Muito antes de os debates sobre diversidade, equidade e protagonismo feminino ganharem espaço nas empresas, a engenheira Angela Alvarenga já ocupava posições que, décadas atrás, eram majoritariamente masculinas. Formada em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ela foi a primeira mulher a concluir o curso, em uma época em que a presença feminina nas áreas de exatas ainda era uma exceção. Aos 83 anos, sua trajetória continua conectada à liderança empresarial e à transformação do setor de tecnologia.
A escolha pela Engenharia Mecânica representou, desde o início, uma decisão de ruptura. Em um ambiente no qual as mulheres ainda enfrentavam barreiras para ingressar e construir carreiras nas áreas técnicas, Angela abriu caminhos e transformou sua formação em uma trajetória profissional que atravessa gerações. Ao longo das décadas, essa construção ganhou diferentes formas, envolvendo negócios, equipes, relações profissionais e o desenvolvimento de organizações.
Atualmente, Angela é presidente do Conselho da Montreal, empresa brasileira de tecnologia e serviços, e acompanha de perto os rumos de uma organização com a qual mantém uma relação construída ao longo de sua trajetória. Sua história, no entanto, vai além do cargo que ocupa: representa a experiência de uma geração de mulheres que conquistaram espaço em setores tradicionalmente masculinos e contribuíram para ampliar as possibilidades de atuação feminina no mercado de trabalho.
A história de Angela ganha relevância em um contexto no qual o debate sobre o protagonismo feminino também passa pela permanência das mulheres em posições de decisão, pela valorização de suas experiências e pela construção de ambientes profissionais mais diversos. Na tecnologia, setor em constante transformação, a presença de mulheres em posições estratégicas contribui para ampliar perspectivas e fortalecer o debate sobre liderança, inovação e desenvolvimento de talentos.
Uma trajetória que atravessa gerações
Aos 83 anos, Angela representa uma perspectiva de liderança construída ao longo do tempo, baseada na experiência, na capacidade de adaptação e na continuidade de sua atuação profissional. Sua trajetória permite discutir não apenas os desafios enfrentados pelas mulheres que ingressaram precocemente em áreas predominantemente masculinas, mas também a importância de reconhecer suas contribuições para a evolução das empresas e do mercado.
No contexto do Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, histórias como a de Angela também ajudam a ampliar a conversa sobre as mulheres para além das campanhas de saúde. O período oferece uma oportunidade para dar visibilidade às diferentes dimensões da experiência feminina, incluindo a trajetória profissional, a autonomia, a longevidade e a participação nos espaços de decisão.
Ao longo de sua carreira, Angela acompanhou mudanças profundas na sociedade e no ambiente corporativo. Sua história ajuda a ilustrar como o protagonismo feminino também se constrói com a ocupação de espaços, a abertura de caminhos para outras gerações e a continuidade da contribuição das mulheres para setores estratégicos da economia.
Mais do que uma história de pioneirismo individual, sua trajetória convida a refletir sobre o legado das mulheres que ajudaram a transformar o mercado de trabalho e sobre a importância de garantir que as próximas gerações encontrem oportunidades para desenvolver suas carreiras e exercer a liderança.


