Uma alteração de temperatura ou uma mudança no padrão de vibração de um motor ou bomba pode parecer apenas um detalhe dentro de um amplo sistema de distribuição de água, mas também pode ser o primeiro sinal de que um equipamento não está funcionando corretamente. Para identificar esses sinais com antecedência e permitir que intervenções sejam planejadas antes que uma falha aconteça, o Grupo Águas do Brasil vem ampliando o uso da manutenção preditiva online como estratégia para aumentar a confiabilidade dos equipamentos, ampliar a previsibilidade das intervenções e reduzir impactos à operação, contribuindo para sistemas mais estáveis e com menor risco de ocorrências que possam afetar a continuidade dos serviços prestados à população.
Na operação, o monitoramento é feito pelo WEGscan, tecnologia que utiliza sensores para acompanhar, em tempo real, a vibração e a temperatura de equipamentos eletromecânicos. Mais do que indicar uma possível anormalidade, as informações coletadas ajudam as equipes a acompanharem sua evolução e a definirem quando e onde uma intervenção deve ser priorizada. Com isso, problemas potenciais podem ser tratados de forma planejada, antes que evoluam para falhas capazes de comprometer equipamentos essenciais à operação dos sistemas.
Na concessionária Águas de Jahu, que atende o município de Jaú, interior de São Paulo, a quantidade de intervenções emergenciais – relacionadas à atuação após a ocorrência de uma falha – diminuiu 65% entre 2023 e 2025 nas unidades monitoradas.
“Em vez de esperar que um equipamento apresente uma falha para então agir, a operação passa a acompanhar as condições dos componentes para programar uma eventual intervenção. Isso contribui para aumentar a previsibilidade da operação, diminuir os riscos associados a manutenções emergenciais e reduzir o tempo em que os equipamentos ficam inoperantes. Na prática, equipamentos mais confiáveis significam maior segurança operacional e menor exposição dos sistemas a paradas não planejadas que poderiam afetar a prestação do serviço”, explica o gerente de operações corporativas do Grupo Águas do Brasil, Ciro Borges de Oliveira.
Na concessionária Águas de Juturnaíba, que atende os municípios de Araruama, Saquarema e Silva Jardim, na Região dos Lagos, constatou-se uma redução de 35% no número de manutenções corretivas realizadas nos equipamentos acompanhados de 2023 a 2025, indicando maior confiabilidade. Na prática, isso significa que os ativos permaneceram mais tempo em operação antes da ocorrência de uma nova falha, ampliando a estabilidade dos sistemas e reduzindo intervenções não programadas.
Também houve mudança no perfil das intervenções. De 2023 a 2025, as manutenções planejadas oriundas das preditivas tiveram aumento de 10 pontos percentuais, reforçando a capacidade das equipes de atuar de forma antecipada. Essa evolução demonstra crescente capacidade de identificar previamente necessidades de manutenção, portanto maior segurança e menos riscos associados a continuidade dos serviços.
Previsão de 450 sensores até 2027
A tecnologia começou a ser utilizada pelo Grupo Águas do Brasil em 2021 e vem sendo expandida desde então. Atualmente, são mais de 350 sensores em operação. A previsão é chegar a mais de 450 sensores até 2027, com a solução implantada em 11 concessionárias do grupo. A expansão contempla unidades de diferentes etapas do ciclo do saneamento e amplia a capacidade de monitoramento de equipamentos importantes. Em períodos de maior demanda sobre os sistemas, como em momentos de altas temperaturas, a disponibilidade desses ativos se torna ainda mais relevante.
O projeto começou com a instalação de sensores para monitoramento de vibração e temperatura na concessionária Águas de Juturnaíba e foi ampliado gradualmente para diferentes unidades da operação. Na concessionária Águas de Jaú, além da redução nas corretivas, a aplicação da tecnologia entre 2023 e 2026 resultou em aumento da disponibilidade das unidades em questão, chegando a 99,2%. O índice representa o percentual do tempo em que se encontram disponíveis para operação. Em termos práticos, uma disponibilidade elevada reduz a probabilidade de impactos no funcionamento dos sistemas e aumenta a capacidade de resposta às necessidades de abastecimento.
“O monitoramento contínuo aumenta nossa capacidade de identificar sinais de anormalidade, antecipar problemas e direcionar recursos. Com os dados em mãos, conseguimos tomar decisões mais assertivas sobre quando intervir e quais equipamentos devem ser priorizados, aumentando a previsibilidade da operação. Esse planejamento reduz a exposição a falhas inesperadas, o que, no fim da cadeia, representa mais segurança para a prestação do serviço à população”, explica Oliveira.
Sobre o Grupo Águas do Brasil
Fundado em 1998, o Grupo Águas do Brasil é um dos principais grupos privados de saneamento básico do país, presente em 32 municípios nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Com 15 concessionárias e duas unidades industriais, e mais de 5 milhões de pessoas atendidas, a companhia é 100% nacional e possui contratos de longo prazo de concessão, contribuindo para universalizar a cobertura dos serviços de água e esgoto no Brasil.

