Estar em Lima, no Peru, para o LAD AWARDS Gala X, edição que marcou os 10 anos da premiação, foi uma oportunidade de observar de perto trabalhos produzidos em diferentes partes da América Latina e, principalmente, perceber o quanto nossos contextos culturais aparecem nas soluções que criamos.
Mais do que uma linguagem visual específica que pudesse definir o design latino-americano, o que mais chama atenção no evento é a diversidade. Países que compartilham questões históricas, sociais e econômicas semelhantes conseguem transformá-las em respostas muito diferentes. Ao mesmo tempo, existe algo que nos aproxima: a criatividade conectada à cultura, ao cotidiano e à capacidade de encontrar soluções a partir das particularidades de cada contexto.
Estiveram presentes muitos brasileiros, tanto entre os profissionais de design, marketing e propaganda quanto entre os projetos reconhecidos. Em um encontro que reúne diferentes mercados da região, essa presença reforça o quanto o Brasil participa ativamente dessa conversa e, ao mesmo tempo, o quanto ainda temos a ganhar ao olhar com mais atenção para o que está sendo produzido nos países ao nosso redor.
Quando olhamos apenas para o mercado em que estamos inseridos, é fácil naturalizar certas referências e formas de trabalhar. Estar em contato com projetos e profissionais de outros países cria uma espécie de mudança de perspectiva. Elementos que poderiam parecer específicos ou locais passam a fazer parte de uma conversa muito maior sobre identidade, linguagem e a maneira como as marcas se relacionam com as pessoas.
Essa troca também reforçou uma percepção que considero importante para quem trabalha com design: o repertório não vem apenas do próprio design. Ele está na música, na comida, nas cidades, no comportamento, nas histórias e nas tensões sociais de cada lugar. Na América Latina, talvez isso fique ainda mais evidente pela convivência diária com enorme diversidade cultural dentro de territórios relativamente próximos.
Porém, essa diversidade também impede que exista uma única estética latino-americana. Brasil, Peru, México, Argentina, Colômbia e tantos outros mercados têm repertórios próprios e maneiras distintas de traduzir suas culturas visualmente. E isso é justamente parte da força da região. O que nos conecta não precisa ser a estética comum, mas talvez uma forma de pensar: a capacidade de olhar para o contexto antes de partir para a solução.
E essa é uma das partes mais interessantes do processo criativo. Design não começa necessariamente na vontade de criar algo novo, mas na capacidade de observar melhor aquilo que já está ao nosso redor. Entender as pessoas, os códigos culturais, as limitações e as oportunidades de cada situação é o que permite construir soluções que tenham relevância naquele contexto.
Participar de um encontro como o LAD Awards também evidencia a importância da troca entre profissionais. Vivenciar um projeto em uma tela é diferente de estar em um ambiente em que pessoas de diferentes mercados estão discutindo como chegaram até aquelas soluções, as referências e até mesmo os desafios que precisaram enfrentar.
Voltei de Lima com a ideia de que o futuro do design latino-americano não depende de encontrarmos uma linguagem única para representar a região, mas de continuarmos valorizando aquilo que nos torna diferentes e usando essas diferenças como matéria-prima criativa.
Em um mercado cada vez mais conectado e exposto às mesmas referências globais, preservar um olhar atento para o contexto local pode ser justamente o que mantém o trabalho relevante, original e, principalmente, humano.

