Identificar os pontos mais vulneráveis de uma adutora enterrada antes que eles evoluam para vazamentos ou rupturas é a proposta do RupiX, metodologia que a Morken Brasil apresenta na Fenasan 2026, em São Paulo, de 20 a 22 de outubro. Desenvolvido para avaliar a integridade e o risco em tubulações enterradas de aço carbono, o sistema combina diferentes métodos de inspeção para localizar, classificar e priorizar regiões críticas. No saneamento, a aplicação busca apoiar a prevenção de perdas de água e de interrupções no abastecimento.
A metodologia ganha relevância em um cenário de novos investimentos associados aos processos de privatização e de valorização crescente da água. “Quando uma adutora perde água, também se perde parte do investimento feito para captar, tratar e transportar esse recurso. O RupiX reúne informações para identificar os trechos que exigem maior atenção e orientar a manutenção antes que a deterioração resulte em uma falha”, afirma o gestor comercial da Morken Brasil, Leandro Gonçalves.
A abordagem foi concebida especialmente para tubulações em que a inspeção interna por PIG instrumentado não é possível ou apresenta limitações. O RupiX correlaciona informações ambientais, eletroquímicas, elétricas e mecânicas para construir uma visão integrada da condição da adutora e direcionar as verificações de campo aos pontos de maior criticidade.
Para as operadoras de saneamento, a metodologia responde a um desafio recorrente: redes enterradas extensas, antigas e, muitas vezes, com documentação incompleta, nas quais escavar toda a extensão seria inviável. Ao identificar regiões prioritárias, a avaliação oferece uma base técnica para planejar inspeções diretas, intervenções e investimentos.
A Morken Brasil vem ampliando sua atuação no saneamento, com soluções já utilizadas por empresas na Bahia, em Aracaju e no Ceará. A receptividade no Nordeste levou a companhia a abrir um escritório na região para acompanhar a demanda. Presente todos os anos na Fenasan, a empresa pretende aproveitar esta edição para estreitar o relacionamento com operadoras de outras regiões do país e apresentar a metodologia integrada.
Dez etapas para orientar a manutenção
O RupiX estrutura a avaliação em dez etapas: localização e georreferenciamento da tubulação; medição de profundidade; resistividade do solo; inspeção do sistema de proteção catódica; identificação de falhas de revestimento; inspeção magnética do metal; correlação dos dados; inspeção direta em valas; estudo de integridade; e manutenção preventiva ou corretiva.
A localização e o georreferenciamento criam uma referência espacial do ativo, contribuindo para documentar o traçado e atualizar os registros da rede. Na sequência, são avaliadas condições que influenciam a corrosão externa, como a agressividade do solo, o desempenho da proteção catódica e a integridade do revestimento.
A inspeção magnética do metal acrescenta informações sobre regiões de concentração de tensão potencialmente associadas a perdas de massa, defeitos geométricos ou outros mecanismos de degradação. Os dados coletados são analisados em conjunto para classificar a criticidade dos diferentes trechos da tubulação.
“O diferencial está na correlação das informações. Uma falha de revestimento, por exemplo, passa a ser avaliada junto com as condições do solo, da proteção catódica e a resposta magnética do metal. Isso permite direcionar as verificações de campo e os recursos para as regiões que precisam de maior atenção”, explica Gonçalves.
Da avaliação à intervenção
Após a análise integrada, as regiões de maior criticidade podem avançar para inspeção direta em vala, com avaliação visual e medição de espessura por ultrassom. Outros ensaios não destrutivos também podem ser empregados, conforme o histórico da tubulação e o tipo de anomalia identificada.
Os defeitos confirmados podem ser submetidos a um estudo de integridade para verificar sua influência sobre a condição operacional da adutora. A metodologia prevê o avanço até a definição e execução da intervenção adequada, que pode incluir recuperação do revestimento anticorrosivo, reparos, reforços estruturais ou, quando aplicável, reabilitação de trechos.
Dessa forma, o RupiX conecta atividades que normalmente são contratadas e analisadas separadamente: cadastro do ativo, inspeções indiretas, correlação de risco, abertura seletiva de valas, ensaios de contato, avaliação de integridade e manutenção. O objetivo é reduzir incertezas e direcionar investimentos aos pontos em que a intervenção é tecnicamente mais necessária.
Histórico técnico das adutoras
Os resultados são organizados em relatórios e arquivos que permitem localizar as anomalias e acompanhar as decisões tomadas em cada etapa. Entre os entregáveis estão relatório integrado, arquivos para visualização geográfica, folhas de escavação, relatórios de ensaios não destrutivos, estudos de integridade e registros de manutenção, reunidos na documentação técnica consolidada do projeto.
A Morken Brasil também desenvolveu uma plataforma digital para centralizar as informações geradas durante a aplicação do RupiX. O ambiente permite acompanhar o avanço dos serviços e organizar dados e documentos, criando um histórico técnico que pode apoiar a gestão da integridade da tubulação ao longo de sua vida operacional.
Para as empresas de saneamento, a proposta é ampliar o conhecimento sobre a infraestrutura de abastecimento e priorizar escavações, manutenção e investimentos antes que a degradação das


