O professor da Universidade Feevale Marcelo Curth, em conjunto com Ítalo José de Medeiros Dantas, aluno de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Processos e Manifestações Culturais, e Anelise Becker, acadêmica do mestrado em Administração, desenvolveu o Sports Value Model – Canvas, modelo de negócios voltado às particularidades do setor esportivo. A proposta foi publicada no livro Educação Física em Pernambuco – Saberes, Práticas e Desafios, publicação do Conselho Regional de Educação Física de Pernambuco (CREF-PE). Os três pesquisadores são autores do capítulo que apresenta o modelo.
O método foi desenvolvido a partir da integração de conhecimentos de empreendedorismo, marketing e gestão estratégica, buscando oferecer uma ferramenta aplicável à estruturação e ao desenvolvimento de negócios e iniciativas no esporte. Diferentemente de sistemas genéricos de modelagem de negócios, a proposta considera características específicas desse contexto, como a experiência do público, o relacionamento, a capacidade de adaptação e a necessidade de integrar estratégia e operação.
Conforme Curth, uma das principais contribuições está em transformar diferentes decisões, necessárias à criação de um negócio, em uma estrutura integrada e de fácil visualização. “Muitas vezes, o empreendedor no esporte identifica uma oportunidade e possui uma boa ideia, mas encontra dificuldades para transformá-la em uma proposta de negócio estruturada. O Sports Value Model – Canvas busca facilitar justamente esse processo. O modelo permite visualizar de forma integrada qual problema se pretende resolver, para quem se deseja gerar valor, qual será a solução, como ela será entregue e quais recursos, parceiros, receitas, custos e indicadores serão necessários. Dessa forma, facilitamos a proposição do negócio e ajudamos o empreendedor a compreender como suas decisões estão conectadas à criação de valor”, explica.
Aplicação em organizações esportivas de diferentes portes
Uma das características do Sports Value Model – Canvas é a possibilidade de utilização por empreendedores e organizações esportivas com diferentes estruturas e níveis de complexidade. Clubes, academias, projetos esportivos, startups, empresas prestadoras de serviços e outras organizações vinculadas ao esporte podem utilizar a ferramenta tanto para estruturar novos negócios quanto para analisar e aperfeiçoar modelos existentes.
O modelo contempla desde o problema central, solução, proposta de valor e posicionamento até aspectos relacionados ao segmento de mercado, formato de entrega, experiência do usuário e relacionamento. A estrutura também incorpora atividades e recursos-chave, fontes de fornecimento, parcerias, receitas ou geração de valor social, estrutura de custos e métricas de desempenho.
Segundo Curth, essa estrutura amplia a possibilidade de utilização da ferramenta em diferentes realidades do mercado esportivo. “A criação de valor no esporte não depende apenas de uma boa ideia. É preciso compreender o público, construir uma proposta relevante, proporcionar uma experiência coerente e desenvolver uma estrutura que torne o negócio viável. Pensamos, portanto, em um modelo que possa ser utilizado por organizações de diferentes portes e que ajude o gestor a conectar estratégia, mercado, experiência e operação. A intenção é oferecer uma ferramenta prática para apoiar decisões, estruturar novos negócios e estimular a inovação no esporte”, complementa.
O desenvolvimento do modelo também está relacionado à atuação do professor como líder do Grupo de Trabalho Temático (GTT) em Empreendedorismo e Modelagem de Negócios da Associação Brasileira de Gestão Esportiva (ABRAGESP). A atuação busca aproximar a produção acadêmica das demandas do ecossistema esportivo, especialmente em temas relacionados ao empreendedorismo, inovação, gestão e desenvolvimento de novos modelos de negócios.
O livro pode ser acessado no link: https://bit.ly/4wQZJme.
Professor e acadêmicos da Feevale desenvolvem modelo de negócios voltado ao setor esportivo
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