Atualmente, empresas do setor financeiro lideram a adesão de inteligência artificial no mercado, com 33% delas já adotando a IA e 17% a IA generativa de forma parcial ou ampla nos negócios, como aponta o estudo KPMG Global AI in Finance Report. Na prática, tecnologias em nuvem e automação não ocupam mais o posto de tendências e se tornaram base para escala e eficiência. A IA acompanha esse processo, fundindo-se às operações e aos serviços de maneira tão integrada que se tornou uma exigência para a competitividade dos negócios.
A fronteira, agora, é a evolução da IA Generativa assistiva, representada pelos copilotos, para sistemas de IA agêntica integrados ao Open Finance e a pagamentos instantâneos, capazes de planejar, orquestrar e executar fluxos de trabalho com autonomia controlada. 84% das instituições do setor financeiro estão buscando nessa ferramenta uma solução para automatizar e otimizar as atividades de compliance e monitoramento de transações, segundo o Global Compliance Study 2025, da PwC.
Os clientes esperam das instituições, hoje, entregas de serviços simples, imediatos e disponíveis a qualquer momento, além de desejarem que elas antecipem necessidades e resolvam demandas de forma proativa, mantendo transparência e controle sobre seus dados.
As referências de atendimento já não se restringem a outro banco mais moderno, mas também englobam as melhores experiências digitais oferecidas por qualquer setor. Assim, motivados pela pressão do mercado, 30% dos executivos do setor consideram a IA agêntica como prioridade máxima de investimento ainda para 2026, de acordo com a pesquisa The future of financial services, também desenvolvida pela PwC.
Shadow AI e o setor financeiro
Contudo, a escalabilidade dos serviços vem ancorada em desafios persistentes no desenvolvimento de princípios e diretrizes corporativas para o uso responsável da IA e na garantia de segurança e privacidade dos dados, gargalos apontados por, respectivamente, 72% e 56% dos respondentes do relatório da KPMG.
Considerando que diferentes instituições dependem, cada vez mais, dos mesmos provedores de nuvem, modelos de IA e plataformas de dados, essa sujeição pode fazer com que uma falha isolada evolua e cause um impacto para todo o ecossistema de finanças.
É nesse contexto que surge o termo Shadow AI, que conceitua quando o uso de ferramentas de IA ocorre fora dos controles da organização e informações corporativas ou dados de clientes podem ser compartilhados sem visibilidade sobre armazenamento e utilização.
Neste cenário, o estabelecimento de governança e ferramentas autorizadas, além da orientação aos usuários, estão entre as melhores práticas para o combate à Shadow AI, garantindo segurança ao uso da tecnologia a longo prazo, de modo a potencializar os ganhos da IA sem que se perca o controle sobre os dados.
Dessa maneira, a competição do setor financeiro nos próximos cinco anos não será mensurada somente pela velocidade de lançamento de novos serviços, mas pela capacidade de uma organização proteger dados, manter operações críticas e recuperar-se rapidamente em momentos de crise.
No entanto, essa dinâmica será menos definida pelo tipo de instituição e mais por quem controla a jornada do cliente. Bancos seguirão fortes em confiança, liquidez, escala e segurança regulatória, mas não concentrarão toda a relação com o consumidor, enquanto fintechs e empresas especializadas focarão em agilidade e as Big Techs, em distribuição e dados.
A vantagem estará nas mãos de quem adotar o modelo human-in-the-loop, em que o profissional participa ativamente na supervisão, validação, correção ou tomada de decisões finais em conjunto com um sistema automatizado, a partir de critérios de confiabilidade, rastreabilidade e escalonamento.
Já o diferencial para as instituições do setor será combinar escala e credibilidade com agilidade e capacidade de personalização de produtos e serviços. No próximo ciclo de transformação tecnológica, a confiança, principal ativo do setor financeiro, será também uma capacidade tecnológica, seguida por inovação e resiliência operacional, agora tratados como agendas integradas.
Mesmo com os desafios oferecidos pela Shadow AI, o futuro deste mercado passa pela IA agêntica, contribuindo para a geração de valor principalmente no que diz respeito à segurança de transações, ao engajamento e à experiência dos clientes junto às companhias.

