A inteligência artificial já acelera tarefas, automatiza relatórios e reduz tempo operacional em empresas de diferentes setores. Mas, para Danilo Custódio, mestre em inteligência artificial há mais de 20 anos e CEO da Mirante Tecnologia, o impacto mais relevante da IA não está na produtividade, e sim na transformação da própria natureza do trabalho.
Segundo o executivo, muitas empresas ainda utilizam IA apenas para tornar mais rápidos processos antigos, sem questionar se eles continuam fazendo sentido. “O ganho real da IA não é fazer a mesma coisa mais rápido. É permitir que as pessoas façam outra coisa. O trabalho operacional perde espaço para julgamento, argumento e decisão”, afirma.
Para que essa mudança aconteça, Danilo afirma que três camadas precisam ser reconstruídas na ordem correta: objetivo, processo e software. “Trabalho não muda sozinho. Ele depende do software, o software depende do processo e o processo depende do objetivo real que ele serve. Ignorar essa ordem é apenas otimizar estruturas antigas”, explica.
1. Objetivo antes da tecnologia
Segundo Danilo, o primeiro erro das empresas é acelerar processos sem questionar por que eles existem. “Muitas organizações confundem o objetivo do processo com o artefato produzido por ele, como planilhas, relatórios ou aprovações”, afirma. “A primeira pergunta que deve ser feita, e a mais difícil, é: o processo que eu quero acelerar com IA deveria existir em primeiro lugar?”.
O executivo cita como exemplo o orçamento corporativo. “O objetivo real não é ‘produzir uma planilha consolidada para planejar gastos e receitas’. É permitir que líderes saibam o que podem decidir, contratar e executar. Quando o propósito muda, o processo inteiro pode ser redesenhado”, diz.
2. Processos redesenhados
Depois de redefinir o objetivo, a próxima camada é o processo. Segundo o CEO, modelos tradicionais foram construídos para sistemas que apenas registravam informações, enquanto processos AI-native operam com interação e raciocínio.
“Hoje, muitos fluxos corporativos ainda funcionam por preenchimento manual, validação técnica e bloqueios rígidos. Um processo AI-native funciona diferente. O agente conversa, questiona, confronta contexto e registra divergências”, explica.
Para Danilo, isso reduz retrabalho e antecipa conflitos que antes apareciam apenas nas etapas finais de decisão. “O conflito cedo é barato. O conflito tarde vira desgaste político”, afirma.
3. Software deixa de ser tela e vira agente
“A terceira camada é o erro silencioso de muitas empresas. Elas redesenham o processo no papel e tentam executá-lo com o software de antes. Sistemas tradicionais foram feitos para tela, campo e workflow. Isso funciona para preenchimento, mas não para elicitação e confrontação de contexto”, diz Danilo.
Segundo o CEO, softwares AI-native combinam camadas conversacionais, onde o raciocínio acontece, e visuais, onde o contexto fica exposto, permitindo que pessoas interajam com agentes inteligentes enquanto acompanham dados, análises e contexto das decisões. “Isso não se encaixa bem em arquiteturas legadas. Pode coexistir, mas o valor não vem da integração, vem da substituição. Copiloto colado no ERP entrega ganho marginal. Software AI-native entrega outro modo de trabalhar”, afirma.
Ao colocar as três camadas em prática, o papel dos profissionais dentro das empresas muda, liberando tempo humano para funções mais estratégicas. “O líder deixa de defender planilha e passa a argumentar contexto. O analista deixa de preencher relatório e passa a estruturar hipóteses. A IA transforma o trabalho quando remove tarefas que existiam apenas para compensar a ausência dela”, explica.
Apesar da força da IA, a tecnologia só funciona se possuir dados estruturados, que precisam estar acessíveis, serem históricos e confiáveis, ou seja, reconhecidos pelos funcionários como corretos e íntegros.
“A IA não é transformadora porque vai substituir o trabalho humano. Ela é transformadora porque torna visível o quanto desse trabalho, hoje, existe só para compensar a ausência dela”, conclui o CEO.
Sobre
A Mirante Tecnologia é especializada em fortalecer negócios acelerando a transformação digital e inovação por meio de soluções tecnológicas. Com 28 anos de atuação, desenvolve soluções para atender necessidades específicas de negócios com um portfólio que conta com soluções de inteligência artificial, low-code, squads gerenciadas, consultoria especializada e fábrica de software. A Mirante é uma das principais parceiras da OutSystems nas Américas, atendendo marcas como Sicoob, Petrobras, Unimed, Serasa, Banco do Brasil e Wiz. Além disso, também é parceira da Crew.AI. Em outubro de 2025, a Mirante Tecnologia foi reconhecida como Melhor Fornecedor de Tecnologia da Informação e Comunicação na oitava edição do Prêmio Melhores Fornecedores Petrobras.

