A forma como buscamos informação on-line mudou. As inteligências artificiais estão no centro dessa transformação digital, acelerando novos comportamentos com foco nas “buscas zero clique” — pesquisas em que o usuário obtém a resposta diretamente na página de busca, sem a necessidade de clicar em links externos.
Um estudo da Nexus divulgado neste ano revelou que quase metade dos brasileiros (48%) usa IA para pesquisar informações gerais na internet. Isso indica que modelos de IA conversacionais, como ChatGPT, Perplexity e Microsoft Copilot, estão disputando a atenção do usuário em um espaço que antes era dominado pelo Google.
Essa evolução também impactou a criação de conteúdo on-line e a estratégia SEO. Surge, então, o GEO (Generative Engine Optimization), ou Otimização para Mecanismos Generativos — uma estratégia focada em garantir que marcas, produtos e serviços sejam citados, recomendados ou utilizados como referência dentro das respostas produzidas pelas IAs.
As diferenças entre SEO e GEO
Enquanto o SEO tradicional tem por finalidade posicionar empresas nas páginas de resultado dos buscadores (as chamadas SERPs), o GEO permite visibilidade sem cliques. Como consequência, os indicadores de sucesso de uma estratégia com foco orgânico também mudam.
No passado, o desempenho era medido basicamente pelo volume de acessos. Hoje, a análise precisa considerar também a construção de autoridade na página de busca e a presença nas LLMs. Esse novo cenário nos coloca diante de métricas ainda imprecisas e de ferramentas que não acompanham totalmente essa evolução, o que torna o processo de mensuração mais complexo.
Otimizar conteúdo para IAs torna-se, portanto, essencial para garantir relevância nesse novo modelo de busca. Mas o que, afinal, leva uma inteligência artificial a mencionar uma marca?
Fatores de ranqueamento de conteúdo nas IAs
Sabe-se que as IAs priorizam menções a conteúdos mais aprofundados, que respondem às principais dúvidas do usuário e apresentam informações claras sobre determinado serviço ou produto.
Conteúdos com tom conversacional tendem a aparecer mais nas menções. São textos que reproduzem o tom e ritmo de uma conversa real, priorizando a conexão com o leitor, não apenas a informação.
A estrutura é outro fator importante. Manter um texto escaneável, organizado em headings, listas e bullet points, com parágrafos curtos, ajuda a aumentar as chances de a empresa ser citada nas conversas.
Outro ponto a ser considerado é a popularidade da marca. Quanto mais uma empresa é mencionada na internet, maior a chance de ser reconhecida como uma “fonte de autoridade” e, portanto, mencionada pela IA.
Por fim, para evitar erros ou informações defasadas, IAs como o ChatGPT seguem a diretriz de buscar na internet dados mais recentes sempre que o assunto exigir atualização. Logo, se temos um conteúdo atualizado, de fácil compreensão pelas máquinas, com linguagem próxima e assinado por uma autoridade, maiores são nossas chances de ganhar exposição.
Como criar conteúdo com foco em IAs
Produzir conteúdos relevantes e originais é fundamental para uma boa estratégia de SEO. E não poderia ser diferente quando falamos em ranqueamento dentro das IAs. Até porque há, inclusive, o debate no mercado de que GEO não é uma área apartada, mas um pilar de SEO.
Uma boa dica na hora de criar conteúdo para IAs é trabalhar o conceito E-E-A-T, um acrônimo utilizado pelo Google para avaliar a qualidade dos conteúdos: Experiência (Experience); Expertise (Especialidade); Autoridade (Authoritativeness); e Confiança (Trustworthiness).
A evolução do SEO
O SEO segue vivo, mas em evolução para refletir o novo comportamento de busca dos usuários. O Google também avança nesse sentido, com o AI Overview — que gera resumos por IA no topo da página de resultados — e outros recursos baseados em inteligência artificial, como o IA Model.
A chegada do GEO reforça a necessidade de marcas e times de conteúdo adaptarem o processo de criação, pois tudo indica que essa é uma realidade que veio para ficar. Isso também passa pelo estreitamento do relacionamento entre as áreas. Afinal, um site citado pelas IAs também precisa ter bom desempenho: carregamento rápido, código limpo e acessibilidade.
Diferentes perfis precisam trabalhar juntos para criar um canal relevante e adequado à nova era de buscas. Não basta apenas escrever nem só desenvolver. É preciso olhar para a experiência em sua totalidade.

