Em uma final marcada por inovação científica e impacto social, a Protege Química, de Santa Cruz do Sul (RS), no Vale do Rio Pardo, consagrou-se como a vencedora da Batalha de Startups da Gramado Summit 2026. A solução premiada é um creme protetor inédito no mundo, desenvolvido para prevenir a doença da folha verde do tabaco, uma intoxicação aguda causada pela absorção de nicotina através da pele, muito comum em produtores da fumicultura. Os sintomas incluem vômito, tontura e delírio.
O anúncio foi feito na sexta-feira, 8, no palco principal do evento, após uma disputa intensa que envolveu mais de 70 startups inscritas e 14 selecionadas para as etapas classificatórias. Como prêmio pelo primeiro lugar, a Protege Química tem a possibilidade de negociar um aporte da Ventiur entre R$ 200 mil e R$ 1 milhão.
O protetor atua como uma barreira química seletiva, uma espécie de “peneira” que permite a transpiração da pele, mas bloqueia a entrada da molécula da nicotina.
Elaborado pelas empreendedoras Júlia Giovanna Nunes, 25 anos, e Franciele Pedroso Carrara, 24, o creme protetor resolve um problema crítico para os mais de 600 mil trabalhadores das lavouras de fumo no Brasil: a dificuldade de usar os equipamentos de proteção individual (EPIs) plásticos sob temperaturas altas necessários para proteger a pele.
“A gente trouxe uma solução mais moderna para a prevenção. O produtor aplica o creme como se fosse um protetor solar e pode trabalhar na lavoura com segurança, sem sofrer com vômitos e tonturas causados pela nicotina”, explicou Júlia Nunes.
Filha e neta de fumicultores
Ainda no Ensino Médio, com 18 e 17 anos, respectivamente, Júlia e Franciele desenvolveram o projeto como trabalho de conclusão do curso Técnico em Química, na cidade onde vivem e que é o principal polo de produção de tabaco no Rio Grande do Sul. Foi ouvindo histórias sobre o efeito da doença nos avós e na mãe, quando atuavam na lavoura, que Júlia pensou em alternativas para a prevenção.
“Eu acredito que essa trajetória da minha família foi o que motivou a gente olhar pra essa população. Tem muitas pesquisas sobre o setor do tabaco no sentido de falar do produto final, que é o cigarro, mas existe também uma realidade de mais de 600 mil pessoas no Brasil que trabalham em lavouras de tabaco e precisam ganhar o seu dinheiro para sobreviver“, afirma Júlia.
Com patente de invenção e validação em fóruns internacionais, a startup já soma 11 mil unidades vendidas. O creme da Protege Química já está disponível nos principais municípios produtores de tabaco do Brasil e, atualmente, passa por um processo de internacionalização, com expectativa de exportação para países como Argentina, Turquia, Zâmbia, Zimbábue e Índia.
Para Rodrigo Pimenta, head de investimentos da Ventiur e responsável pela Batalha de Startups, a vitória da Protege Química reflete a força das Deep Techs nesta edição. “São negócios provenientes da pesquisa, que transformam o estudo em um negócio inovador. Das cinco finalistas, quatro têm essa característica”.
A Batalha de Startups é um dos pilares da Gramado Summit, realizada em parceria com a Ventiur. Nesta 6ª edição, o júri avaliou critérios como modelo de negócio, proposta de valor, escalabilidade e o pitch de cinco minutos dos fundadores. Em segundo e terceiro lugar ficaram as startups Siapesq, da cidade de Rio Grande (RS), que usa IA para fazer o mapeamento e monitoramento de ecossistemas de flora e fauna via satélite, e a Entomos, também de Santa Cruz do Sul, que transforma proteína de insetos para produzir alimentação para animais como cachorros e pássaros.

