
A transformação provocada pela inteligência artificial generativa sobre busca, descoberta digital e aquisição de clientes foi tema central do painel “O fim do marketing como conhecíamos”, realizado na última quinta-feira, 7, durante a Gramado Summit 2026. Entre os participantes estava Alexandre Caramaschi, cofundador da Naia, plataforma pioneira em GEO no Brasil, e CEO da Brasil GEO, que discutiu como tecnologias como ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity estão alterando profundamente a dinâmica do marketing digital.
Segundo Caramaschi, a ascensão das interfaces conversacionais inaugura uma nova camada de distribuição digital, em que as marcas passam a disputar presença diretamente dentro das respostas geradas por IA e não somente as melhores posições em buscadores tradicionais.
“O modelo baseado exclusivamente em tráfego orgânico passa a perder eficiência à medida que os usuários deixam de navegar por listas de links e passam a consumir respostas prontas geradas por IA. A disputa agora é por relevância dentro da resposta”, afirma Alexandre Caramaschi.
Esse movimento tem impactado as empresas globalmente. Segundo o relatório The Big SMB Website Trends Report, produzido pela WordStream by LocaliQ, cerca de 40% das empresas relataram queda no tráfego vindo do Google após atualizações recentes e a integração de respostas geradas por inteligência artificial (IA) nos resultados de pesquisa. Neste cenário, setores como varejo e serviços têm buscado alternativas para manter audiência e aquisição digital, investindo em automação e análise de dados para otimizar a jornada do cliente em múltiplos canais.
O debate acontece em um momento em que o mercado global começa a consolidar o conceito de GEO (Generative Engine Optimization), prática voltada à otimização de marcas para motores generativos de resposta. Diferente do SEO tradicional, centrado em indexação e ranking em buscadores, GEO envolve reputação digital estruturada, dados organizados, autoridade temática e presença contextual em sistemas de IA.
Durante o painel, Caramaschi destacou que a mudança impacta diretamente marketing, e-commerce e aquisição digital. “Durante duas décadas, o marketing digital foi construído sobre a lógica do clique. Agora, entramos em um cenário em que os agentes de IA passam a intermediar a descoberta, comparação e até decisão de compra. Esse movimento muda completamente a forma como as marcas precisam estruturar conteúdo, reputação e dados”, diz.
Avanço do “Agentic Commerce”
A discussão também abordou o avanço do “Agentic Commerce”, modelo em que agentes inteligentes executam tarefas em nome do usuário, incluindo buscas, recomendações e compras. Nesse cenário, atributos como schema markup, feeds estruturados, consistência de dados e reputação acessível passam a influenciar diretamente a recomendação algorítmica.
Para Caramaschi, empresas que ainda tratam a IA generativa apenas como tendência tecnológica correm o risco de perder relevância na próxima camada de descoberta digital. “Quem entender cedo como funcionam os mecanismos de recomendação das IAs cria uma vantagem competitiva importante. O GEO não é uma extensão do SEO tradicional. É uma nova lógica de distribuição digital”, completa.
A participação no Gramado Summit reforça o posicionamento da Naia como uma das primeiras plataformas brasileiras dedicadas à GEO. A empresa monitora, analisa e otimiza a forma como marcas são interpretadas e recomendadas por motores de IA generativa, combinando monitoramento multi-LLM, inteligência competitiva e automação de conteúdo.

