Ao utilizar este site, você concorda com a nossa política de privacidade e termos de uso.
Aceitar
starten.techstarten.techstarten.tech
Redimensionador de fontesAa
  • hubs
  • notícias
  • oportunidades
  • carreira
  • colunistas
  • artigos
  • pt
    • pt
    • en
Leitura: A insustentabilidade da saúde suplementar e o resgate da prevenção no ambiente de trabalho 
compartilhar
Redimensionador de fontesAa
starten.techstarten.tech
  • hubs
  • notícias
  • oportunidades
  • carreira
  • colunistas
  • artigos
pesquisar
  • quem somos
  • manifesto
  • contato
siga starten.tech>
2023 © starten.tech. Todos os direitos reservados.
starten.tech > notícias > artigos > A insustentabilidade da saúde suplementar e o resgate da prevenção no ambiente de trabalho 
artigos

A insustentabilidade da saúde suplementar e o resgate da prevenção no ambiente de trabalho 

Dr. Eduardo Gonçales
Última atualização: 25/09/2026 15:42
Dr. Eduardo Gonçales
compartilhar
compartilhar

Durante muito tempo, a discussão sobre saúde corporativa se resumiu ao reajuste do plano de saúde. Hoje, essa abordagem já não basta. Com projeções de reajustes entre 9% e 10% para os contratos empresariais em 2026 — praticamente o dobro da inflação estimada de 4,8% —, as empresas brasileiras enfrentam um desequilíbrio financeiro iminente. O plano de saúde já representa o segundo maior custo das organizações com seus colaboradores, atrás apenas da folha de pagamento, exigindo que as lideranças parem de apenas pagar a conta e passem a liderar a organização desse cuidado.

O grande desafio dessa transição de postura, no entanto, é que as companhias estão presas em um impasse complexo: por um lado, o plano de saúde é o benefício mais valorizado pelos profissionais e indispensável para reter talentos. Por outro, o modelo tradicional do setor estimula a utilização desordenada e ineficiente da rede credenciada, empurrando as contas para patamares insustentáveis. 

Esse ciclo vicioso já provoca impactos severos: a pesquisa Cenário do RH no Brasil 2025, da ABRH, revela um recuo histórico no número de empresas que conseguem oferecer o benefício. Trata-se de um sinal claro de que o mercado atingiu o limite financeiro, tornando urgente a transição para soluções que controlem custos sem desamparar as pessoas.

É nesse ambiente que a atenção primária ganha espaço definitivo. Quando o colaborador é acompanhado ao longo do tempo pela mesma equipe de saúde, diminuem drasticamente as internações evitáveis, as idas desnecessárias aos prontos-socorros e a realização de exames redundantes. Um estudo da Johns Hopkins com clínicas instaladas no ambiente corporativo comprovou um retorno de até US$3,61 para cada dólar investido, impulsionado justamente por essa racionalização de procedimentos. O grande mérito desse modelo não está em acumular mais exames ou consultas, mas em acompanhar a jornada de saúde do colaborador de forma contínua, usando dados e tecnologia para mapear fatores de risco antes que eles evoluam para quadros graves.

Minha trajetória de mais de duas décadas no Hospital das Clínicas da Unicamp vi inúmeros pacientes darem entrada com quadros graves que poderiam ter sido facilmente prevenidos ou manejados meses antes em consultas de atenção básica. Hipertensão descontrolada, diabetes ainda não diagnosticada e sinais iniciais de sofrimento emocional ilustram bem essa dinâmica. Se detectados cedo, exigem intervenções muito mais simples, entregam desfechos clínicos infinitamente melhores e evitam custos catastróficos. Quando transpomos esse aprendizado do hospital público para as corporações, percebemos que o gargalo financeiro das empresas é, na verdade, a falta de uma coordenação preventiva no cuidado de seus profissionais.

Vale ressaltar que o problema não reside no plano de saúde, ele continua sendo um benefício essencial. O desafio real é operacionalizar e gerir essa saúde de forma integrada. Para que um programa de Atenção Primária à Saúde (APS) entregue impacto real, é indispensável garantir qualidade assistencial, adesão ativa dos colaboradores, integração estreita com a rede credenciada e um acompanhamento rigoroso de indicadores de desempenho. Sem esses pilares bem estruturados, dificilmente haverá redução de sinistros ou melhoria clínica real.

Para que essa mudança de rota ocorra de fato, a saúde corporativa precisa deixar de ser encarada apenas como um encargo operacional do RH. Ela afeta diretamente a saúde financeira, a produtividade interna e a sustentabilidade de longo prazo do negócio. Por essa razão, esse debate deve migrar definitivamente para a mesa do C-level, integrando diretores financeiros (CFOs) e a alta liderança executiva na tomada de decisões estratégicas de saúde.

Empresas que estruturam uma atenção primária consistente passam a negociar reajustes com maior previsibilidade porque conseguem acompanhar com precisão a saúde de sua população. O segredo do modelo não está em onde a clínica se localiza, seja física ou por telessaúde, mas na continuidade do cuidado. O médico de família que conhece o histórico de vida de cada paciente toma decisões muito mais assertivas, direciona os casos com clareza e evita que queixas simples se transformem em eventos de alto custo para a corporação. Cuidar preventivamente é a única saída sustentável para equilibrar as contas corporativas e garantir o bem-estar de quem faz o negócio acontecer.

TAGS:opinião
Por Dr. Eduardo Gonçales
Diretor Médico na HealthBit e presidente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar da Fundação Centro Médico de Campinas. Médico Assistente da Faculdade de Medicina da Unicamp, infectologista com mais de 23 anos de experiência no Hospital das Clínicas da Unicamp, atuou como docente da disciplina de Atenção Primária à Saúde da Unicamp até 2023. Com ampla experiência clínica e em gestão, sua trajetória é marcada pela liderança em projetos voltados ao controle de surtos infecciosos e potenciais pandemias.
Deixe um comentário

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

últimas notícias

Criatividade, consciência e estratégia: a tríade que a IA ainda não possui
Tags: opinião
Startup catarinense cria curativo que pode permanecer até sete dias sobre a ferida sem troca
Tags: tecnologia
Nexa inaugura a era dos investimentos hiperpersonalizados ao lançar a plataforma Nexa Genesis
Tags: tecnologia
Peers Consulting + Technology abre inscrições para programa de estágio com mais de 20 vagas nas áreas de negócios e tecnologia
Tags: tecnologia
Rodrigo Silva, Professor HOC e Ricardo Wagner estão entre os destaques do primeiro dia do HJ Conference
Tags: empreendedorismo

notícias relacionadas

artigos

Criatividade, consciência e estratégia: a tríade que a IA ainda não possui

6 Min leitura
artigos

A inteligência artificial que importa chega antes da internação

5 Min leitura
artigos

IA brasileira: soberania tecnológica que gera valor para o mercado

4 Min leitura
artigos

O fim de uma era para as fintechs: da disrupção à maturidade

4 Min leitura

editorial

starten.tech: jornalismo digital que traduz o dinamismo local para o contexto global de inovação, startups e tecnologia.

🏆vencedor do Brasil Publisher Awards 2024 na categoria “Melhor site de Tecnologia”.

sugira uma pauta

(51) 99990-3536
[email protected]

tags

agtech artigos carreira colunistas cursos editais edtech especial eventos femtech fintech foodtech geek govtech healthtech hubs lawtech legaltech logtech oportunidades Sem categoria tech vagas

cadastre-se

starten.techstarten.tech
siga starten.tech>
2024 © starten.tech. Todos os direitos reservados.
  • quem somos
  • contato
  • política de privacidade
  • termos de uso
Vá para versão mobile
Welcome Back!

Sign in to your account

Perdeu sua senha?