O iFood utiliza agentes de inteligência artificial para apoiar de forma proativa sua base de microempreendedores, identificando automaticamente pequenos restaurantes em risco e enviando recomendações personalizadas de melhoria no cardápio, fotos e descrições de pratos. A prática já é normalizada na operação da empresa e tem evitado o fechamento de negócios, segundo Thiago Cardoso, diretor de Inteligência Artificial, Machine Learning e Dados do iFood, em palestra no Fórum Executivo do TDC São Paulo 2026, realizado em 24 de setembro para executivos e lideranças de tecnologia.
Vinte e um por cento da base do iFood são microempreendedores. Restaurantes pequenos, muitas vezes operados por uma única pessoa que cuida da produção, do caixa, da embalagem e da entrega ao motorista. “É o microempreendedor ali tocando o dia a dia, a operação e a parte estratégica do negócio dele”, explicou Thiago durante o evento fechado no Pro Magno, em São Paulo.
Um agente de IA monitora continuamente a base de restaurantes parceiros e identifica situações de risco, como ausência de pedidos, cardápios mal estruturados ou fotos inadequadas. Quando detecta um problema, entra em contato de forma proativa com o empreendedor e oferece recomendações específicas de melhoria. Em cenários recorrentes na base de clientes, microempreendedores que não recebiam pedidos passaram a vender no dia seguinte aos ajustes sugeridos pela ferramenta.
Um caso representativo apresentado por Thiago ilustra a dinâmica: uma microempreendedora de food truck que estava prestes a desistir do iFood por não receber pedidos recebeu contato proativo do agente com sugestões de modificação no cardápio. Após implementar as mudanças recomendadas, o primeiro pedido chegou no dia seguinte. “Como a gente escala esse cuidado, essa atenção ativa, para toda a nossa base de restaurantes? Essa é a única forma de fazer”, afirmou o executivo.
O iFood processa quase 200 milhões de pedidos mensalmente. Sem automação inteligente, seria inviável oferecer suporte personalizado e proativo para toda a base de parceiros, especialmente os de menor porte que não têm equipe dedicada para gestão digital. “21% do iFood são restaurantes pequenos. Às vezes é a mesma pessoa que opera o restaurante, recebe no caixa, embala a comida, entrega para o entregador”, contextualizou Thiago.
O agente de apoio a empreendedores faz parte de uma estratégia mais ampla de uso de inteligência artificial no iFood. A empresa mantém mais de 30 mil agentes internos criados por seus aproximadamente 8 mil funcionários e quase 200 modelos de IA em produção, que impactam 30% do EBITDA da companhia. Hoje, 70% do atendimento de primeiro nível é automatizado, 98% dos criativos de marketing são gerados por IA, 30% dos pull requests em analytics são feitos por agentes e 80% das análises de dados vêm de agentes, não de pessoas.
“Desligar hoje o IA, o machine learning, dentro do iFood é impensável. Isso já faz parte do nosso core, já faz parte de como a gente atende”, afirmou o executivo durante a palestra no Fórum Executivo, formato restrito para lideranças de tecnologia dentro do TDC.
Segundo Thiago, a inteligência artificial é a única forma de escalar qualidade e personalização em operações de alta demanda. “Não existe outra forma de escalar qualidade que não seja com IA. Escalar a personalização, conseguir ter um cuidado super personalizado em escala”, disse.
Sobre o TDC
O TDC (The Developers Conference) é o maior evento de desenvolvimento de software da América Latina, com mais de 250 mil participantes acumulados em suas edições. O Fórum Executivo é um formato fechado dentro do TDC São Paulo 2026, voltado exclusivamente para lideranças e executivos de tecnologia.

