O avanço da digitalização no setor de saúde tem colocado sob os holofotes o uso estratégico de dados clínicos e operacionais. Com regulações cada vez mais criteriosas, atores do sistema público e privado têm investido em novas frentes de atuação, conectadas a soluções tecnológicas, que tragam não somente mais assertividade no atendimento aos beneficiários, mas contribuam para uma gestão eficiente de recursos e para um modelo de medicina preventiva.
Até recentemente, a maioria das operadoras de saúde suplementar carecia de informações essenciais para atuar com foco na prevenção. Esse cenário começa a mudar com a implementação de sistemas para análise de dados, como a atuação da NEXDOM, healthtech especializada em soluções para gestão das operadoras Unimed, e da Interall, empresa responsável por consolidar dados clínicos em um único repositório interoperável, ambas integradas ao projeto Sinergia Unimed. Hoje, a Interall concentra dados de 2,5 milhões de beneficiários, conectando 600 prestadores e processando 300 mil transações por dia. Isso permite, por exemplo, que um médico acesse o resultado de um exame feito recentemente, evitando duplicidade de solicitações e acelerando o diagnóstico — uma economia para a operadora e um ganho de resolutividade para o paciente.
Além disso, com dados estruturados em tempo real, operadoras conseguem identificar grupos de risco, como pacientes com hipertensão ou obesidade, e direcionar programas preventivos antes que ocorram eventos de maior gravidade e custo. O modelo permite a transição de uma medicina baseada em serviços para uma medicina baseada em valor. “A NEXDOM viabiliza a jornada digital desde o cadastro até o prontuário, enquanto a Interall garante que esses dados sejam acessíveis e úteis em toda a cadeia de saúde”, explica o gerente de Cliente e Mercado da NEXDOM, Helio Jugurta.
Os dados anonimizados também podem ser utilizados para estudos populacionais e análises de comportamento, possibilitando decisões estratégicas para uma atuação preventiva em nível regional e nacional.
Segurança e privacidade
Diante da sensibilidade dos dados de saúde, o modelo de interoperabilidade segue rigorosamente a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), com múltiplas camadas de segurança, anonimização, consentimento do paciente e rastreabilidade. “Dado de saúde não é substituível. Por isso, existe toda uma legislação, um cuidado e supervisão sobre isso. Os dados são sensíveis, mas o trabalho também é muito profundo em termos de segurança de dados”, reforça o CEO da Interall, Luis Colombo.
As duas empresas já aplicam inteligência artificial para gerar resumos clínicos e alertas automáticos, mas a visão de futuro vai além: tornar o acesso a esses dados algo simples e intuitivo. “O desafio não é mais armazenar ou processar dados, e sim fazer com que eles sejam consumidos de forma inteligente, por todos os perfis de usuário. Queremos transformar o consumo do ambiente digital de algo complexo para algo extremamente simples”, completa Colombo.
Efeito de dados de agendamento e presença para a saúde
Um caso de uso estratégico de dados ocorreu na Nina Tecnologia, que oferece comunicação inteligente e integrada aos sistemas de gestão na saúde, permitindo agendamentos, pesquisas de satisfação, confirmações de presença e outros serviços. Na Unimed Grande Florianópolis, o uso da solução de mensagens integradas ao sistema de gestão reduziu em mais de 30% a taxa de ausência em atendimentos ao automatizar o lembrete a pacientes sobre consultas e exames.
“Métricas como taxa de agendamento efetivo, respostas em tempo regulado pelo plano de saúde, presença confirmada, e nível de satisfação do paciente são extremamente estratégicas. Soluções de agendamento na saúde, por exemplo, ajudam diretamente as operadoras a atenderem às exigências da ANS quanto ao cumprimento de prazos de marcação e acompanhamento da jornada do beneficiário”, explica o CEO da empresa, Roberto Dozol.
Ainda, métricas como taxa de agendamento efetivo, presença confirmada e nível de satisfação do paciente têm peso estratégico na gestão interna das instituições de saúde. Dozol destaca que os dados coletados a partir das interações automatizadas se mostram valiosos para ajustes de processos e tomada de decisão: informações de confirmações de consulta permitem otimizar agendas e reduzir ociosidade; registros de check-in ajudam a manter cadastros atualizados e agilizar o acolhimento; e as pesquisas de satisfação oferecem subsídios para melhorias contínuas e servem como indicadores internos de qualidade.
No entanto, Dozol ressalta que a fragmentação das informações entre diferentes sistemas e a baixa integração da operação de dados ainda representam obstáculos significativos na gestão da informação dentro dos estabelecimentos de saúde. Para contornar essas barreiras, soluções como a Nina Tecnologia, com integrações nativas aos principais ERPs e plataformas do setor ajudam a garantir que os dados circulem de forma estruturada e confiável, favorecendo uma gestão mais eficiente e baseada em evidências.
Governança de dados eleva qualidade na saúde
Com mais de 150 milhões de exames e consultas processados por ano, a Pixeon, uma das maiores health techs da América Latina, lida diariamente com informações altamente sensíveis — que vão de prontuários eletrônicos e diagnósticos laboratoriais a dados genéticos e financeiros. No ambiente hospitalar e laboratorial, o uso inadequado desses registros pode gerar riscos jurídicos, financeiros e, em casos extremos, ameaçar vidas. Por isso, a governança de dados deixou de ser apenas uma prática recomendada para se tornar requisito, envolvendo segurança da informação, padronização de nomenclaturas médicas e interoperabilidade entre sistemas. A Pixeon adota padrões como HL7, DICOM e LOINC para garantir que informações circulem de forma segura e estruturada, além de criptografia, autenticação forte e controle de acesso por perfil para preservar a integridade dos registros desde a origem.
Além da proteção, a centralização e unificação de dados clínicos em sistemas integrados permitem que hospitais e laboratórios não apenas cumpram legislações como LGPD, ANS e ANVISA, mas também transformem dados dispersos em informações acionáveis para gestão e assistência. “A Pixeon atua como um hub tecnológico de saúde, transformando dados clínicos e laboratoriais de formatos diversos em informações estruturadas, seguras e interoperáveis, o que facilita o uso assistencial, administrativo e científico, sempre com rastreabilidade e conformidade legal”, afirma o Head de Produtos, Tiago Calado. Esse processo reduz erros, aumenta a eficiência operacional e contribui para a melhoria contínua da qualidade do cuidado.
A boa governança de dados permite monitorar indicadores, identificar problemas e otimizar recursos. No Hospital Ana Nery, em 2024, o sistema Pixeon Smart reduziu em 28% o tempo de internação de pacientes de alta complexidade, digitalizou 90% dos processos e aumentou em 18% o volume de cirurgias. Ao investir em novas tecnologias, sobretudo com IA, será possível identificar padrões em dados clínicos e laboratoriais, antecipar complicações, otimizar fluxos e oferecer recomendações baseadas em evidências. “Nossos resultados foram obtidos ao longo de 15 anos de parceria e uso do sistema, ou seja, um planejamento a longo prazo. Esses recursos contribuem para maior segurança do paciente, eficiência operacional e qualidade do cuidado”, destaca Tiago.

