para mais de 20 organizações brasileiras e internacionais.
Blockchain passa a operar nos bastidores
Boa parte das empresas ainda associa blockchain à negociação de criptomoedas. No ambiente corporativo, no entanto, a tecnologia costuma operar nos bastidores, como uma camada responsável por registrar informações e permitir que diferentes participantes consultem uma mesma base de dados.
Em uma operação logística, por exemplo, o blockchain pode registrar cada etapa da movimentação de um produto. No mercado financeiro, pode dar suporte à tokenização de ativos, aos pagamentos internacionais e à liquidação de operações. Na indústria, pode preservar informações relacionadas à produção, à origem de matérias-primas e à manutenção de equipamentos.
“O blockchain funciona como uma espécie de cartório digital compartilhado. Em vez de cada empresa manter uma base isolada, os participantes trabalham com um registro comum, que permite verificar a origem e o histórico das informações”, explica Mattos.
A companhia afirma que sua estratégia não é utilizar blockchain indiscriminadamente, mas identificar situações nas quais a tecnologia possa reduzir ineficiências, aumentar a segurança ou viabilizar novos modelos de negócio.
“Não se trata de colocar blockchain em qualquer processo. A tecnologia precisa resolver uma dor real, reduzir custos, aumentar a rastreabilidade ou permitir uma operação que não seria possível com a infraestrutura tradicional”, diz o executivo.
Integração com inteligência artificial
Outra frente de atuação da NearX é a integração entre blockchain e inteligência artificial. Enquanto os sistemas de IA analisam informações, automatizam tarefas e apoiam decisões, o blockchain pode registrar a origem dos dados e criar um histórico das alterações realizadas.
Na prática, essa combinação permite que uma empresa acompanhe quais informações foram utilizadas por um sistema, como determinado resultado foi produzido e quem realizou cada modificação ao longo do processo.
“À medida que a inteligência artificial ganha autonomia para executar processos, aumenta também a necessidade de comprovar a origem e a integridade dos dados utilizados. O blockchain pode criar essa trilha de auditoria”, afirma Mattos.
A NearX também desenvolve agentes inteligentes, sistemas generativos, ferramentas de classificação de documentos e plataformas capazes de interpretar informações em tempo real. Os projetos são desenhados de acordo com as necessidades de cada companhia e podem envolver mais de uma tecnologia.
“Hoje, dificilmente uma empresa procura apenas blockchain ou apenas inteligência artificial. Ela procura resolver um problema de negócio. Nosso trabalho é entender a operação e combinar as tecnologias necessárias para desenvolver a solução”, diz o CEO.
Da formação de profissionais ao desenvolvimento de projetos
A NearX iniciou suas atividades oferecendo cursos e programas de formação técnica para desenvolvedores. A atuação aproximou a empresa de redes internacionais que buscavam profissionais e parceiros para expandir seus projetos no Brasil.
Com o aumento da demanda corporativa, a startup passou a atuar no desenvolvimento de infraestrutura blockchain, tokenização, aplicações descentralizadas e integração entre sistemas tradicionais e redes distribuídas.
Entre os ecossistemas com os quais a empresa já trabalhou estão Stellar, Optimism, Arbitrum, MultiversX, Internet Computer Protocol, Horizen Labs e ZkVerify.
Na área de Internet das Coisas, a NearX conecta sensores, máquinas e outros dispositivos para coletar dados em tempo real. As aplicações incluem monitoramento remoto de equipamentos, manutenção preditiva, rastreamento de ativos, agricultura inteligente e controle operacional.
A companhia também desenvolve sistemas de visão computacional, que utilizam câmeras e inteligência artificial para interpretar imagens e vídeos, além de plataformas personalizadas para empresas que precisam integrar sistemas legados ou criar novos produtos digitais.
Segundo Mattos, a maior parte dos projetos desenvolvidos atualmente combina duas ou mais dessas frentes.
Crescimento acompanha nova fase do setor
O avanço da NearX acompanha uma mudança no mercado brasileiro. O país possui cerca de 26 milhões de usuários de criptoativos e concentra 58,7% das fintechs de cripto da América Latina, com mais de 1.500 empresas ligadas a áreas como pagamentos, corretagem, emissão de ativos e infraestrutura.
Ao mesmo tempo, iniciativas regulatórias do Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários e o Marco Legal dos Criptoativos contribuíram para aumentar o interesse de empresas por aplicações baseadas em blockchain.
Para Mattos, a tecnologia deverá percorrer um caminho semelhante ao da computação em nuvem. Depois de um período em que era tratada como uma solução específica, passará a funcionar como parte da infraestrutura tecnológica das companhias.
“Há alguns anos, as empresas ainda perguntavam se deveriam utilizar computação em nuvem. Hoje, a nuvem simplesmente faz parte da operação. A tendência é que o blockchain siga esse caminho e seja cada vez menos percebido pelo usuário final”, afirma.
A NearX é uma empresa brasileira especializada no desenvolvimento de soluções em blockchain e tecnologias emergentes. Fundada em 2020 por Caio Mattos, atua com desenvolvimento de software sob medida, infraestrutura blockchain, inteligência artificial, Internet das Coisas e visão computacional. Com escritório em São Paulo, já formou mais de 20 mil alunos e atende empresas e ecossistemas tecnológicos brasileiros e internacionais.

