Uma empresa não se torna global apenas porque seu CEO viaja ou porque realiza algumas vendas no exterior. Para o fundador e CEO da WTM International, Lisandro Vieira, a internacionalização somente se consolida quando passa a fazer parte da cultura da organização e alcança todos os seus profissionais.
Essa foi a principal reflexão apresentada pelo empresário durante o Forbes Paraguay Future of Services Summit 2026, realizado na última terça-feira, 8, na sede do Banco Central do Paraguai, em Assunção. Promovido pela Forbes Paraguay e pela Cámara Paraguaya de Servicios y Tercerización (CAPASER), o encontro reuniu lideranças empresariais, representantes do poder público e especialistas para discutir o futuro da economia do conhecimento e da exportação de serviços.
Vice-presidente da Asociación Latinoamericana de Exportadores de Servicios (ALES), Vieira participou da programação com uma apresentação sobre a construção de uma mentalidade exportadora e os caminhos para que as empresas desenvolvam equipes verdadeiramente globais. “Uma empresa se torna verdadeiramente global quando a internacionalização deixa de ser uma iniciativa isolada da liderança, passa a fazer parte da sua cultura e alcança todo o time”, afirmou.
Segundo Vieira, Brasil e Paraguai compartilham uma característica: apesar de possuírem talento, tecnologia e capacidade para competir internacionalmente, muitas empresas ainda concentram suas operações no mercado interno. No Brasil, apenas seis em cada mil empresas possuem alguma receita proveniente do exterior.
Para o executivo, parte dessa realidade está relacionada à forma como os empresários enxergam a internacionalização. Diante de diferenças de idioma, moeda, cultura, fuso horário e sistema tributário, as barreiras acabam recebendo mais atenção do que as oportunidades.
“Muitos empresários enxergam mais obstáculos do que oportunidades, mais paredes do que pontes. O mercado interno brasileiro é grande, mas o mercado que existe além das nossas fronteiras é muito maior. O primeiro passo para acessá-lo é mudar o pensamento local para uma mentalidade global”, avaliou.
Na WTM, essa visão foi transformada em uma estratégia de desenvolvimento de pessoas. A empresa oferece aulas de inglês aos colaboradores, patrocina experiências internacionais e reúne profissionais de diferentes países, ampliando a diversidade e o intercâmbio cultural dentro do ambiente de trabalho.
Atualmente, 85% dos colaboradores da WTM já tiveram pelo menos uma experiência internacional totalmente patrocinada pela companhia, incluindo passagens, hospedagem, alimentação e transporte. Para 86% deles, essa foi a primeira viagem internacional a trabalho, e mais da metade ainda não possuía passaporte antes da oportunidade oferecida pela empresa.
“Esses números representam muito mais do que viagens. Representam pessoas ampliando horizontes, conhecendo outras culturas e descobrindo que também podem fazer parte da construção de uma empresa global”, destacou Vieira.
Sobre a WTM
A WTM desenvolve soluções para simplificar e consolidar exportações e importações internacionais de serviços e tecnologia, com segurança e inteligência tributária. Em duas décadas, atendeu mais de 4,2 mil clientes, entre eles empresas como Qive, Involves, Omie, DigitalOcean, Veriff e Walmart. Além do Brasil, a empresa está em expansão para outros países. Atualmente já possui unidades nos EUA, Canadá, Emirados Árabes Unidos, México, Peru, Portugal e Uruguai.

