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Leitura: “Eu não sabia o que era, mas era isso que eu queria”. A transição de carreira que levou Cris Pellegrin ao universo das startups
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starten.tech > notícias > carreira > “Eu não sabia o que era, mas era isso que eu queria”. A transição de carreira que levou Cris Pellegrin ao universo das startups
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“Eu não sabia o que era, mas era isso que eu queria”. A transição de carreira que levou Cris Pellegrin ao universo das startups

Pedro Barbosa
Última atualização: 15/06/2025 20:56
Pedro Barbosa - editor
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Cris Pellegrin é gestora de Recursos Humanos e Head de Cultura e Pessoas na Ventiur Smart Capital.
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Desencantada com a cultura de produtividade forçada na indústria tradicional, Cris Pellegrin enfrentou uma reviravolta pessoal e profissional que a levou do desemprego ao cargo de Head de Cultura e Pessoas na Ventiur Smart Capital. Em 2018, sem saber ao certo o que significava esse mundo de inovação, startups e tecnologia, ela recorda que só tinha uma certeza: queria trabalhar em um ambiente onde ideias e pessoas fossem mais valorizadas do que a hora extra no final do expediente.

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O início no ecossistema de inovaçãoDa recepção ao time: a transição para o que sempre quis fazerRH com tecnologia e afeto: criando espaços de escutaRH em tempos de IAQuando a transição vira inspiração

Cris trabalhou por mais de uma década na indústria, acumulando experiências em São Paulo, Novo Hamburgo e São Leopoldo. Apesar da estabilidade aparente, algo a incomodava profundamente: a forma como a produtividade era medida. “Eu dizia que, se precisasse fazer hora extra, era porque eu não fui competente durante o meu horário normal de trabalho”.

Neste período, a desmotivação cresceu. Cris passou a cometer erros que não faziam parte do seu perfil. Foi quando a empresa decidiu ‘promovê-la ao mercado de trabalho’, como ela mesma definiu. A expressão, bem-humorada, marcou o início de uma das fases mais incertas, e transformadoras, da sua vida.

Sem emprego e com uma família para sustentar, Cris mantinha um sonho aparentemente distante: queria trabalhar em empresas como o Google ou o Facebook. “Eu via as pessoas felizes em ambientes descontraídos. Queria estar num lugar onde a produtividade fosse levada a sério, mas sem rigidez, sem controle pelo relógio”.

Ela ainda não sabia, mas estava descrevendo o universo das startups.

Com formação em Recursos Humanos e experiência acumulada desde 2011, Cris decidiu que era hora de empreender. Abriu um CNPJ e foi em busca de pequenas empresas que valorizassem pessoas. “Eu dizia que queria empresas pequenas que crescem. Não sabia que o nome disso era startup”.

O início no ecossistema de inovação

A entrada da Cris no mundo da inovação veio através das conexões. Participando de grupos como a Embaixada Geração de Valor, de Flávio Augusto, ela descobriu o Parque Tecnológico São Leopoldo – Tecnosinos e passou a frequentar eventos no polo de tecnologia. Foi apadrinhada por Izabel Santos e Vanessa Batisti, então sócias da H2Hub (hoje Viggas Co.lab), que a convidaram para atividades de apoio a startups e a apresentaram a novas oportunidades. Ela costuma dizer que foi ‘adotada’ por Izabel, que a acolheu e indicou para a Ventiur mesmo quando ainda não sabia o que era uma startup. “A Bel me adotou. Tudo que ela podia fazer para me ajudar, ela fez”, recorda Cris.

Foi assim que, em uma sexta-feira, Cris recebeu um convite inesperado: uma entrevista com Sandro Cortezia, CEO da Ventiur, aceleradora de startups com sede no Tecnosinos. “Eu nem sabia dizer o nome da empresa, não sabia o que ela fazia. Não tinha me preparado para nada”.

Mesmo assim, foi contratada.

Da recepção ao time: a transição para o que sempre quis fazer

Inicialmente contratada para uma função administrativa, Cris viu na oportunidade sua porta de entrada no mundo que tanto desejava. “Quando descobri que a Ventiur era uma aceleradora e tinha dezenas de startups no portfólio, eu pensei: não é possível que eu cheguei aqui”.

Poucos dias depois de ser contratada, veio o lockdown da Pandemia de Covid-19. Cris passou a trabalhar remotamente e viu sua atuação se expandir. “Eu nunca tinha trabalhado de forma remota. Precisei me reinventar”. Ela desenvolveu processos, adotou ferramentas digitais e passou a liderar iniciativas de RH voltadas para startups, atuando com seleção, perfil comportamental e desenvolvimento humano.

Nos anos seguintes, Cris atuou como mentora em eventos como o Startup Weekend e passou a compartilhar sua experiência com novos empreendedores, inclusive como colaboradora do Startup Academy. Atualmente é gestora de Recursos Humanos, Head de Cultura e Pessoas na Ventiur e participa ativamente da seleção de startups investidas.

RH com tecnologia e afeto: criando espaços de escuta

Cris transformou sua experiência em uma abordagem única de recursos humanos: mais colaborativa, mais empática, sem perder o foco em resultados. Em sua atuação na Ventiur, lidera processos seletivos, aplica testes de perfil, treina equipes e apoia empreendedores em fases iniciais de seus negócios.

Com a Pandemia, adaptou testes e métodos ao ambiente digital. Hoje, usa inteligência artificial (IA) para agilizar análises de perfil, escrever relatórios automatizados e testar ferramentas que ajudam a identificar a complementaridade entre sócios de startups. “Nosso foco é no empreendedor. Mais do que no negócio em si”.

RH em tempos de IA

Com a mesma inquietação que guiou sua transição de carreira, Cris escreveu um e-book com dicas sobre as competências do RH em tempos de IA. “O livro Competências do Futuro: O profissional de RH em tempos de IA nasceu como um experimento: eu queria aprender a usar o ChatGPT. Fui escrevendo como aluna da IA”.

O material, publicado na Amazon, recebeu feedbacks positivos de colegas da área. Mais do que um produto, tornou-se um símbolo da sua capacidade de aprender fazendo e compartilhar esse aprendizado com os outros. “Meu propósito é dividir conhecimento. Não faz sentido guardar tudo o que eu aprendo”, destaca Cris.

Quando a transição vira inspiração

A história de Cris tem gerado curiosidade e admiração. Ex-colegas da faculdade e profissionais de outras áreas a procuram para entender como ela ‘chegou lá’. Para ela, porém, o caminho ainda está em construção. “Se olhar de 2017 para cá, tudo mudou. Mas ainda tem muito o que aprender, muito o que crescer”.

Além de atuar na Ventiur, Cris foi a centésima integrante do Instituto Ladies in Tech, reconhecida por sua relevância no incentivo ao empreendedorismo feminino, mesmo sem ter fundado uma startup. Além disso, é uma das coordenadoras do ‘É coisa de mulher by Ventiur’, uma iniciativa que busca dar visibilidade e multiplicar as mulheres que investem, empreendem, mentoram e lideram no ecossistema de inovação.

Em 2025, Cris completou cinco anos na Ventiur. À frente das iniciativas de RH, ela segue fazendo aquilo que queria, mesmo sem saber que isso se chamava startup: transformar ambientes, conectar pessoas e abrir portas para quem também quer recomeçar.

TAGS:carreira
Por Pedro Barbosa editor
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Jornalista e Mestre em Comunicação, ambos pela Unisinos. Possui pós-graduação - MBA em Design Digital e Branding e pós-graduação em Gestão da Tecnologia da Informação, ambos pela Uninter. Já atuou no setor público e privado, tendo trabalhado no governo do Estado do Rio Grande do Sul, com deputados estaduais, federais, no Jornal NH e no Parque Tecnológico São Leopoldo - Tecnosinos.
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