Depois de construir, escalar e vender uma empresa por US$ 100 milhões em 2018, a maioria dos empreendedores aproveitaria um merecido descanso. Mas para o trio Paulo Orione, Gustavo Tremel e Daniel Smolenaars, o ambiente corporativo consolidado durou pouco. Dois anos após o exit histórico da startup de modelagem 3D Decora, os sócios voltaram ao ecossistema de inovação para atacar uma das dores mais latentes do mercado corporativo moderno: a gestão de riscos e o compliance digital.
A nova aposta dos fundadores é a VAAS, uma startup especializada em gestão de risco inteligente que vem crescendo de forma acelerada ao transformar o modo como grandes corporações avaliam fornecedores, parceiros e clientes. A tese do negócio nasceu da percepção de que, no cenário atual, a reputação e a própria sobrevivência de uma empresa estão diretamente ligadas às ações de terceiros com os quais ela se relaciona.
“As empresas são corresponsáveis não só pelo que elas fazem, mas pelo que os parceiros, colaboradores e fornecedores fazem. Vemos isso muito em bancos que estão tendo dificuldades ou sendo indiciados por conta de lavagem de dinheiro e por facilitar crimes de alguma forma, porque não avaliam da maneira correta o risco das partes com quem se relacionam”, afirma o cofundador e CMO da VAAS, Paulo Orione.
Escala, automação e dados massivos: as engrenagens da VAAS
Se no passado a análise de risco e compliance era vista como um departamento moroso e majoritariamente manual, a VAAS utiliza tecnologia e automação para mudar a dinâmica do setor. A plataforma analisa e monitora dados em massa, aplicando algoritmos para classificar perfis e apontar inconsistências de forma preditiva.
A escala da operação impressiona e reflete o volume de dados consumido pelo mercado:
- – 20 milhões de terceiros analisados por mês: a plataforma faz a varredura contínua de CPFs e CNPJs para mapear conexões e histórico de risco;
- – 5% a 10% de casos de altíssimo risco identificados: em suas análises diárias, a solução detecta associações com o crime organizado, pessoas politicamente expostas (PEPs) de alto perfil e processos judiciais sensíveis;
- – 80 clientes ativos no modelo SaaS/consumo: o faturamento acompanha a volumetria de dados consumida pelas empresas;
- – Monitoramento contínuo: diferente do modelo tradicional focado apenas no onboarding (cadastro inicial), a VAAS reavalia os perfis periodicamente (mensal ou semestralmente) para identificar novos fatores de risco.
“Enquanto no modelo antigo uma equipe olhava um a um os milhares de fornecedores e clientes, a VAAS encontra um sistema que automatiza esse fluxo. Olhamos para os riscos de processos e histórico geral para entregar um score de risco e trazer, com automação, só os casos mais importantes para a mesa de decisão”, explica Orione.
A proposta vai além de evitar prejuízos financeiros pontuais. O executivo destaca que falhas graves na validação de clientes e parceiros podem resultar em sanções do Banco Central, encerramento de operações e impactos sociais em cadeia.
“Antes, a análise de risco era vista quase só como uma obrigação, algo feito em segundo plano. Hoje, as empresas enxergam como um diferencial competitivo que atrai investimentos e clientes. Posicionar-se como uma empresa segura protege investidores e garante o futuro do negócio”, ressalta o CMO.
A mentalidade de “serial founders”
Iniciando no empreendedorismo ainda na faixa dos 20 anos, o trio de fundadores mantém uma divisão clara de papéis que garantiu o sucesso de suas empreitadas anteriores: Tremel na liderança operacional (CEO), Smolenaars no comando da tecnologia (CTO) e Orione à frente da estratégia de mercado e marketing (CMO).
Para Orione, a motivação em criar a VAAS após o milionário exit da Decora reside no dinamismo dos primeiros estágios de uma startup. “A parte mais feliz para a gente é estar criando. Depois que a empresa é adquirida e fica grande, são outros desafios, mas criar um negócio novo é o que mais nos diverte”, revela.
A trajetória da VAAS também seguiu a disciplina de validação que os sócios acumularam ao longo dos anos. Antes de consolidar o produto atual, a equipe testou diversas hipóteses até encontrar uma dor de mercado real e com escala suficiente.
Para quem está começando agora a jornada no ecossistema de tecnologia, Orione aponta que a inteligência artificial mudou drasticamente as regras do jogo para quem deseja validar um modelo. “Quando comecei a empreender, tudo era muito mais difícil porque você tinha que saber programar e conectar tudo na raça. Hoje, com IA, é muito mais fácil colocar uma ideia de pé rápido. A minha dica é usar a IA para testar múltiplas ideias. O que não muda é que você precisa resolver um problema real do mercado: teste rápido e, se não der certo, já parta para a próxima”, conclui o empreendedor.
Sobre a VAAS
Fundada em Florianópolis e com presença em São Paulo, a VAAS é uma empresa de tecnologia especializada em gestão de risco inteligente. Sua plataforma conecta mais de 40 fontes de dados e utiliza IA preditiva para automatizar processos de KYC, prevenção à lavagem de dinheiro e conformidade regulatória. Com mais de R$ 100 milhões em contratos ativos, a startup lidera a transição para um compliance digital, autônomo e integrado à estratégia de negócios.


