Um novo estudo da ABStartups (Associação Brasileira de Startups), em parceria com o Núcleo de Política e Gestão Tecnológica da Universidade de São Paulo (PGT USP), mostra que as edtechs brasileiras estão construindo seus negócios com base em redes de colaboração e que esse movimento tem sido essencial para sustentar o crescimento de um setor que, em sua maioria, opera sem capital externo.
Entre as 368 startups mapeadas, 47,3% têm hubs de inovação como parceiros estratégicos, e 42,7% contam com o apoio de instituições acadêmicas. Não é por acaso: em um ecossistema onde 66,3% das empresas nunca receberam investimento externo, as parcerias funcionam como uma alternativa de acesso a recursos, conhecimento e mercado. Hubs e universidades entram como pontes entre a tecnologia desenvolvida pelas startups e as demandas reais do setor educacional. Entidades corporativas aparecem em 29,3% das parcerias, e o governo em 24,5%, o que também revela o interesse crescente do setor público em aproximar-se das soluções desenvolvidas por essas empresas.
Esse modelo colaborativo tem dado resultado. O levantamento mostra que o ecossistema de edtechs está longe de ser iniciante: 29,5% das startups já estão na fase de operação, 26,2% em tração e 15,7% em escala, os estágios mais avançados de maturidade. Apenas 7,7% ainda se encontram na fase inicial de ideação. É um retrato de um setor que, mesmo sem fácil acesso a capital, foi construindo estrutura e encontrando mercado ao longo do tempo.
Apesar desse avanço, um ponto chama atenção quando o assunto é a proteção do que foi construído: 78,8% das edtechs ainda não possuem patentes registradas. Em um setor onde o modelo SaaS domina, adotado por 42% das startups, e onde boa parte da diferenciação está no software e na metodologia, a baixa proteção intelectual pode representar um gargalo competitivo à medida que o mercado amadurece e a concorrência aumenta.
“Os dados mostram que o ecossistema de edtechs está encontrando caminhos para crescer por meio da colaboração, mesmo diante das dificuldades de acesso a capital. Ao mesmo tempo, o estudo evidencia uma oportunidade importante para o setor avançar na proteção da propriedade intelectual, garantindo que a inovação desenvolvida pelas startups também se transforme em vantagem competitiva de longo prazo”, afirma Cláudia Schulz, CEO da ABStartups.
Geograficamente, o ecossistema ainda é bastante concentrado. Mais de 60% das edtechs estão no Sudeste, com São Paulo respondendo por 45,1% do total nacional. Essa centralização reflete não apenas a densidade do ecossistema de inovação paulistano, mas também a proximidade com grandes empresas e instituições de ensino — os principais clientes dessas startups. O modelo de trabalho, por sua vez, é quase integralmente remoto: 49,4% operam em home office e 47,5% em regime híbrido, com apenas 3,2% exigindo presença física — um reflexo natural de empresas que nasceram para digitalizar a educação.
Sobre a Abstartups:
Fundada em 2011, a Associação Brasileira de Startups (Abstartups) nasceu em um momento em que o conceito de startups ainda era novidade no Brasil. Ao longo dos anos, empreendedores de diversas regiões do país começaram a se conectar, impulsionando um movimento que viria a transformar o cenário de inovação nacional. A Abstartups surgiu da união desses empreendedores, com a missão de criar uma rede coesa e colaborativa, voltada para o aprendizado, fomento e geração de oportunidades para startups brasileiras.Hoje, a associação existe para construir o ambiente ideal para que as startups possam transformar o Brasil. A atuação ocorre de maneira transversal ao ecossistema, buscando criar e fomentar relações entre todos os seus agentes. Ao longo dos seus 14 anos de existência, já realizou 150 eventos com mais de 180 mil empreendedores impactados.

