A Inspira, legaltech criada por advogados que viveram a dor da rotina jurídica, capta R$ 15 milhões em rodada liderada pela Cloud9 Capital, com participação do Vivo Ventures, Corporate Venture Capital da Vivo. O aporte marca a consolidação do ecossistema operacional com IA para o Direito brasileiro, uma categoria de produto que une, em um único ambiente, as principais tarefas que estruturam a prática jurídica.
A rodada acontece em um momento de inflexão para o mercado jurídico global. Só no primeiro trimestre de 2026, legaltechs movimentaram US$ 1,42 bilhão em 35 rodadas de investimento, o equivalente a cerca de um terço de tudo o que o setor captou ao longo de 2025, segundo levantamento do Legaltech Hub. Empresas como Harvey, Legora e Clio estão à frente desse ciclo nos Estados Unidos e na Europa, oferecendo tecnologia que muda a forma como os advogados atuam.
No Brasil, a tese encontra um terreno particularmente fértil. O país concentra hoje 1,4 milhão de advogados – um para cada 164 habitantes -, a maior proporção do mundo e 1,5x a dos Estados Unidos. Em paralelo, segundo o Goldman Sachs, 80% das tarefas jurídicas rotineiras já podem ser automatizadas com IA. O cruzamento entre a maior densidade de advogados do mundo e a maturidade tecnológica para automatizar a maior parte do trabalho é o que torna o momento brasileiro singular. A questão deixa de ser se a IA chega à advocacia, e passa a ser qual IA faz sentido para o Direito.
As IAs genéricas que dominaram o primeiro ciclo de adoção ampliaram o leque de plataformas disponíveis e, com isso, multiplicaram a fragmentação do trabalho jurídico. A proposta da Inspira é o caminho oposto: unificar. Em um único ambiente, o advogado utiliza uma interface conversacional para buscar dados jurídicos públicos coletados pela empresa e integrá-los com a sua própria base de conhecimento.
Além disso, consegue delegar tarefas complexas a robôs que as executam de forma autônoma, transformando a inteligência documental do escritório em uma base de conhecimento consultável. Juntos, esses recursos eliminam o vaivém operacional que define a rotina do advogado hoje.
“Quando fundamos a Inspira há quatro anos, partimos da convicção de que a tecnologia jurídica de alto padrão que já existia ao redor do mundo deveria estar acessível no Brasil. A virada não está em ter mais uma IA, mas em ter uma IA local que entenda Direito. Hoje, com o aporte da Cloud9 Capital e do Vivo Ventures, materializamos essa visão em um ecossistema único e estamos prontos para levar essa promessa a todos, sejam departamentos jurídicos, grandes escritórios, faculdades, órgãos públicos ou advogados autônomos. Não estamos lançando uma nova versão da Inspira, mas inaugurando uma nova categoria de produto para a advocacia brasileira”, afirma Rafael Grimaldi, CEO e cofundador da Inspira.
A Inspira atende mais de 300 clientes, somando mais de 17 mil usuários ativos. A ferramenta integra a rotina da maior parte dos grandes escritórios do país — entre eles Pinheiro Neto, BMA, Veirano, Cescon Barrieu, Demarest e Tozzini Freire — e de boa parcela dos maiores bancos, como Itaú, BTG, XP, Inter, Goldman Sachs e Safra, além de departamentos jurídicos de grandes corporações como a Vivo. “Antes de ser um investimento, a Inspira foi uma decisão do próprio jurídico da Vivo, que já usava para jurisprudência. Isso diz mais sobre o produto do que qualquer métrica: quando os advogados mais exigentes escolhem uma ferramenta no dia a dia, a tese se valida sozinha”, afirma Phillip Trauer, diretor do Vivo Ventures e da Wayra Brasil.
Com atualização diária, sua base de dados cobre 86 tribunais brasileiros e processa 83 milhões de decisões. Em casos de sucesso, a legaltech reduziu em 90% o tempo gasto em atividades operacionais, permitindo que as equipes dediquem mais tempo à estratégia e ao atendimento ao cliente.
“O Brasil possui um dos cenários jurídicos mais complexos e hiper-regulados do mundo, com bases de dados massivas e totalmente desestruturadas e descentralizadas. A Inspira já resolve a dor de pesquisa nos principais escritórios e departamentos jurídicos do país, e agora dá um passo transformacional além dos dados, sendo a ferramenta operacional do dia a dia do advogado com IA generativa. Essa já é uma realidade global, Harvey e Legora captaram bilhões e atendem milhares de escritórios. O Brasil, sendo o maior mercado jurídico do mundo, com mais de 1,4 milhão de advogados, não vai ser diferente. Vemos a Inspira liderando esse movimento”, diz Noah Stern, sócia e cofundadora da Cloud9 Capital.
Com o aporte, a Inspira vai acelerar sua evolução em duas frentes: a primeira é o aprimoramento contínuo do produto, que receberá novas integrações com outras ferramentas já presentes na rotina dos advogados, além de passar a resolver novas tarefas que otimizam o dia a dia jurídico. A segunda é a expansão do mercado: após consolidar sua presença no segmento de alto padrão, a legaltech agora foca em amplificar o acesso à ferramenta atendendo profissionais de todos os portes e estruturas.
Sobre a Inspira:
Fundada em 2022 por advogados, a Inspira é o ecossistema operacional de IA para a prática jurídica brasileira. Em quatro anos, consolidou-se como referência entre a maioria das grandes bancas e departamentos jurídicos do país, entre eles Pinheiro Neto, BMA, Safra, XP, Itaú e Vivo. Suas soluções integradas unificam o trabalho jurídico em um único ambiente seguro, devolvendo tempo ao profissional do Direito sem expor dados sigilosos a IAs genéricas. A Inspira soma mais de 17 mil usuários ativos e processa 83 milhões de decisões de 86 tribunais brasileiros.


