Realizar pesquisas rápidas em plataformas de inteligência artificial tornou-se uma atividade cotidiana, como mostram dados do estudo State of Search Brasil, produzido pela agência Hedgehog Digital: no Brasil, 8 em cada 10 pessoas utilizam alguma ferramenta de IA com essa finalidade, sendo que as preferidas dos usuários são o ChatGPT, da OpenAI (82%), seguido por Gemini, do Google (45%), e pela Meta AI (42%).
No entanto, essa atividade aparentemente simples, repetida simultaneamente por milhões de usuários ao redor do mundo, vem ampliando significativamente a demanda energética global. Por trás de cada comando realizado em uma ferramenta de IA existem data centers operando continuamente e consumindo volumes cada vez maiores de eletricidade. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o consumo desses centros de processamento deve mais do que dobrar até 2030, impulsionado principalmente por aplicações de IA.
Como consequência, esse movimento já começa a alterar diretamente a dinâmica energética global. A U.S. Energy Information Administration (EIA) projeta que os EUA devem atingir o consumo recorde de mais de 4 trilhões de quilowatt-hora (kWh) em 2026, reflexo tanto do aumento da demanda social como da infraestrutura necessária para sustentar o avanço da IA. Nesse cenário, a energia, mais do que um insumo operacional, ocupa um papel estratégico para a economia digital.
Ao mesmo tempo em que cresce a necessidade por capacidade energética, governos, instituições e empresas buscam alternativas mais sustentáveis para apoiar essa nova demanda tecnológica. É nesse contexto que o Brasil ganha relevância internacional: segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), 88,2% da matriz elétrica brasileira é composta por fontes renováveis, índice que coloca o país entre as principais referências globais em energia limpa.
Além disso, a diversificação da matriz energética nacional, com forte presença de hidrelétricas, biomassa, energia eólica e solar, amplia o potencial brasileiro para atrair investimentos ligados tanto ao setor energético quanto ao desenvolvimento de infraestrutura tecnológica e armazenamento de dados. Como resultado da combinação entre disponibilidade energética e fontes renováveis, criamos uma vantagem competitiva importante em um momento em que sustentabilidade e capacidade operacional passam a caminhar juntas.
A grande questão agora é entender se o Brasil está preparado para transformar esse diferencial em uma oportunidade de desenvolvimento a longo prazo, capaz de atrair investimentos, fortalecer sua infraestrutura tecnológica e ampliar sua relevância na nova economia digital.
Em conclusão, a corrida pela inteligência artificial costuma ser discutida sob a ótica da inovação, velocidade e capacidade computacional. Porém, existe uma camada menos visível sustentando tudo isso: energia. Cada pergunta feita a uma IA, cada automação criada e cada avanço tecnológico anunciado depende de uma infraestrutura que precisa funcionar de forma contínua, eficiente e sustentável. Acredito que o grande diferencial dos próximos anos será justamente esse: sustentar as transformações sem comprometer o futuro energético e ambiental. E, nesse contexto, o Brasil tem a oportunidade de assumir um papel relevante na construção da nova economia digital.

