A transformação digital tem ampliado as possibilidades de prevenção de perdas no varejo. Tecnologias como o reconhecimento facial, a inteligência artificial e os mecanismos de autenticação permitem tornar operações mais seguras e eficientes. Porém, os resultados não dependem apenas das ferramentas adotadas pelas empresas, mas também da capacidade de compartilhar conhecimento e construir soluções em conjunto.
Essa discussão esteve em pauta no Super Summit by ACATS, realizado em 20 de outubro, em Florianópolis. Na ocasião, mediei o painel “Inteligência colaborativa e LGPD na prevenção de perdas”, ao lado de Thays Joana Tumelero, sócia do Mosimann & Horn Advogados, e Patricia de Souza Christiano, gerente de Crédito, Cobrança e Prevenção de Perdas da Havan. O debate destacou a importância de conciliar segurança operacional, eficiência e uma experiência de compra positiva para o consumidor.
O reconhecimento facial é um exemplo de como a tecnologia pode contribuir para esse objetivo. Na operação de um dos clientes da Deconve, são realizadas mais de 2 milhões de autenticações de pagamento por mês, com 98% de aprovação em até duas tentativas. Recursos como a prova de vida também ajudam a dificultar tentativas de fraude com fotos e vídeos.
Ao mesmo tempo, o avanço dessas soluções exige responsabilidade no tratamento de dados pessoais. A adoção dessas tecnologias precisa estar acompanhada de processos adequados, controles de acesso e respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A proteção do consumidor e a prevenção de fraudes não são objetivos opostos: quando bem planejadas, podem caminhar juntas para construir relações de confiança e tornar a jornada de compra mais segura.
Outro aspecto importante é a colaboração entre empresas. Embora a prevenção de perdas envolva informações sensíveis e exija discrição, a troca responsável de experiências pode ajudar o setor a identificar padrões de fraude, aperfeiçoar procedimentos e desenvolver respostas mais eficazes. Isso não significa expor dados confidenciais ou comprometer a segurança das operações, mas reconhecer que desafios comuns podem ser enfrentados de maneira mais eficiente quando há cooperação.
Essa integração também pode gerar ganhos para os negócios. Ao reduzir vulnerabilidades e minimizar perdas, o varejo pode direcionar recursos para atividades que agreguem valor à operação e ao consumidor. Para isso, é fundamental aproximar as áreas de tecnologia, segurança, prevenção de perdas e proteção de dados, garantindo que a inovação se traduza em resultados concretos sem deixar de lado a responsabilidade no uso das informações.
A participação no Super Summit by ACATS reforçou uma percepção importante: o futuro da prevenção de perdas será construído de forma colaborativa. Para o varejo de Santa Catarina, essa integração representa uma oportunidade de ampliar a eficiência, fortalecer a segurança e aprimorar a experiência do consumidor. Mais do que investir em tecnologia, o desafio é transformar conhecimento compartilhado em processos mais seguros e resultados sustentáveis.

