Contratar profissionais experientes e altamente qualificados não garante, automaticamente, a formação de uma equipe de alta performance. Pelo contrário: especialistas alertam que é comum que times recém-formados atravessem períodos de baixa produtividade, conflitos e desalinhamento antes de conseguirem operar de forma realmente coletiva. Segundo um estudo da consultoria Gartner, apenas 29% dos profissionais afirmam que suas equipes colaboram de forma efetiva entre áreas e funções, um dos principais desafios para resultados sustentáveis nas organizações.
Para Susana Azevedo, especialista em desenvolvimento de equipes de liderança e transformação cultural e sócia da Quantum Development, esse processo costuma ser mal interpretado pelas empresas. “No início temos um grupo de pessoas, eventualmente super bem qualificadas e com boa intenção, tentando contribuir com a sua especialidade”, explica. Ela compara o cenário à formação de um time de futebol repleto de estrelas, mas que ainda não encontrou conexão dentro de campo. “A baixa performance inicial não é sinal de que as pessoas erradas foram escolhidas. É sinal de que o coletivo ainda não existe”.
Segundo a especialista, muitas organizações tentam acelerar esse processo por meio de ações pontuais, como workshops de cultura ou eventos de integração, mas acabam criando uma falsa sensação de maturidade da equipe. “O mais frequente é acharem que um simples team building de 2 dias vai resolver. Nada disso é inútil. Mas não é suficiente”, pontua. Para ela, integração real se constrói no cotidiano, em meio aos desafios concretos do trabalho.
Sinais de que o time ainda não existe
Alguns sinais indicam que o grupo ainda funciona mais como um conjunto de indivíduos do que como uma equipe estruturada: decisões excessivamente centralizadas no líder, comunicação que passa apenas por tarefas operacionais, reuniões focadas apenas em repassar informações e conflitos evitados ou tratados de forma agressiva. “Há ainda um sinal mais sutil: ninguém propõe algo que beneficia o time como um todo, porque não há identidade coletiva para sustentar esse tipo de iniciativa”, destaca Susana.
A especialista explica que o desenvolvimento coletivo exige tempo, intenção e acompanhamento contínuo da liderança. Nesse contexto, o papel do líder não é resolver tudo, mas criar as condições para que o grupo consiga operar de forma mais autônoma e conectada. Na prática, três elementos costumam fazer diferença na construção de equipes mais saudáveis e eficazes: clareza sobre propósito e responsabilidades, ritmo consistente de conversas sobre as formas de trabalho e espaço seguro para diálogos difíceis. “Quando o time não consegue falar sobre seus próprios desafios carrega um peso invisível do não dito, das emoções não partilhadas, que consomem energia que deveria ir para a entrega”, explica Susana.
Para ela, líderes que compreendem essa dinâmica deixam de atuar apenas como gestores de tarefas e passam a exercer um papel de desenvolvimento coletivo e de orquestradores. “O líder que forma bem um time vai, progressivamente, se tornar menos necessário para o funcionamento cotidiano. Isso não é perda de relevância. É uma entrega de qualidade. É trabalho bem feito”, conclui.
Sobre a Quantum Development
Com foco no desenvolvimento de equipes de liderança de alta performance, a Quantum Development apoia seus clientes na profissionalização e na transformação da cultura organizacional em um mundo em constante evolução. Criada em 2021 pelas sócias-fundadoras Bianca Aichinger e Susana Azevedo, que somam mais de duas décadas de experiência no mercado corporativo nacional e internacional, a empresa tem em seu portfólio clientes como Grupo Leveros e Uappi.


