O Brasil atingiu 81,7 milhões de pessoas inadimplentes em 2026 segundo a Serasa Experian, em um cenário em que o acesso ao crédito ainda está fortemente atrelado a modelos tradicionais de score. Ao mesmo tempo, milhões de brasileiros economicamente ativos seguem fora do radar dessas análises por falta de histórico formal. Diante desse descompasso, tecnologias de avaliação alternativa passam a ganhar espaço ao incorporar variáveis como fluxo de renda, comportamento transacional e recorrência financeira, ampliando a leitura de risco e o potencial de concessão de crédito no país.
“Durante muito tempo, o crédito ficou concentrado em quem já tinha histórico consolidado. Isso limita o sistema, porque exclui pessoas que têm renda e movimentação financeira, mas não conseguem comprovar isso pelos modelos tradicionais. O que começa a mudar agora é a capacidade de olhar para o comportamento financeiro de forma mais ampla”, explica Rafaela Cavalcanti, CEO e cofundadora da CloQ, fintech que criou score de crédito comportamental para acesso a crédito e que auxilia brasileiros a construírem um histórico de crédito positivo.
Esse movimento acompanha uma transformação estrutural no setor financeiro, impulsionada pela digitalização e pelo avanço de fintechs. Com maior disponibilidade de dados e integração via open finance, instituições passam a considerar informações que vão além do histórico de crédito clássico. Na prática, isso abre espaço para perfis historicamente subentendidos — como autônomos, trabalhadores informais e pessoas com renda variável — que passam a ser avaliados com base em sua dinâmica financeira real, e não apenas em registros passados.
Ao mesmo tempo, cresce a relevância de iniciativas que combinam acesso ao crédito com educação financeira. Modelos que trabalham com limites progressivos, acompanhamento de comportamento e comunicação simplificada tendem a incentivar decisões mais conscientes, especialmente entre públicos que estão tendo seu primeiro contato com o sistema financeiro formal.
“Não se trata de substituir o score, mas de complementar a análise com mais contexto. Quanto mais informação qualificada se tem sobre o comportamento financeiro, mais precisa tende a ser a avaliação de risco e isso naturalmente amplia o acesso ao crédito de forma mais sustentável”, completa a CEO.
Sobre a Cloq
Fundada em 2018, a CloQ, fintech que criou score de crédito comportamental para acesso a crédito e que auxilia brasileiros a construírem um histórico de crédito positivo. A empresa desenvolve análise de crédito inclusiva, independente de renda ou do score tradicional, simplificando o acesso para quem mais precisa. Até hoje, a CloQ já realizou mais de 30 mil nano-empréstimos, para pessoas de todo o Brasil. Ao todo, são mais de 150 mil pessoas cadastradas na plataforma.

