Uma organização que nasceu para ajudar a resolver necessidades emergenciais de um hospital público e, ao longo de duas décadas, transformou sua atuação para olhar de forma mais ampla para o desenvolvimento das crianças. Essa é a trajetória da Alma Mater, que completa um ano desde a adoção da nova identidade e fortalece uma história iniciada em 2006, quando ainda se chamava Associação Amigos do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (AHMI). O aniversário da marca representa a síntese de uma transformação construída ao longo dos anos de uma entidade voltada ao apoio à estrutura hospitalar para um instituto dedicado à maternidade e à primeira infância, com atuação nas áreas da saúde e da educação.
A origem está ligada diretamente ao Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, em Porto Alegre. A organização foi criada por servidores públicos da instituição para captar recursos destinados a compras emergenciais que não poderiam aguardar a tramitação dos repasses públicos. Entre os primeiros desafios estiveram campanhas para melhorias no hospital e a busca por recursos para aquisição de um novo aparelho de raio X. Com o passar dos anos, a atuação passou também pela revitalização de espaços, como o Centro de Referência no Atendimento Infantojuvenil (CRAI), pela reforma da Emergência Pediátrica e pela aquisição de equipamentos hospitalares. Outro marco importante foi a revitalização da Psiquiatria do hospital e o lançamento do projeto Primeiros Passos do Bebê e da Mamãe.
A mudança de perspectiva ganhou força com a entrada de novas voluntárias no conselho e o reposicionamento que deu origem à marca AHMI. Em seguida, o projeto AHMI Bebê passou a ocupar papel central na atuação social, acolhendo mães e bebês. A experiência mostrou que era possível ir além do atendimento pontual e atuar sobre fatores que influenciam o desenvolvimento desde os primeiros anos de vida. Hoje, o projeto já beneficiou mais de 6,2 mil bebês.
A transformação se tornou ainda mais evidente após a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024. Além de atuar diretamente nos abrigos, com distribuição de itens de higiene, caixas-berço, que serve como primeira cama do bebê, enxovais completos e cestas básicas, a organização decidiu deixar um legado de longo prazo. A reconstrução de escolas de educação infantil comunitárias afetadas pela enchente abriu caminho para uma nova frente de atuação e levou à criação dos projetos Aurora Infraestrutura e Aurora Capacitação, voltados à melhoria dos espaços escolares, ampliação de vagas e formação de educadores.
Em apenas um ano sob o nome Alma Mater, essa ampliação já apresenta resultados concretos. O Projeto Aurora Capacitação alcançou mais de 200 educadores, 19 escolas comunitárias e mais de 1,5 mil crianças de zero a seis anos. Já o Aurora Infraestrutura soma 644 crianças beneficiadas e 361 novas vagas disponibilizadas a partir da reforma e ampliação de três escolas de educação infantil em Porto Alegre. Paralelamente, a organização ampliou o Alma Mater Bebê para espaços como CRAS e UBS, atendendo também pacientes da região metropolitana de Porto Alegre, como Guaíba, Cachoeirinha, Gravataí, Eldorado e Canoas, e iniciou a expansão do projeto para a Maternidade SUS da Santa Casa e para o município de Alto Parnaíba, no Maranhão.
Por meio do trabalho de apoio ao Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, mais de 200 mil famílias já foram beneficiadas, enquanto as iniciativas voltadas diretamente à primeira infância passaram a alcançar crianças, mães, famílias e profissionais da educação.Para a presidente da Alma Mater Brasil, Fernanda Etchepare, a mudança de identidade representa a evolução natural de uma história construída a partir do cuidado. “A Alma Mater nasceu respondendo a necessidades urgentes e foi aprendendo que cuidar da infância exige olhar para muito além da emergência. Hoje, nosso compromisso é atuar desde o começo da vida, fortalecendo famílias, qualificando ambientes de aprendizagem e ampliando o acesso a oportunidades”, afirma.
A escolha da primeira infância como eixo central reflete justamente essa compreensão. Para a organização, os primeiros seis anos concentram uma fase de intenso desenvolvimento cerebral, emocional, social e cognitivo, na qual as experiências, relações, cuidados, estímulos e condições de vida podem influenciar toda a trajetória futura. Em contextos de vulnerabilidade, fatores como insegurança alimentar, acesso irregular à saúde, moradia precária, violência e ausência de redes de apoio podem ampliar desigualdades desde os primeiros anos.
O nome Alma Mater, que significa “mãe nutridora”, sintetiza essa nova etapa sem romper com a origem da instituição. A identidade preserva a trajetória de acolhimento e cuidado construída desde o apoio ao hospital, mas amplia seu horizonte para uma atuação estratégica em saúde, educação e desenvolvimento integral. A imagem da nova marca, representada por uma ave alimentando seu filhote, reforça a ideia de cuidado, nutrição e proteção que passou a orientar essa trajetória.

